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Apolo

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Apollo ninfas
Apolo e as Ninfas, de François Girardon (1666-73), na Gruta de Apolo, em Versalhes
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Apolo Belvedere
Apolo do Belvedere, cópia em mármore de original em bronze de Leócares (350 a.C. - 325 a.C.)
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Apolocitaredo
Apolo Citaredo, do Museu Capitolino de Roma
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Apollo glyptotek
Apolo, com a lira e Píton, de Apolônio, 150 d.C.
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Apollo3
Apolo, de Dosso Dossi (1524)
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Na mitologia grega e romana, Apolo (em grego Ἀπόλλων, Apóllōn ou Ἀπέλλων, Apellōn), é um dos deuses mais importantes e com mais aspectos. Filho de Zeus e Leto, tem uma irmã gêmea, Ártemis. Os etruscos o chamavam Apulu. Seu epíteto mais usado, tanto por gregos quanto por romanos, é o de Febo (Phoebus, "brilhante").

Atribuições Editar

Ideal do kouros (jovem imberbe), Apolo foi considerado deus da luz e do sol; da verdade e da profecia, do tiro ao arco; medicina e cura; música, poesia e artes; e mais.

Como padroeiro de Delfos (Apolo Pítico), Apolo era um deus oracular, a divindade profética do Oráculo de Delfos. A medicina e a cura eram associadas com Apolo, diretamente ou por mediação de seu filho Asclépio. Apolo era visto como o deus que podia trazer a doença e pragas mortais, bem como o que tinha a capacidade de curá-las.

Entre outras atribuições, Apolo também estava associado ao domínio sobre colonos e como o padroeiro e defensor dos rebanhos. Como líder das Musas (Apolo Musageta) e diretor de seu coro, Apolo era padroeiro da música e da poesia. Hermes criou a lira para ele e o instrumento se tornou um atributo comum de Apolo. Os hinos a Apolo eram chamados peãs

Etimologia Editar

Ἀπόλλων, Apóllōn, deus de aparente origem oriental, não citado em grego micênico, não tem ainda uma etimologia satisfatória.

Como exemplos de etimologia popular, Platão, no Crátilo, relaciona seu nome ao grego ἀπόλυσις "redimir", com ἀπόλουσις "purificação" e com ἁπλοῦν "simples", especialmente em relação à forma tessália do nome, Ἄπλουν, e finalmente com Ἀει-βάλλων "sempre-atirando". Hesíquio o liga com o dórico ἄπελλα, ápella, ou ἁπέλλαι, apéllai, "assembleias do povo", onde Apolo, como inspirador, seria o "guia" ou "pastor" do povo, de modo que Apolo seria o deus da vida política e também dá a explicação σηκος ("aprisco"), que faria de Apolo o deus dos rebanhos. Mais tarde, os gregos também associaram seu nome com o verbo απολλυμι, apollymi, "destruir".

Como se trata de um deus de origem asiática, buscou-se uma aproximação com o hitita Appaliunas ("pai leão" ou "pai luz") ou o mesmo hitita hieroglífico Apulunas, mas nenhuma das formas é convincente. A forma lídia Pλdâns é pouco segura, uma vez que até a leitura da palavra é posta em dúvida.

Mais recentemente, sugeriu-se que o nome vem da divindade hurriana e hitita Aplu, amplamente evocada durante os "anos de pragas". Aplu, sugere-se, vem do acadiano Aplu Enlil, ou seja, "o filho de Enlil", título dado ao deus Nergal, ligado a Shamash, deus babilônio do sol.

Epítetos Editar

A Apolo, como a outras divindades gregas, eram aplicados muitos epítetos, refletindo a variedade de papéis, funções e outros aspectos que lhe eram atribuídos. Na literatura latina, apenas uns poucos são usados, sendo mais comum o de Febo, (Phoebus, "brilhante"), que era muito usado tanto por gregos quanto romanos para Apolo no papel de deus da luz.

