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Alamoa, em ilustração de Roger Cruz e Bruna Brito para o livro O Mais legal do Folclore, 2003

A Alamoa ou dama branca, lenda de Fernando de Noronha, é a aparição de uma mulher branca, loura, nua, que tenta os pescadores ou caminhantes que voltam tarde e depois se transforma num esqueleto, endoidecendo o namorado que a seguiu. Aparece também como uma luz ofuscante, multicor, a perseguir quem foge dela. Sua residência é o Pico, elevação rochosa de 321 metros na ilha de Fernando de Noronha. Segundo Olavo Dantas (Sob o Céu dos Trópicos, 28, Rio de Janeiro, 1938):

Às sextas-feiras a pedra do Pico se fende e na chamada porta do Pico aparece uma luz. A Alamoa vaga pelas redondezas. A luz atrai sempre as mariposas e os viandantes. Quando um destes se aproxima da porta do Pico, vê uma mulher loura, nua como Eva antes do pecado. Os habitantes de Fernando chamam-na alamoa, corruptela de alemã, porque para eles mulher loura só pode ser alemã... O enamorado viandante entra na porta do Pico, crente de ter entrado num palácio de Venusberg, para fruir as delícias daquele corpo fascinante. Ele, entretanto, é mais infeliz que o cavaleiro Tannhauser. A ninfa dos montes transforma-se numa caveira baudelairiana.
Os seus lindos olhos que tinham o lume das estrelas, são dois buracos horripilantes. E a pedra logo se fecha atrás do louco apaixonado. Ele desaparece para sempre.

Para Pereira da Costa, trata-se de uma reminiscência do tempo dos holandeses. Luís da Câmara Cascudo a caracteriza como uma convergência de várias lendas de sereias e iaras estrangeiras. O tema da mulher sobrenatural que atrai e seduz os homens, transformando-se a seguir, é comum e recorrente no imaginário popular, sendo, por isso, impossível determinar sua origem com precisão.


Referências Editar

  1. Luís da Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954
  2. Luís da Câmara Cascudo. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.251-254
  3. Mário Corso. Monstruário; inventário de entidades imaginárias e de mitos brasileiros. 2ª ed. Porto Alegre, Tomo Editorial, 2004, p.17-18
  4. F. A. Pereira da Costa. Folclore pernambucano; subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco. Recife, Arquivo Público Estadual, 1974, p.26-27
  5. Olavo Dantas. Sob o céu dos trópicos. Rio de Janeiro, 1938, p.28-29
  6. Mário Souto Maior. Dicionário de folclore para estudantes [1]
  7. Joaquim Ribeiro. Os brasileiros. Rio de Janeiro, Pallas; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1977, p.48-49
  8. Maria José Borges Lins e Silva [Marieta]. Fernando de Noronha; Lendas e fatos pitorescos. 2ª ed. Recife, Inojosa Editores, 1989, p.23-26

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