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Antília

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Detalhe da carta de Pizzigano com as ilhas Antília e Satanazes

Antília (Antillia, em alguns mapas), Ilha das Sete Cidades ou Sept Citez é uma ilha lendária supostamente situada no Atlântico, segundo uma lenda portuguesa atestada pela primeira vez no século XV.

Etimologia Editar

A origem mais provável do nome Antilia seria a junção das palavras portuguesas “ante” e “illa”, forma arcaica de “ilha”. “Antillia” poderia se interpretar como “ilha oposta” ou “ilha anterior”, “ante insula” em latim. Seria reminiscência de uma ilha misteriosa do Oceano, nomeada por Aristóteles de “antiportmos” e por Ptolomeu de “aprositos”.

Humboldt sugeriu “Al-tin”, do arábe “dragão”, como origem do nome “Antilia”. As navegações muçulmanas no Atlântico são conhecidas e cosmógrafos árabes mencionavam uma ilha chamada Gezyret e Tennynn, Ilha das Serpentes ou dos Dragões. Em algumas cartas do século XIV e XV é figurada uma ilha perto da qual esta desenhado um homem sendo devorado por uma serpente.

S. E. Morison sugeriu outra origem; crê este autor que o nome deriva de uma série de corruptelas dos cartografos, a partir de “Getulia”, o nome clássico da região noroeste de África. O mapa Pizzigani, de 1367, continha uma inscrição no mar, ao largo de Portugal: “Aqui há estátuas que ficam em frente as praias de Atullia”, ou seja, “Getulia”, da qual se teria derivado o nome até chegar a forma “Antillia”.

A lenda original Editar

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Seção do mapa de Pizzigano: (1) Data 1424, Agosto 22 (2) Saya (3) Satanazes (4) Antília (5) Ymana (6) Portugal Continental

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Sobreposição das ilhas de Pizzigano a um mapa moderno

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Mapa de Bartolomeo Pareto, 1455

Segundo a lenda, Antília foi colonizada pelo Arcebispo do Porto, acompanhado de seis bispos e seus fiéis que fugiam da conquista moura da Península Ibérica em 714 ou 734. O arcebispo e cada um de seus bispos teriam fundado uma cidade, com os nomes de Aira, Anhuib, Ansalli, Ansesseli, Ansodi, Ansolli e Con. Cada cidade era governada por um bispo, e a tradição portuguesa fazia de Antília uma comunidade utópica, livre de desordens e cheia de riquezas.

Antília aparece na Carta Náutica de Zuanne Pizzigano de 1424, junto com as ilhas Satanazes, Saya e Ymana e volta a aparecer nos mapas do genovês B. Beccario or Beccaria (1435) e do veneziano Andrea Bianco (1436), e novamente em 1455 e 1476. Na maioria dos casos, é acompanhada pelas ilhas menores e igualmente legendárias de Royllo, St Atanagio, e Tanmar e todo o grupo é classificado como insulae de novo reportae, "ilhas recém-reportadas". Em geral, Antília é representada como uma ilha retangular com 80 por 20 léguas (444 por 111 km) de extensão e orientada no sentido norte-sul, 200 milhas a oeste dos Açores, com sete baías em forma de trevo, uma para cada cidade.

O florentino Paul Toscanelli, em suas cartas a Colombo e à corte portuguesa (1474), considera Antília como o marco mais importante para medir a distância de Lisboa à ilha de Cipango ou Zipangu (Japão). Segundo legenda no globo de Martin Behaim, feito em Nuremberg em 1492, “Quando corria o ano 714 depois de Cristo, a Ilha das Sete Cidades, acima figurada, foi povoada por um arcebispo do Porto em Portugal, com outros seis bispos e cristãos, homens e mulheres, os quais, tinham fugido de Espanha em barcos, e vieram com os seus animais e fortunas. Foi por acaso que no ano de 1414 um navio castelhano dela se aproximou”.

Contou-se também que em 1447 um português, empurrado por uma tempestade no Atlântico, teria desembarcado numa ilha desconhecida, onde encontra sete cidades, nas quais os seus habitantes falavam o português. Estes últimos teriam querido retê-lo, uma vez que não queriam manter nenhuns contactos com a sua antiga pátria, mas teria conseguido escapar, e regressado a Portugal, onde conta a D. Henrique as suas aventuras. O Navegador teria criticado fortemente o capitão por ter fugido sem ter obtido mais informações e o marinheiro, assustado, nunca mais foi visto.