No papel de Apolo como curandeiro, seus epítetos incluem Acésio (Akesios), Iatro (Iatros), Acestor, Alexicaco (Alexicacus, "repressor do mal") e Apotropeu (Apotropaeus, "que afasta o mal") e era referido pelos romanos como Averrunco (Averruncus, "evitador de males"). Como deus das pragas e defensor contra ratos e gafanhotos, Apolo era conhecido como Esminteu (Smintheus, "dos camundongos") e Parnópio (Parnopius, "gafanhoto"). Os romanos também o chamavam Apolo Culicário (Apollo Culicarius, "dos mosquitos"). Em seu aspecto curativo, os romanos se referiam a Apolo como Médico (Medicus) e um templo foi dedicado a Apollo Medicus em Roma, provavelmente perto do templo de Belona. Como deus-sol, era cultuado como Egletes (Aegletes, "radiante").

Como deus do tiro ao arco, Apolo era conhecido como Afétoro (Aphetoros, "deus do arco") e Argirotoxo (Argurotoxos, "do arco de prata")e os romanos o chamavam Articenente (Articenens, "porta-arco"). Como deus-pastor, era chamado Nômio (Nomios, "nômade"). Como protetor das estradas e lares era Agieu (Agyieus).

Apolo era também conhecido como Arquegeta (Archegetes, "condutor da fundação") e Clário (Klarios, do dórico klaros, "lote de terra"), por sua supervisão sobre a fundação de novas colônias.

Era também Delfínio (Delphinios, "do útero") e Pítio (Pythian), em associação com Delfos. Uma etiologia no mito homérico liga o primeiro epíteto a delfins. Cíntio (Kynthios), outro epíteto comum, vinha de seu nascimento no monte Cinto. Era também conhecido como Liceu (Lyceios ou Lykegenes), que tanto pode significar "lupino" quanto "da Lícia", o lugar de onde alguns supõem que se originou seu culto.

Como deus da profecia, Apolo era chamado Lóxias (Loxias, "obscuro"). Era também conhecido como Celíspice (Coelispex, "olha-céu") pelos romanos. Usava o epíteto Musageta (Musagetes) como líder das musas e Ninfegeta (Nymphegetes) como líder das ninfas.

Acésio (Acesius) era o epíteto do Apolo cultuado em Élis, onde tinha um templo na ágora e tem o mesmo significado que akestor e alezikakos, "evita o mal". Acréfio ou Acrefieu (Acraephius ou Acraephiaeus) era usado em Acréfia, na Beócia, supostamente fundada por seu filho Acrefeu. Actíaco (Actiacus) era seu epíteto em Actium, um de seus principais locais de culto.

Culto Editar

Apolo tinha dois locais de culto com ampla influência: Delos e Delfos. Na prática do culto, Apolo Délio e Apolo Pítico (o Apolo de Delfos) eram tão diferentes que podiam ter santuários distintos na mesma localidade.

Os Jogos Píticos eram celebrados em honra de Apolo a cada quatro anos, em Delfos.

Nomes teofóricos como Apolodoro ou Apolônio e cidades chamadas Apolônia eram encontrados por todo o mundo grego. O culto de Apolo estava já bem estabelecido quando surgem as primeiras fontes escritas por volta de 650 a.C.

Os rincipais festivais de Apolo eram a Boedromia, a Carneia, a Carpiae, a Daphnephoria, a Delia, a Hyacinthia, a Metageitnia, a Pyanepsia, a Pythia e a Thargelia.

Origem Editar

Há duas teses sobre a origem de Apolo: uma a deriva do Oriente, e a outra dos dórios e suas apéllai (também relacionadas ao mês Apellaios). Segundo W. Burkert, componentes de várias origens são discerníveis em seu culto: um grego dórico, um cretense-minoico e um sírio-hitita.

