FANDOM


PerseusAndromeda.jpg

Perseu e Andrômeda, de Edward Burne-Jones (1876)

Andromeda Chained to the Rock by the Nereids.jpg

Andrômeda acorrentada à rocha pelas nereidas, de Theodore Chasseriau (1840)

AndromedaDore.jpg

Andrômeda acorrentada ao rochedo, de Gustave Doré (1869)

AndromedaBurne.jpg

A Rocha do Destino, de Edward Burne-Jones (1875-1890)

PerseusAndromedaDoomBJ.jpg

O Destino Cumprido, de Edward Burne-Jones (1875-90)

Burne-Jones Perseus Cycle 1887.jpg

A Cabeça Sinistra, de Edward Burne-Jones (1887)

Na mitologia grega, Andrômeda era uma princesa, filha de Cefeu e de Cassiopéia. Foi acorrentada a um rochedo em sacrifício a um monstro enviado por Posêidon e libertada por Perseu, que com ela se casou. Partiu com Perseu para Argos e, em seguida, para Tirinto, onde tiveram vários filhos: Alceu, Electrião, Estênelo, Gorgófona, Héleio, Mestor e Perses.

Seu nome é um composto de anêr, andros ("homem", "varão") e do verbo médein ("reinar", "cuidar"), ou seja, "a que cuida dos homens", ou "a que reina sobre os homens".

O mito Editar

Filha de Cefeu, rei da Etiópia, e de Cassiopéia, Andrômeda foi vítima da hybris, do descomedimento da mãe, que pretendia ser mais bela que todas as nereidas, ou mais bela que a própria deusa Hera, conforme a versão.

As nereidas (ou Hera), inconformadas e enciumadas, solicitaram a Posêidon que as vingasse da afronta. O deus do mar enviou contra o reino de Cefeu o monstro marinho Ceto, que o devastava por inteiro. Consultado o Oráculo de Amon, o deus declarou que a Etiópia só se libertaria do flagelo se Andrômeda fosse agrilhoada a um rochedo à beira-mar, como vitima expiatória ao monstro, que a devoraria. Pressionado pelo povo, o rei consentiu que a filha fosse exposta, como Psique, "às núpcias da morte".

Exatamente nesse momento, o herói Perseu, retornando de sua vitoriosa missão contra a Medusa, chegou ao reino de Cefeu e se apaixonou por Andrômeda. Prometeu ao rei que a salvaria, caso este lhe desse a filha em casamento. Feito o pacto, Perseu, usando suas armas mágicas, libertou a noiva e a devolveu aos pais, aguardando as prometidas núpcias.

Cefeu e Cassiopéia colocaram, porém, dificuldades, porque a jovem já fora prometida em casamento a seu tio Fineu, irmão de Cefeu, que planejou eliminar o vencedor do monstro marinho. Descoberta a conspiração, Perseu mostrou a cabeça de Medusa a Fineu e seus cúmplices, transformando-os em estátuas de pedra.

Uma variante do mito mostra o herói em luta não contra Fineu, mas contra Agenor, irmão gêmeo de Belo. É que Agenor, instigado por Cefeu e Cassiopéia, que se haviam arrependido da promessa de dar a filha em casamento ao herói argivo, avançou cotra este com duzentos homens em armas. Após matar vários inimigos, já cansado de lutar, Perseu petrificou os demais com a cabeça da Medusa, inclusive o casal real.

Em uma interpretação evemerista, contada pelo mitógrafo Cônon, do século I a.C., Cefeu seria rei de Iope, nome antigo da Fenícia e Andrômeda era cortejada por Fênix, epônimo da Fenícia, e por Fineu. Após muitas tergiversações, o rei decidiu dá-la em casamento a Fênix, mas, não querendo desagradar ao irmão, simulou um rapto de Andrômeda. Este se consumaria numa ilhota onde a jovem costumava sacrificar a Afrodite. Mas em sua célebre nau Ceto, Fênix raptou a noiva, que ignorando tratar-se de uma encenação destinada a enganar o tio, gritou por socorro. Perseu, que por ali passava, apaixonou-se por ela, invadiu a Ceto, petrificou os marinheiros e levou consigo Andrômeda, qu se tornou rainha de Tirinto.

Significados do mito Editar

A sensualidade perturbadora da imagem de Andrômeda, vulnerável na sua nudez, pregada em solo rugoso, cujo corpo admirável destina-se a ser despedaçado, e a injustiça de de um sacrifício atroz e imerecido conferem à imagem uma curiosa ambigüidade. Por que esse corpo nu, essa mutilação que a espera?

