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Afrodite

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Botticelli Venus

O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli (1482–1486)

Afrodite (do grego Ἀφροδίτη, Aphroditê) é a deusa grega do amor, do prazer e da beleza, identificada pelos romanos como Vênus. A murta, a romã, a maçã, a pomba, o pardal e o cisne são consagrados a ela.

Origem Editar

Bouguereau venus

O Nascimento de Vênus, de Adolphe-William Bouguereau (1879)

Afrodite é uma divindade de características orientais, cujo culto foi provavelmente introduzido na Grécia pelos fenícios, a partir das suas feitorias. Uma delas estabeleceu-se na ilha de Cítera, próxima do Peloponeso. Os fenícios tiveram também uma colônia em Pafos, Chipre.

Afrodite e seu culto de origem semita parecem ter tomado, na Grécia, o lugar da deusa indo-européia Eos, a Aurora. Ainda que tenha sido identificada com a Afrodite grega, o nome romano de Vênus parece ser etimologicamente relacionado a Eos e sua equivalente indiana, Ushas. Já o nome "Afrodite" parece derivar do nome de alguma divindade hitita relacionada à semita Istar, Astarot ou Astarte, com a qual Afrodite foi freqüentemente assimilada.

Segundo a Teogonia de Hesíodo, Afrodite nasceu da espuma branca das ondas, provocada pela queda no mar do esperma e dos genitais de Urano, castrado por Cronos. Essa versão deriva da etimologia popular que relacionou o nome da deusa com a palavra grega aphros, "espuma".

Com o epíteto de Anadiômene, "a que surge" das ondas do mar, de um famoso quadro do pintor grego Apeles (século IV a.C.), tão logo nasceu, a deusa foi levada pelas ondas ou pelo vento Zéfiro para Cítera e em seguida para Chipre, terras consideradas como a pátria de Afrodite e que lhe deram os epítetos de Citeréia e Cípris.

Na Ilíada de Homero, porém, Afrodite é filha de Dione, deusa-mãe da Terra equivalente a Réia que teria sido a deusa original do oráculo de Dodona, mais tarde associado a Zeus. Daí, seu epíteto alternativo de Dionéia.

Representações Editar

Afrodite foi, sucessivamente, representada envolta em finos véus, seminua e mais tarde totalmente nua (a partir de Escopas e de Praxíteles, século IV a. C.). Os artistas da Renascença (como Botticelli, Ticiano, Velásquez, Rubens, etc.) apresentaram-na, geralmente, envolvida nas suas flores preferidas, a rosa e a murta, e acompanhada dos seus animais favoritos, as pombas, que ela atrelava ao seu carro.

Afrodite costuma ser acompanhada de um cortejo de servidores e de servas que encarnam os prazeres e o encanto do mundo, das quais a mais importantes são as Cárites e as Horas.

Mitos de Afrodite Editar

  • Hefesto nasceu feio e, por isso, foi atirado do alto do Monte Olimpo aos mares por Hera, sua mãe. Foi recolhido por Tétis e Eurímone, com as quais viveu por nove anos. Já crescido, ele se vingou dela, enviando-lhe de presente um trono de adamanto. Quando Hera se sentou, correntes a prenderam habilmente e nem Zeus foi capaz de quebrá-las. Hefesto só consentiu em libertar a mãe em troca da volta ao Olimpo e da mão de Afrodite.
Venus mars

Vênus e Marte, de Sandro Botticelli (1485)

Crouching Aphrodite

Afrodite agachada, mármore romano

  • Ares, nas ausências de Hefesto, que tinha suas forjas no monte Etna, na Sicília, partilhava constantemente o leito de Afrodite. Fazia-o com tranqüilidade, pois deixava à porta dos aposentos da deusa uma sentinela, um jovem chamado Aléctrion ("Galo"), que deveria avisá-lo da aproximação do nascer do sol. Um dia, porém, o vigia dormiu e Hélios, o Sol, que tudo vê e que não perde a hora, surpreendeu os amantes e avisou Hefesto. Este, deus que sabe atar e desatar, preparou uma rede mágica, com correntes invisíveis de adamanto e prendeu o casal ao leito. Convocou os deuses para testemunharem o adultério e estes se divertiram tanto com a picante situação que a abóbada celeste reboava com as suas gargalhadas. Após insistentes pedidos de Posêidon, o deus coxo consentiu em retirar a rede. Envergonhada, Afrodite fugiu para Chipre e Ares para a Trácia. Desses amores, nasceram Fobos ("Medo"), Deimos ("Terror") e Harmonia, que mais tarde foi esposa de Cadmo, rei de Tebas. Aléctrion foi punido sendo transformado em galo e obrigado a cantar toda madrugada, antes do nascimento do Sol.
  • Por ter Eos se enamorado de Ares, Afrodite, enciumada, fez a rival apaixonar-se violentamente pelo gigante Órion, a ponto de arrebatá-lo e escondê-lo, com grande desgosto dos deuses, uma vez que o gigante, como Héracles, limpava os campos e as cidades de feras e monstros.
  • Tão longo Afrodite nasceu, Zeus por ela se apaixonou e a possuiu numa longa noie de amor. Hera, enciumada com a gravidez da deusa oriental, e temendo que, se da mesma nascesse um filho com a beleza da mãe e o poder do pai, ele certamente poria em perigo a estabilidade dos imortais, deu um soco no ventre de Afrodite. O resultado foi que Priapo nasceu com um membro viril descomunal. Com medo de que seu filho e ela própria fossem ridicularizados pelos deuses, abandonou-o numa alta montanha, onde foi encontrado e criado pelos pastores (outra versão faz de Priapo filho de Afrodite com Dioniso).
  • Da união de Afrodite com Hermes, nasceu Hermafrodito, um jovem belíssimo. Salmácis, uma ninfa crinéia, apaixono-se por ele, agarrou-o quando foi banhar-se em sua fonte e pediu aos deuses que jamais a separassem dele. Desde então, Hermafrodito passou a ter uma dupla natureza.
  • Afrodite castigou Hipólito por ter-se dedicado à deusa da castidade Ártemis e desprezado seu culto. Inspirou a Fedra, madrasta de Hipólito, uma paixão incontrolável pelo enteado. Repelida por este, Fedra se matou, mas deixou uma mensagem mentirosa a Teseu, seu marido e pai de Hipólito, acusando a este último de tentar violentá-la, o que lhe explicava o suicídio. Desconhecendo a inocência do filho, Teseu expulsou-o de casa e invocou contra o filho a cólera de Posêidon. Este enviou contra Hipólito um monstro marinho que espantou os cavalos de sua biga, fazendo-o cair e ser arrastado e despedaçado.
Peter Paul Rubens 115