Segundo a primeira opinião, tanto o Apolo grego quanto o Apulu etrusco chegaram ao Egeu durante a Idade do Ferro (1100 a.C. - 800 a.C.) da Anatólia. Homero o descreve ao lado dos troianos, contra os aqueus, durante a guerra de Troia e o deus tem semelhanças com uma divindade lúvia, Apaliunas, que parece ter vindo de ainda mais longe a leste. Na Idade do Bronze Tardia (1700 a.C. - 1200 a.C.), o hitita e hurriano Aplu, assim como o Apolo homérico, era um deus das pragas e se assemelhava ao deus-camundongo Apolo Esminteu. Tem-se aqui uma situação apotropaica, na qual um deus que originalmente trazia a praga era invocada para terminá-la, fundindo-se com o tempo com o deus micênico da cura Péon, Paieon (PA-JA-WO em Linear B); Peã, Paean, na Ilíada de Homero, era o grego que curou os ferimentos de Ares e Hades. Em autores posteriores, a palavra tornou-se mero epíteto de Apolo enquanto deus da cura.

Homero descreveu o deus Péon, bem como a canção de agradecimento ou triunfo apotropaico peã e Hesíodo também separou os dois. Na poesia posterior, Péon era invocado independentemente como deus da cura. É igualmente difícil separar Peã ou Péon no senso de "curador" de Peã no senso de "canção".

Tais canções eram originalmente endereçadas a Apolo e, mais tarde, a outros deuses: Dionísio, Hélios e Asclépio. No século IV a.C., o peã tornou-se uma mera fórmula de adulação; seu propósito era implorar proteção contra a doença e o infortúnio, ou agradecer tal proteção depois de concedida. Foi dessa maneira que Apolo veio a ser reconhecido como deus da música. O papel de Apolo como matador da Píton levou a sua associação com batalha e vitória; assim, tornou-se costume romano o canto de uma peã por um exército em marcha e antes de entrar em batalha, quando uma frota deixava o porto e também depois de uma vitória.

Os laços de Apolo com oráculos também o associaram com o desejo de prever o desfecho de uma doença. Ele é um deus da música e da lira. A cura pertence a seu domínio, também como pai de Asclépio, o deus da medicina. As Musas são parte do seu cortejo, de modo que a música, a história, a poesia e a dança lhe pertencem.

Oráculos Editar

Apollo1
Apolo e a Sibila de Cumas, de Giovanni Domenico Cerrini (1609 - 1681)
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Os santuários oraculares de Apolo incluíram:

  • Delfos, onde a Pítia se enchia com o pneuma (espírito) de Apolo, que se dizia vir de uma fonte dentro do Adyton.
  • Delos, onde funcionava o oráculo do Apolo Délio, durante o verão. O Hieron (santuário) de Apolo adjacente ao Lago Sagrado era o lugar onde se dizia que o deus havia nascido.
  • Abas, Abae, na Fócida, de onde tomou o epíteto toponímico Abeu (Ἀπόλλων Ἀβαῖος, Apollon Abaios). Foi suficientemente importante para ser consultado por Creso (segundo Heródoto, 1.46).
  • Dídima, Didyma, na costa da Anatólia, a sudoeste da lídia (ou lúvia) Sárdis, na qual sacerdotes da linhagem dos Brânquidas recebiam inspiração bebendo de uma fonte curativa localizada no templo.
  • Hierápolis Bambice, Hierapolis Bambyce, atual Manbij, na Síria: segundo o tratado De Dea Syria, o santuário da Deusa Síria continha uma imagem vestida e barbada de Apolo. A adivinhação era baseada nos movimentos espontâneos dessa imagem.
  • Corinto: o Oráculo de Corinto vinha da cidade de Tênea, de prisioneiros supostamente feitos na Guerra de Troia.
  • Patara, na Lícia, onde havia um oráculo sazonal de Apolo no inverno, que se dizia ter lugar onde o deus chegou de Delos. Como em Delfos, o oráculo em Patara era uma mulher.
  • Claros, na costa oeste da Ásia Menor; como em Delfos, uma fonte sagrada emitia um pneuma e dela os sacerdotes bebiam.
  • Bassas, Bassae, no Peloponeso.
  • Segesta, na Sicília.