Ao que parece há um estádio mais primitivo do mito no qual a vítima é culpada e seu destino é uma punição. Na lenda palestina, a jovem associa-se à imagem de Afrodite, Istar ou Astarte. Seria uma imagem do desejo amoroso; sua nudez sedutora chamaria o homem ao amplexo. Para Perseu, há uma contrapartida antiga, Marduk, o deus que mata o monstro marinho Tiamat, mas esse monstro é uma emanação maléfica da mulher. Ele agrilhoa a mulher no rochedo para imitar seus malefícios. Dir-se-ia estar diante de uma imagem ambígua do feminino, tal como a imaginação masculina a concebe: por um lado, o quadro hipnotizante de uma beleza carnal impudicamente exposta que, incapaz de sair da sua ambientação, chama o hoem para si; por outro lado, o reverso da medalha, a figura monstruosa desse ímpeto sensual, da ameaça que a vocação heróica se arrisca a sofrer diante da sedução do langor nupcial.

A nudez de Andrômeda e o destino atroz que a espera se explicariam, pois, por esse fundo antigo: de demônia tentadora, ela se torna a virgem submissa - mas sempre nua e tentadora - e sua culpa é lançada sobre a mãe, culpada de presunção.

O esquema se repete em outros mitos da Antiguidade, como a libertação de Hesíona por Héracles, o épisódio de Cadmo e Harmonia, bem como em muitas lendas cristãs e medievais, como a de São Jorge e o dragão.

Corneille Editar

Na tragédia Andrômeda, de Corneille, a nudez é suprimida e Perseu, em vez das asas mágicas, recorre a Pégaso. A identidade do herói é temporariamente oculta; o nome do personagem misterioso só é revelado depois de sua chegada, em uma epifania característica do modelo heróico.

Com a fonte mitológica reduzida ao simples quadro de uma jovem agrilhoada à beira-mar, esperando, Corneille viu-se obrigado a enriquecer a ação. O primeiro ato mostra Vênus exigindo uma só vítima para o sacrifício, em lugar de inúmeras expiações e anunciando uma rivvalidade amorosa entre o desconhecido e Fineu. Só no sgundo ato Andrômeda sabe que é ela mesma a vítima escolhida.

Andrômeda, exposta (vestida), espera a morte com firmeza, mas Perseu, montado em Pégaso, liberta-a e mata o monstro. Para manter o interesse do espectador, o ato termina com uma retomada da ação. Netuno (Posêidon), furioso por um filho de Júpiter (Zeus) tê-lo desafiado em seu próprio império marinho, ameaça perturbar a festa, enquanto Fineu, enciumado, tenta matar Perseu, que escapa usando a cabeça da Medusa. Com Fineu morto, a ação ttermina em uma apoteose estrelada: Júpiter, Juno, Perseu, Netuno (reconciliado), Cassiopéia e Andrômeda brilham no céu pela eternidade.

A adaptação operística de Quinault, Perseu aumenta o número de personagens e a divisão dos papéis principais é equilibrada criando-se Mérope, uma jovem prometida ao herói. Disso resulta um imbroglio que complica a relação entre os dois homens e as duas mulheres: Andrômeda, que ama Perseu e é amada por ele; um rival, Fineu, que corteja a heroína; e uma rival, Mérope, que reclama o coração de Perseu. Também para enriquecer a trama, Quinault põe em cena episódios anteriores: a culpa de Cassiopéia e a decapitação de Medusa.

Influências sobre outras histórias Editar

O esquema de Perseu, Ceto e Andrômeda se repete em outros mitos da Antiguidade, como a libertação de Hesíona por Héracles e o épisódio de Cadmo e Harmonia. Também é retomado em muitas lendas cristãs e medievais, como a de São Jorge e o dragão e de quantos cavaleiros salvam suas damas em combate singular contra um dragão ou outro monstro - por exemplo, Rogério ao salvar Angélica montado no Hipogrifo -, e ainda em romances mais modernos, como o resgate de Mina Murray das garras de Drácula.

Mais recentemente, o tema foi retomado no filme Dragonslayer (1981) da Disney, no qual um dragão voador cobra um tributo periódico sob a forma de uma virgem escolhida por sorteio e a filha do rei acaba por ser escolhida, repetindo-se a cenda da jovem acorrentada a um rochedo, vestida por um leve vestido branco e coroada de flores, junto ao antro de onde saem rugidos terríveis, para ser resgatada pelo jovem herói que desafia o monstro.

Referências Editar

  • Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega, Vozes, Petrópolis 2000
  • Pierre Brunel, Dicionário de Mitos Literários. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.

Também no FANDOM

Wiki aleatória