Muitas expedições tentaram encontrá-la e Colombo foi aconselhado a fazer uma escala nessa ilha em seu caminho para a Ásia. Mas, depois que o descobridor voltou de sua expedição pioneira, Peter Martyr d'Anghiera, em 1493, supôs que Antília representava uma descoberta anterior das Índias Ocidentais (e mais especificamente Puerto Rico ou Trinidad). Por isso, as ilhas do Caribe ficaram conhecidas como "as Antilhas".

O mapa de Canerio de 1502, incluí a legenda “Antilhas del Rey de Castella”. Outro mapa (anônimo) da mesma época dá ao grupo de ilhas frente a América Central o nome contemporâneo de “Antilie”. Um mapa de cerca de 1518, por sua vez, incluí a inscrição: “Atilhas de Castela”. Um mapa catalão do século XV apresenta um grupo de ilhas a ocidente dos Açores, com diversos nomes, entre os quais uma com a denominação “Attiaela”.

Apesar disso, alguns mapas continuaram a mostrar Antília até 1587.

Antília nas Américas Editar

SeteCidadesPiaui

Vista das Sete Cidades, no Piauí

Depois dos descobrimentos, vários aventureiros tentaram encontrar nas Américas as "sete cidades" da lenda portuguesa, ou as identificaram com supostas ruínas, como as "Sete Cidades" do Piauí que, na verdade, são uma formação geológica natural sobre a qual, em muitos pontos, encontram-se pinturas rupestres indígenas, algumas delas muito antigas.

Entre 1534 e 1539, os colonizadores espanhóis do México relacionaram um boato sobre cidades e reinos ricos ao norte ao mito das Sete Cidades. Várias expedições procuraram as chamadas Sete Cidades de Cíbola ou Quivira no atual sudoeste dos EUA, até o atual Kansas. Na versão espanhola da lenda, as Sete Cidades teriam sido fundadas por sete bispos que deixaram Mérida, na Extremadura espanhola, em torno de 1150 (Mérida foi tomada pelos muçulmanos em 713, mas permaneceu como sé metropolitana do arcebispado da Espanha até 1193, quando esta foi transferida para Santiago de Compostela. Foi reconquistada pelo rei cristão Alfonso IX de León em 1230).

Em 1986, o médico português Manuel Luciano da Silva afirmou que Antília e suas vizinhas teriam sido as ilhas de Terra Nova, Nova Escócia e Príncipe Eduardo, no Canadá, o que supostamente seria uma prova de que as navegações portuguesas teriam chegado muito antes às Américas.

Em 2006, o arquiteto canadense Paul Chiasson publicou The Island of Seven Cities, afirmando que Antília teria sido a ilha canadense de Cabo Bretão, que teria sido colonizada por marinheiros chineses que circunavegaram a África e atravessaram o Atlântico, alguns dos quais seriam cristãos nestorianos. O argumento é baseado em um suposto sítio arqueológico, depois identificado por arqueólogos profissionais como uma clareira aberta no século XX com o intuito de impedir o alastramento do fogo em caso de incêndio e uma estrada construída em uma década de 1980, além de supostas similaridades culturais entre os nativos Mi'kmaq das províncias marítimas do Canadá e Nova Inglaterra com os chineses.

Antília como uma terra desaparecida Editar

Antillia

Atlântida e Antília, segundo Lewis Spence

Em 1924, o mitólogo escocês Lewis Spence publicou O Problema da Atlântida, no qual quis provar que tanto as civilizações do Velho Mundo quanto as do Novo Mundo haviam sido fundadas por atlantes, segundo as seguintes teses:

  1. Um grande continente ocupou outrora toda ou a maior parte do Atlântico Norte e uma parte considerável do Sul, passando por muitas modificações, submersões e reaparecimentos ao longo das eras.
  2. No mioceno (de 23,03 milhões a 5,33 milhões de anos atrás) ainda mantinha a estrutura de continente, mas começava a desintegrar-se devido a erupções vulcânicas e outras causas.
  3. Esta desintegração deu origem a várias ilhas. Duas delas, de tamanho maior, situavam-se uma a pequena distância do Mediterrâneo, outra perto das Antilhas, interligadas por uma cadeia insular.
  4. Estas duas ilhas-continente e a cadeia entre elas continuou até cerca de 23 mil a.C., quando houve uma desintegração maior. A catástrofe final atingiu a ilha do leste, a Atlântida propriamente dita, em 9.600 a.C. A ilha do oeste, que ele chamou de Antília, sobreviveu até período mais recente e continuou a existir de forma fragmentada no arquipélago das Antilhas. A tradição sobre sua existência, ainda real na Antiguidade grega, teria sido conservada e expressa nos mapas portugueses da Renascença.