O Julgamento de Páris, de Pieter Pauwel Rubens (1639)

  • Durante o banquete de núpcias de Tétis e de Peleu, para o qual os deuses tinham sido convidados, Éris, a Discórdia, lançou para o meio dos convivas um pomo de ouro, na qual figurava a inscrição καλλίστῃ (kallístê, "à mais bela"). Hera e Atena opuseram-se, imediatamente a Afrodite, cada uma delas reivindicando o pomo e o título. Zeus convenceu-as a remeter esta questão à apreciação de um mortal, e foi eleito como juiz o Troiano Páris, filho do rei Príamo. Hermes conduziu as três deusas junto dele, numa altura em que este vigiava os seus rebanhos no monte Ida, na Frigia. Hera fez valer a sua beleza senhorial e ofereceu a Páris o Império da Ásia; Atena, dotada de uma beleza severa, garantiu ao príncipe troiano a invencibilidade e sabedoria; Afrodite, soltando as fivelas que prendiam a sua túnica, desnudou-se e prometeu a Páris o amor da mais bela mulher do mundo. Afrodite recebeu o pomo e o troiano, em recompensa, conseguiria seduzir a bela Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau, dando início à Guerra de Tróia.
  • A beleza do troiano Anquises, "digna dos deuses", fascinou Afrodite, a ponto de ela lhe dar um filho, Enéias. Este, após a queda de Tróia, ficou responsável pela perpetuação da sua raça e da sua pátria, transferindo-as para Itália, no Lácio, onde, mais tarde, os seus descendentes fundariam Roma.
Adonisbirth

Nascimento de Adônis, de Nicolas-André Monsiau (1754-1837)

  • Téias, rei da Síria, tinha uma filha, Mirra ou Esmirna que, desejando competir em beleza com a deusa do amor, foi castigada por esta com uma paixão incestuosa pelo próprio pai. Com auxílio de sua aia Hipólita, Mirra enganou Téias unindo-se com ele por doze noites consecutivas. Na última noite, o rei percebeu o engodo e perseguiu a filha com a intenção de matá-la. Mirra colocou-se sob a proteção dos deuses, que a transformaram na árvore que tem seu nome.
  • Em outra versão do mesmo mito, Mirra era filha de Cíniras, rei fenício de Chipre, e da rainha Cencréia. Esta ofendeu Afrodite, dizendo que a filha era mais bela que a deusa, que então despertou na rival a paixão pelo pai. Apavorada com seus próprios desejos, Mirra quis enforcar-se, mas Hipólita interveio e facilitou a satisfação do amor incestuoso. Consumado o incesto, Mirra fugiu para a floresta e foi a própria Afrodite que, combadecida com seu sofrimento, a transformou em árvore de mirra.
  • Meses depois, a casca da mirra começou a inchar e no décimo mês se abriu (ou, segundo outras versões, foi aberta pelo pai ou pelos dentes de um javali), nascendo Adônis. Tocada pela beleza da criança, Afrodite recolheu-a e a confiou, em segredo, a Perséfone. Esta, também encantada com o menino, negou-se a devolvê-lo à esposa de Hefestos. A querela foi arbitrada por Zeus, que estipulou que Adônis passaria um terço do ano com Perséfone, outro com Afrodite e os restantes com quem quisesse.
  • Mais tarde, Ares, com ciúme - ou Ártemis, ou Apolo, segundo outras versões - lançou contra Adônis um javali que o matou. Afrodite então transformou seu amor em anêmona, flor da primavera, que continuou a passar os quatro meses primaveris com Afrodite, para então fenecer e morrer. No afã de tentar salvar o amante, Afrodite pisou num espinho de rosa e seu sangue deu à flor um novo colorido.

Referências Editar

  • Dicionário de mitologia grega e romana [1]
  • Wikipedia (em inglês): Aphrodite [2]

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