Alguns dos filhos de Apolo também tinham seus oráculos:

  • Oropo, ao norte de Atenas: oráculo de Anfiarau, dito filho de Apolo; Oropo também tinha uma fonte sagrada.
  • Lebadeia, 32 km a leste de Delfos: Trofônio, outro filho de Apolo, matou seu irmão e fugiu para a caverna onde foi mais tarde consultado como oráculo.

Iconografia Editar

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Apolo Hélios em mosaico romano de El Djem, Tunísia (final do século II d.C.)
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Os atributos mais comuns de Apolo são o arco e a flecha. Outros são a cítara, kithara (versão avançada da lira, mais comum), o plectro e a espada. Outro emblema comum era a trípode sacrificial, que representava seus poderes proféticos.

O loureiro era usado um sacrifícios expiatórios e para fazer a coroa da vitória nos Jogos Píticos, que homenageavam Apolo. A palmeira era também consagrada a Apolo porque ele nasceu debaixo de uma em Delos.

Os animais consagrados a Apolo incluem os lobos, os delfins, o cervo (Capreolus capreolus), cisnes, cigarras (simbolizando a música e a canção), gaviões, corvos, serpentes (referentes à sua função como deus da profecia), camundongos e grifos.

Na arte, Apolo é representado como um belo jovem imberbe, frequentemente com uma cítara (como Apolo Citaredo) ou arco na mão, ou reclinado em uma árvore (os tipos do Apolo Liceu e o Apolo Sauróctono).

O Apolo do Belvedere é uma escultura de mármore que foi redescoberta no final do século XV e que da Renascença ao século XIX epitomizou os ideais da Antiguidade Clássica para os europeus. Trata-se de uma cópia de um original em bronze do escultor grego Leócares, feito entre 350 a.C. e 325 a.C.

Apolo Hélios era identificado por seu halo radiante. As convenções dessa representação, com a cabeça inclinada, lábios ligeiramente separados, olhos grandes, cabelo caindo em cachos sobre a nuca, haviam sido desenvolvidas no século III a.C. para representar Alexandre, o Grande. Assemelha-se às mais antigas representações de Cristo, sem barba e com halo.