A hipótese de Antília procurava dar conta de que as civilizações do Novo Mundo haviam surgido em data bem mais recente do que a suposta destruição de Atlântida. Antília teria recebido refugiados de Atlântida ao mesmo tempo que o Velho Mundo e teria desenvolvido uma civilização relativamente avançada antes que afundasse por sua vez. Os fundadores das civilizações americanas (que Spence erroneamente supunha surgidas de repente, com arte, arquitetura e escrita plenamente desenvolvidas), teriam partido para o Iucatã por volta de 200 a.C., quando Antília afundou, o que explicaria a lenda de Quetzalcóatl como um estrangeiro barbudo chefiando civilizadores vestidos de negro. Teriam levado o uso dos cocares aos índios das planícies.

Para mais detalhes, veja Atlântida de 1900 a 1950.

Antília nos Açores Editar

Muitas tradições do folclore açoriano combinam aspectos da paisagem das ilhas com as lendas sobre Antília e outras ilhas encantadas, inclusive o mito de Atlântida.

Segundo a lenda dos Açores, a ilha encantada só pode ser avistada por volta do dia de São João (24 de junho). Nesse período é freqüente o avistamento de ilhas desconhecidas a pontuar o horizonte insular, na realidade bancos de nevoeiro (os temidos nevoeiros do São João que levam ao encerramento dos aeroportos por dias seguidos) e nuvens distantes a emergir do horizonte.

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Mapa da Ilha de São Miguel, Açores

Outra tradição portuguesa identifica Antília com a ilha de São Miguel, dos Açores, onde sete aldeias em torno de dois lagos gêmeos, formados nas crateras de um vulcão extinto, são conhecidas como "as sete cidades".

Essa e outras lendas açorianas são citadas em Açores, Lendas e Outras Histórias de Ângela Furtado-Brum, Ribeiro & Caravana Editores, 2ª edição/Dezembro de 1999.

A Princesa e o Pastor Editar

Lagoasgemeas

Lagoas gêmeas das Sete Cidades, São Miguel. Foto de Maria Teresa Neves Barcelos

Uma lenda contada nos Açores diz que existiu, onde hoje fica a freguesia das Sete Cidades, um reino próspero com uma princesa muito jovem, bela e bondosa, que crescia cada dia em tamanho, gentileza e formosura. A princesa adorava a vida campestre e frequentemente passeava pelos campos, deliciando-se com o murmurar das ribeiras ou com a beleza verdejante dos montes e vales.

Um dia, a princesa de lindos olhos azuis, durante o seu passeio, foi dar a um prado viçoso onde pastava um rebanho. À sombra da ramagem de uma árvore deparou com o pastor de olhos verdes. Falaram dos animais e de outras coisas simples, mas belas e ficaram logo apaixonados. Nos dias e semanas seguintes encontraram-se sempre no mesmo local, à sombra da velha árvore e o amor foi crescendo de tal forma que trocaram juras de amor eterno.

Porém, a notícia dos encontros entre a princesa e o pastor chegou ao conhecimento do rei, que desejava ver a filha casada com um dos príncipes dos reinos vizinhos e logo a proibiu de voltar a ver o pastor. A princesa, sabendo que a palavra do rei não volta atrás, acatou a decisão, mas pediu que lhe permitisse mais um encontro com o pastor do vale. O rei acedeu ao pedido.

Encontraram-se pela última vez sob a sombra da velha árvore e falaram longamente do seu amor e da sua separação. Enquanto falavam, choravam e tanto choraram que as lágrimas dos olhos azuis da princesa foram caindo no chão e formaram uma lagoa azul. As lágrimas caídas dos olhos do pastor eram tantas e tão sentidas que formaram uma mansa lagoa de águas verdes, tão verdes como os seus olhos.

Separaram-se, mas as duas lagoas formadas por lágrimas, ficaram para sempre unidas e são chamadas de Lagoas das Sete Cidades. Uma é a Lagoa Azul, a outra é a Lagoa Verde e em dias de sol as suas cores são mais intensas e refletem o olhar brilhante da princesa e do pastor enamorados.

A Bela Eufêmia Editar

Eufêmia era uma das quinze filhas do rei Atlas e neta do deus Júpiter. Como jovem muito boa e de beleza invulgar inspirou os mais afamados estatuários do seu tempo e enamorou os dez filhos do rei Netuno.

