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Arruda

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Arruda

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Arruda (Ruta graveolens L)

A arruda, arruda doméstica ou arruda-dos-jardins (Ruta graveolens L, Ruta montana, Ruta sativa, Ruta hortensis, Ruta latifolia) é um subarbusto orginário do sul da Europa e muito cultivado nos jardins em todo o mundo. Atinge até um metro de altura, apresentando haste lenhosa, ramificada desde a base. As folhas são alternas, pecioladas, carnudas, glaucas, compostas, de até 15 cm de comprimento e possuem um odor característico. As flores são pequenas e amareladas. O fruto é capsular, de quatro ou cinco lobos, salientes e rugosos, abrindo-se superior e inteiramente em quatro ou cinco valvas.

Rue, em inglês e francês; ruta, em castelhano; weinraute, em alemão; ruta, em italiano. Possui diversas aplicações medicinais e seu uso remonta a tempos antigos. Sua grande adaptabilidade a regiões indiscriminadas favoreceu sua presença nas mais diversas regiões. Os romanos a utilizavam como fortificante em forma de tempero. Os gregos a empregavam como medicamento. Está citada na Bíblia e era cultivada na Palestina. É considerada a erva sagrada da Lituânia.


Propriedades mágicas Editar

A fama da arruda como erva protetora contribuiu para que se espalhasse pelo mundo. Atribuíam-lhe as virtudes de afastar feitiços e proteger contra as doenças e quebrantos ou mau-olhado. Tornou-se remédio para todos os males: la ruta ogni mala stuta, diz um provérbio italiano.

Na Idade Média, seus ramos eram utilizados como proteção contra as feiticeiras e também para a aspersão de água benta nas cerimônias católicas. Antes dos rituais de exorcismo, os possessos eram obrigados a ingerir um preparado à base da erva e vinho.

Em Hamlet, de William Shakespeare, Ofélia a oferece à rainha, dizendo: "Eis a arruda para vós e também para mim. Poderemos aos domingos chamá-la erva-da-graça; usareis o vosso ramo de arruda com uma diferença".

A arruda no Brasil Editar

A arruda atravessou os mares e chegou ao Brasil nos tempos coloniais, onde seu uso logo se difundiu. No século XIX, o viajante francês Jean-Baptiste Debret, em Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, resume as propriedades mágicas da erva:

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Vendedor de arruda, litografia de Jean-Baptiste Debret

"É a superstição que mantém em voga a erva de arruda, espécie de amuleto muito procurado e que se vende todas as manhãs nas ruas do Rio de Janeiro. Todas as mulheres da classe baixa, em que constituem as negras os cinco sextos, a consideram um preventivo contra os sortilégios, por isso têm sempre o cuidado de carregá-la nas pregas do turbante, nos cabelos, atrás da orelha e mesmo nas ventas. As mulheres brancas usam-na, em geral, escondida no seio. A acreditar-se na credulidade generalizada, essa planta, tomada como infusão, asseguraria a esterilidade e provocaria o aborto, triste reputação que aumenta consideravelmente a sua procura. Vêem-se comumente, nas ruas, negras com cestos de frutas à cabeça, exclamar, ao encontrarem uma vendedora que supõem sua inimiga: "Cruz, Ave Maria! Arruda!", colocando subitamente os dois índices sobre a boca. Para se resguardarem de um perigo iminente, elas dizem: "toma arruda, ela corrige tudo. Essa planta odorífera, de pequeninas folhas finas e compridas, e cujo tronco fibroso e ramalhudo ergue-se a três ou quatro pés de altura, cresce nos jardins, por assim dizer, sem cuidados, e vende-se a dez réis o galho, o que é suficiente para cinco ou seis pessoas. Usam-na com êxito sob forma de fumigação contra dores reumatismais, ou ainda como fricção, esquentando-se as folhas previamente sobre a brasa."

É ingrediente indispensável nos cultos afro-brasileiros. As figas da Guiné são preferencialmente feitas com o caule desse arbusto. O banho feito com a infusão de suas folhas afasta mau-olhado.

Referências Editar

  1. Carlos da Costa Pereira. "A arruda". Boletim da Comissão Catarinense de Folclore. Florianópolis, ano 4, nº 13/14, março de 1953, p.4-6 [1]
  2. Luís da Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954
  3. Botanical.com [2]
  4. Wikipedia (em iglês) [3]

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