Mitos Editar

Apollo2
Paisagem com Apolo Guardando os Rebanhos de Admeto, de Claude Lorrain (1645)
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  • Quando Hera descobriu que Leto estava grávida e Zeus era o pai, ela impediu a rival de parir no continente ou em qualquer ilha. Em suas buscas, Leto encontrou a recém-criada ilha flutuante de Delos, que não era continente nem ilha real, e ali deu à luz Ártemis e Apolo. Segundo diferentes versões, Ártemis nasceu primeiro e imediatamente ajudou no nascimento de Apolo, ou Ártemis nasceu um dia antes, na ilha de Ortígia e no dia seguinte ajudou Leto a cruzar o mar até Delos para dar nascimento a Apolo. Apolo nasceu no sétimo dia (ἡβδομαγενης) do mês Thargelion, segundo a tradição délica ou do mês Bysios, segundo a tradição délfica. O sétimo e o décimo-segundo dia do mês, dias da lua nova e da lua cheia, foram desde então consagrados a ele.
  • Hera enviara o dragão ctônico Píton para caçar e matar Leto, mas Apolo pediu a Hefestos por um arco e flechas para proteger a mãe. Depois de recebê-los, aos quatro dias de nascido, Apolo encurralou a serpente na gruta sagrada de Delfos, ao lado da fonte Castália, que emitia os vapores que faziam o Oráculo de Delfos emitir suas profecias. Teria, porém, de ser punido por isso, pois Píton era filha de Gaia.
  • Hera então enviou o gigante Títio para matar Leto. Desta vez, a irmã Ártemis ajudou Apolo a proteger sua ãe. Durante a batalha, Zeus por fim veio ajudá-los e lançou Títio ao Tártaro. Lá ele foi preso ao chão de pedra, cobrindo uma área de 9 acres (36 mil m²) e um par de abutres vem alimentar-se diariamente de seu fígado.
  • Quando Zeus fulminou Asclépio, filho de Apolo, com um relâmpago, por ter ressuscitado Hipólito dos mortos (roubando súditos de Hades e assim violando a lei de Têmis), Apolo, em vingança, matou os Ciclopes que haviam forjado o relâmpago para Zeus. Apolo ia ser banido para o Tártaro para sempre, mas Leto intercedeu e conseguiu que em vez disso ele fosse sentenciado a um ano de trabalhos forçados. Durante esse tempo, ele serviu como pastor ao rei Admeto de Feras, na Tessália. Admeto tratou bem a Apolo e em troca recebeu grandes benefícios. Apolo ajudou Admeto a conquistar Alceste, filha do rei Pélias e mais tarde convenceu as Moiras a deixar Admeto viver mais que o tempo devido, se outrem tomasse seu lugar. Quando chegou o momento de Admeto morrer, sseus pais, que ele supusera que de bom grado morreriam por ele, recusaram-se a cooperar. No lugar deles, Alceste tomou seu lugar, mas Héracles conseguiu persuadir Tânatos, o deus da morte, a devolvê-la ao mundo dos vivos.
  • Logo depois de nascer no monte Cilene, na Arcádia, o bebê Hermes escapou enquanto sua mãe Maia dormia e correu para a Tessália, onde Apolo apascentava o gado de Admeto. O pequeno Hermes roubou algumas de suas vacas e as levou a uma caverna nos bosques perto de Pilos, cobrindo suas pegadas. Na caverna, encontrou uma tartaruga e a matou, removendo então suas vísceras. Usou uma das tripas de uma das vacas e o casco da tartaruga e fez a primeira lira. Apolo foi reclamar a Maia que seu filho lhe roubara o gado, mas Hermes já havia retornado aos cobertores nos quais ela o embrulhara e a deusa recusou-se a acreditar na queixa de Apolo. Zeus interveio e, dizendo ter visto os eventos, ficou ao lado de Apolo. Hermes começou então a tocar música na lira que inventara. Apolo, deus da música, apaixonou-se pelo instrumento e propôs trocar o gado pela lira. Então, Apolo tornou-se o mestre da lira.