Eufêmia, possuindo uma grande elevação de espírito, desprezou a condição terrena que lhe ofereciam e preferiu tornar-se uma estrela da constelação das “Myades”, suas irmãs. Mesmo assim, continuou a apreciar o bem e a doutrina pregada por Jesus foi-lhe transmitida por um Querubim, que lhe pôs na alma o desejo de voltar à terra para espalhar a paz e a harmonia.

O desejo de Eufêmia acabou por realizar-se e veio habitar na ilha das Sete Cidades, onde foi tomada e amada como filha de um riquíssimo príncipe, mantendo-se jovem, bela e bondosa.

A presença benfazeja de Eufêmia fez-se sentir logo que chegou à terra. Nos banquetes os convivas eram deliciados com música de cítaras e flautas e comiam-se as mais divinas iguarias. A partir de então o sofrimento e a miséria desapareceram dessa ilha de encanto e passou a dominar a alegria e a paz.

Num dia calmo de outono, no dia de São Cosme, famoso médico árabe e patrono dos médicos, Eufêmia apareceu metamorfoseada numa planta. Dessa planta, que abunda nos matos da freguesia das Sete Cidades, se prepara um chá que é bálsamo para todas as dores e que tem o condão de defender as pessoas de todos os infortúnios.

Já passaram quase dois mil anos desde que Eufémia se estabeleceu na terra, mas ainda continua espalhando o bem e é por isso que a paz impera nas Sete Cidades, em São Miguel, e quem aí vai não pode deixar de se sentir inebriado pela tranquilidade do ambiente paradisíaco.

O rei Brancopardo Editar

Há muitos, muitos anos atrás, havia um reino tão grande e florescente que o seu soberano, Brancopardo, não sabia ao certo o número dos seus vassalos, dos castelos, cidades e aldeias. Era a Atlântida. Apesar desta riqueza, o rei e a rainha Branca Rosa, que tinham sido muito felizes em tempos passados, viviam então muito tristes por não terem filhos. Brancopardo tornava-se cada dia mais vingativo e tratava muito mal os seus vassalos.

Uma noite em que o rei vagueava pelos jardins do palácio com a rainha teve uma visão que lhe falou assim:

- Rei da Atlântida, venho trazer-te a alegria. Em breve serás pai de uma filha linda e virtuosa, mas para que tenha fim a tua maldade, é preciso que nem tu nem homem nenhum se aproxime da princesa. Viverá dentro dos muros de sete maravilhosas cidades que eu erguerei no mais lindo recanto do teu reino e só donzelas a servirão. Presta atenção! Se antes dos vinte anos ousares transpor as muralhas das sete cidades, serás morto e um cataclismo arrasará o teu reino.

O rei, cheio de alegria, prometeu fazer tudo o que o anjo dissera e, passados nove meses, nasceu uma linda princesinha. Sem sequer a ter visto, o rei enviou-a para as Sete Cidades, cumprindo a exigência da visão. Os anos começaram a arrastar-se lentos e dolorosos para os pais separados da filha querida. A princesa Verde-Azul, rindo e cantando pelos jardins da cidade, rodeada de um cortejo de virgens, ia crescendo formosa e boa.

Branco Pardo consumia-se de saudades, tornava-se cada vez mais colérico e a ansiedade de ver a filha chegou ao ponto de não lhe caber no peito. Mandou aprontar um exército com os seus mais valorosos guerreiros e pôs-se a caminho para as Sete Cidades.

A viagem foi longa e, à medida que se aproximavam, o céu ia enegrecendo e ruídos estranhos iam saindo da terra. Mas o rei caminhava sempre, desvairado, até que surgiram, na escuridão trágica do dia, os muros das Sete Cidades.

Brancopardo, sombrio e perturbado, levantou a espada e com ela bateu pesadamente numa das portas. No momento em que o portão principal se abria, uma espécie de trovão roncou, um fogo intenso elevou-se da terra fendida e os muros abateram-se imediatamente sobre o rei, os seus vassalos e todas as virgens que viviam nas Sete Cidades. Um tremendo cataclismo vulcânico destruiu toda a Atlântida.

Por fim veio o silêncio, o sol brilhou outra vez e no mar viam-se nove pequenas ilhas. As Sete Cidades, onde a princesa vivia, transformaram-se numa cratera coberta por duas calmas lagoas: uma é verde porque no fundo ficaram os sapatinhos verdes da princesa; a outra é azul e reflete a cor do chapeuzinho que a princesa usava no seu passeio, quando foi morta pelo mau tino do pai, o rei da Atlântida.