  • Durante a Guerra de Troia, Apolo atirou flechas infectadas com a praga no acampamento grego para vingar o insulto de Agamêmnon a Crises, sacerdote de Apolo, cuja filha Criseida fora capturada. Apolo exigiu que ela fosse devolvida e os aqueus o satisfizeram, indiretamente causando a ira de Aquiles, tema da Ilíada, pois Agamêmnon ficou em troca com Briseida, que havia sido prometida ao herói.
  • Ainda na Ilíada, quando Diomedes fere Eneias, filho de Afrodite, a deusa tenta resgatá-lo, mas Diomedes a fere. Eneias é então envolvido numa nuvem por Apolo, que o leva a Pérgamo, um lugar sagrado em Troia.
  • Apolo ajuda Párias a matar Aquiles guiando a flecha de seu arco ao calcanhar de Aquiles. Supõe-se que Apolo vingou com isso o sacrilégio de Aquiles ao matar Troilo, filho de Apolo e Hécuba, no próprio altar do templo de Apolo.
  • Níobe, rainha de Tebas e esposa de Anfião, gabou-se de ser superior a Leto porque teve quatorze filhos (Nióbidas), sete homens e sete mulheres, enquanto Leto tivera apenas dois. Apolo matou os filhos quando praticavam atletismo e Ártemis as filhas, usando flechas envenenadas. Segundo algumas versões, um ou dois Nióbidas foram poupados (geralmente Clóris e um irmão). Anfião, ao ver os filhos mortos, matou a si mesmo ou foi morto por Apolo depois de jurar vingança. Devastada, Níobe fugiu para o monte Sípilo, na Ásia Menor, e transformou-se em pedra enquanto chorava. Suas lágrimas formaram o rio Aqueloo. Zeus petrificou o povo de Tebas de maneira que ninguém enterrasse os Nióbidas até o nono dia após sua morte, quando os próprios deuses os sepultaram.
  • Certa vez, ousou comparar sua música com a de Apolo e o desafiou a um concurso. Tmolo, o deus-montanha, foi escolhido como árbitro. Pã tocou sua flauta e sua rústica melodia satisfez a si mesmo e a seu fiel seguidor, Midas, que estava presente. Então Apolo tocou sua lira e Tmolo lhe deu a vitória. Todos concordaram com seu julgamento, exceto Midas, que o considerou injusto. Apolo, para não sofrer mais insultos daquele par de ouvidos degenerados, os transformou em orelhas de burro.
  • Mársias era um sátiro que também desafiou Apolo a um concurso de música, sendo que o vencedor poderia fazer o que quisesse com o derrotado. O sátiro encontrara no chão um aulos, jogado fora depois de inventado por Atena porque lhe inflava as bochechas, deixando-a com uma aparência ridícula. O concurso foi arbitrado pelas Musas. Depois que cada um executou sua melodia, foram considerados equivalentes, mas então Apolo decretou que ambos deveriam tocar e cantar ao mesmo tempo. Isso era fácil a Apolo, mas impossível a Mársias e por isso Apolo foi declarado vencedor. Apolo então esfolou Mársias vivo em uma caverna perto de Celaenae na Frígia por sua húbris em desafiar um deus e então pregou a pele de Mársias em um pinheiro róximo. O sangue de Mársias transformouse no rio do mesmo nome.
  • Segundo uma variante, Apolo tocou seu instrumento de cabeça para baixo e, como Mársias não pôde fazer isso com seu instrumento, Apolo o pendurou em uma árvore e o esfolou vivo.
  • Apolo participou também de um concurso de lira com Ciniras, seu filho, que cometeu suicídio quando perdeu.
  • Por meio do Oráculo de Delfos, Apolo deu a Orestes a ordem de matar sua mãe Clitemnestra e seu amante Egisto. Orestes foi ferozmente punido pelas Erínias por esse crime e pediu a intervenção de Atena, que decretou que ele seria julgado por um júri de seus pares e Apolo seria seu advogado.
  • Apolo matou os Alóadas quando eles tentaram invadir o monte Olimpo.
  • Apolo viajava nas costas de um cisne à terra dos Hiperbóreos durante os meses de inverno, um cisne que ele também deixou seu amado Jacinto montar.
  • Apolo transformou Cefisso em um monstro marinho.