A Estátua da ilha do Corvo Editar

Acores

Arquipélago dos Açores

Existem relatos sobre a descoberta de uma estátua de pedra de uma figura humana a cavalo, com braço apontando o ocidente, no cume do vulcão da ilha do Corvo, nos Açores, no primeiro reconhecimento da ilha, no século XV. A estátua nunca mais foi vista, mas deu lugar a muitas especulações sobre presença de algum outro povo no arquipélago antes dos portugueses. No passado, geralmente se atribuiu a suposta estátua aos cartagineses; mais recentemente, tentou-se relacioná-la às especulações sobre viagens dos chineses ao Atlântico.

Damião de Góis assim descreveu a estátua em 1567:

Uma estátua de pedra posta sobre uma laje, que era um homem em cima de um cavalo em osso, e o homem vestido de uma capa de bedém, sem barrete, com uma mão na crina do cavalo, e o braço direito estendido, e os dedos da mão encolhidos, salvo o dedo segundo, a que os latinos chamam índex, com que apontava contra o poente.
Esta imagem, que toda saía maciça da mesma laje, mandou el-rei D. Manuel tirar pelo natural, por um seu criado debuxador, que se chamava Duarte D'armas; e depois que viu o debuxo, mandou um homem engenhoso, natural da cidade do Porto, que andara muito em França e Itália, que fosse a esta ilha, para, com aparelhos que levou, tirar aquela antigualha; o qual quando dela tornou, disse a el-rei que a achara desfeita de uma tormenta, que fizera o inverno passado. Mas a verdade foi que a quebraram por mau azo; e trouxeram pedaços dela, a saber: a cabeça do homem e o braço direito com a mão, e uma perna, e a cabeça do cavalo, e uma mão que estava dobrada, e levantada, e um pedaço de uma perna; o que tudo esteve na guarda-roupa de el-rei alguns dias, mas o que depois se fez destas coisas, ou onde puseram, eu não o pude saber.

Damião de Góis refere ainda que o donatário Pêro da Fonseca, presente nas ilhas das Flores e do Corvo em 1529,

soube dos moradores que na rocha, abaixo donde estivera a estátua, estavam entalhadas na mesma pedra da rocha uma letras; e por o lugar ser perigoso para se poder ir onde o letreiro está, fez abaixar alguns homens por cordas bem atadas, os quais imprimiram as letras, que ainda a antiguidade de todo não tinha cegas, em cera que para isso levaram; contudo as que trouxeram impressas na cera eram já mui gastas, e quase sem forma, assim que por serem tais, ou porventura por na companhia não haver pessoa que tivesse conhecimento mais que de letras latinas, e este imperfeito, nem um dos que ali se achavam presentes soube dar razão, nem do que as letras diziam, nem ainda puderam conhecer que letras fossem.

Em 1590, em Saudades da Terra, o padre açoriano Gaspar Frutuoso voltou a citar o relato e acrescentar suas próprias especulações:

Um vulto de um homem de pedra, grande, que estava em pé sobre uma laje ou poio, e na laje estavam esculpidas umas letras, e outros dizem que tinha a mão estendida ao nor-nordeste, ou noroeste, como que apontava para a grande costa da Terra dos Bacalhaus [Terra Nova]; outros dizem que apontava para o sudoeste, como que mostrava as Índias de Castela [Antilhas] e a grande costa da América com dois dedos estendidos e nos mais, que tinha cerrados, estavam uma letras, ou caldéias ou hebréias ou gregas, ou doutras nações, que ninguém sabia ler, que diziam os daquele ilhéu e ilha das Flores dizerem: Jesus avante.

Os construtores teriam sido na sua opinião dos cartagineses pela viagem que eles para estas partes fizeram, ... e da vinda, que das Antilhas alguns tornassem, deixariam aquele padrão com as letras por marco e sinal do que atrás deixavam descoberto.

Em 1790, Johann Frans Podolyn, um numismata sueco, escreveu que tinha encontrado moedas cartaginesas na Ilha do Corvo, mas o seu rastro perdeu-se. Deixou desenhos e descrições pormenorizadas, mas poderiam ter sido feitas a partir de moedas encontradas nas colónias cartaginesas do Mediterrâneo.

Referências Editar

  • Wikipedia (em inglês): Antillia [1]
  • Wikipédia: Sete Cidades (lenda) [2]
  • Wikipédia: Estátua equestre do Corvo [3]
  • L. Sprague de Camp, Continentes Perdidos. Lisboa, Livros do Brasil, s/d
  • Portal Açores: Lagoa das Sete Cidades [4]
  • Lendas [5]
  • Lendas [6]

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