Amantes e filhos Editar

Apolo coronis
Apolo e Corônis, de Adam El Sheimer (1607-08)
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  • Segundo Ovídio, Febo Apolo zombou do pequeno Cupido por brincar com uma arma mais apropriada para um homem. O pequeno deus vingou-se atirando simultaneamente uma flecha de ouro no deus e uma flecha de chumbo em Dafne, fazendo-o desejar a ninfa e ser rejeitado por ela. Depois de ser perseguida por Apolo, Dafne ora à Mãe Terra ou a seu pai, o deus-rio Peneu, para ajudá-la e transformá-la no loureiro, consagrado a Apolo.
  • Apolo teve um relacionamento com uma princesa humana chamada Leucoteia, filha de Orcamo e irmã de Clítia. Leucoteia amava Apolo, que se disfarçava na mãe de Leucoteia para entrar no quarto da amante. Clítia, que tinha inveja de Leucoteia e desejava Apolo para si, disse a verdade a Orcamo, traindo a confiança da irmã. Furioso, Orcamo ordenou que Leucoteia fosse queimada viva. Apolo recusou-se a perdoar Clítia por trair sua amada e a aflita Clítia murchou e lentamente morreu. Apolo a transformou no girassol, que segue o sol a cada dia.
  • Marpessa foi raptada por Idas, mas também era amada por Apolo. Zeus a fez escolher entre eles e ela ficou com Idas, dizendo que Apolo, sendo imortal se cansaria dela quando ela envelhecesse.
  • Castália, ninfa desejada por Apolo, fugiu dele mergulhando numa fonte em Delfos, junto à base do monte Parnasso, que então recebeu o seu nome. A fonte dessa água era sagrada; era usada para lavar o templo de Delfos e inspirar poetas.
  • Com Cirene, Apolo teve um filho chamado Aristeu, que se tornou o deus padroeiro do gado, árvores frutíferas, caça, pecuária e apicultura. Era também um herói cultural e ensinou a humanidade a ordenhar animais, bem como a usar redes e armadilhas na caça e cultivar oliveiras.
  • Com Hécuba, esposa do rei Príamo de Troia, Apolo teve um filho chamado Troilo. Um oráculo profetizou que Troia não seria derrotada se Troilo chegasse vivo aos vinte anos. Ele foi emboscado e morto por Aquiles.
  • Apolo também apaixonou-se por Cassandra, filha de Hécuba e Príamo e meia-irmã de Troilo. Para seduzi-la, ofereceu-lhe o dom da profecia, mas ela o rejeitou, mesmo assim. Furioso, Apolo deu-lhe a capacidade de ver o futuro, junto com a maldição pela qual ela poderia ver apenas as tragédias futuras e ninguém a acreditaria.
  • Corônis, filha de Flégias, rei dos Lápitas, era outra das amantes de Apolo. Grávida de Asclépio, Corônis apaixonou-se por Ísquis, filho de Élato. Um corvo informou Apolo do caso; o deus, sem lhe dar crédito, tornou negro o corvo que antes era branco, para puni-lo por espalhar mentiras. Quando descobriu a verdade, enviou sua irmã, Ártemis, para matar Corônis (ou, em outra versão, mata-a ele próprio), tornou o corvo sagrado e lhe deu a tarefa de anunciar mortes importantes. Apolo resgatou o bebê e o deu ao centauro Quíron para criar. Flégias, irado com a morte de sua filha, incendiou o templo de Apolo em Delfos e o deus o matou.
  • Em Íon, tragédia de Eurípides, Apolo é pai de Íon com Creusa, esposa de Xuto. Creusa abandona Íon para morrer num lugar ermo, mas Apolo pede a Hermes para salvar o bebê e levá-lo ao oráculo de Delfos, onde ele é criado por uma sacerdotisa.
  • Outra amante de Apolo foi Acanta, espírito do acanto. Depois de sua morte, Apolo a transformou em uma planta que ama o sol.

Amantes masculinos Editar

Death of Hyacinthos
A Morte de Jacinto, de Jean Broc (1801)
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Entre os deuses gregos, Apolo é o mais notado por seus relacionamentos homossexuais, o que é consistente com seu caráter de deus também da palaestra, o lugar de reunião para jogos atléticos onde todos competiam nus. Muitos dos amantes masculinos de Apolo morrem tragicamente em acidentes.

  • Jacinto (Hyacinthos), um dos amores de Apolo, era um príncipe espartano, belo e atlético. O par praticava arremesso de disco quando um disco lançado por Apolo foi desviado do rumo pelo ciumento Zéfiro e atingiu Jacinto na cabeça, matando-o instantaneamente. Apolo, cheio de dor e ira, transformou Zéfiro num vento de maneira que nunca mais pudesse tocar ou falar a alguém. Do sangue de Jacinto, Apolo criou a flor que recebeu seu nome, para lembrar a sua morte e suas lágrimas marcaram as pétalas com άί άί, um grito de dor. O Festival de Jacinto era uma celebração de Esparta.
  • Outro amante foi Ciparisso (Kyparissos), descendente de Héracles. Apolo lhe deu um cervo domesticado como animal de estimação, mas Ciparisso acidentalmente o matou com um dardo quando dormia debaixo de arbustos. Ciparisso pediu a Apolo para deixar suas lágrimas caírem para sempre. Apolo atendeu a seu pedido transformando-o na árvore que tem o mesmo nome em grego, o cipreste, visto como triste porque a seiva forma gotículas como lágrimas sobre o tronco.

Referências Editar

  • Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 2000.
  • Theoi: Apollo [1]
  • Wikipedia (em inglês): Apollo [2]

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