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Astreu (do grego Ἀστραῖος, Astraios, "Estelar"), filho de Crio e Euríbia, era o titã das estrelas, dos planetas e da astrologia. De acordo com a Teogonia de Hesíodo, Astreu uniu-se a Eos e foi pai dos Ânemos (Deuses-ventos) e dos Astras (Deuses-estrelas), visto que a chegada dos ventos era anunciada pelo aparecimento de certas constelações. Uma dessas filhas, chamada Astreia, era a deusa da constelação da Virgem.

O pseudo-Higino lista também Astreu como um dos gigantes, filho de Tártaro e Gaia, que lutou na Gigantomaquia, possivelmente confundindo-a com a Titanomaquia.

Etimologia Editar

Ἀστραῖος é a substantivação do adjetivo ἁστραῖος, astraios, derivado de ἁστήρ, astêr, "astro". É mais encontrado no plural com valor de coletivo, ἄστρα, ástra, "astros, constelações". O singular ἄστρον não aparece em Homero e é raro em gego clássico. O elemento radical *ster é atestado em céltico, germânico e tocariano e o elemento *stel o é em avéstico, sânscrito e latim, como stella, "estrela" ou "estrela cadente".

Mitos Editar

Na Dionisiaca de Higino, Astreu tem um importante papel como astrólogo dos deuses, numa cena que também sugere como se dava uma consulta astrológica em seu tempo (século V d.C.):

Todos que moravam no Olimpo foram golpeados pelo mesmo relâmpago [do desejo] e cortejaram a filha divina de Deo [Perséfone, filha de Deméter]... Então Deo perdeu o brilho de seu rosto rosado, seu grande coração foi torturado por amarguras... Apressou-se com pés rápidos à casa de Astreu, o deus da profecia; seu cabelo fluiu para trás, despenteado e seus cachos foram agitados por ventos intermitentes. Eósforo a viu e a anunciou ao velho Astreu, que se ergueu. Cobrira a superfície de uma mesa com pó escuro [o equivalente antigo de um quadro-negro], onde desenhara em linhas seguidas um círculo com as pernas de seu compasso, dentro do qual inscreveu um quadrado de cinzas escuras e outra figura com três lados e ângulos iguais. Deixou tudo isso, levantou-se e foi encontrar Deméter. Enquanto se apressavam pelo salão, Héspero conduziu Deo a uma cadeira ao lado do assento do seu pai; com afeição igual os Aetas [Deuses-ventos], filhos de Astreu, deram boas-vindas à deusa com refrescantes taças de néctar já misturado na cratera. Mas Deo recusou a bebida, pois já estava atordoada com o problema de Perséfone: pais de um filho único sempre tremem por seus filhos amados.
Mas Astreu tinha palavras doces, que traziam a encantadora Peito [persuasão], e com muito esforço persuadiu Deo a consentir enquanto ainda negava. Então o antigo preparou um grande banquete para dissipar as angústias do coração de Deméter. Os quatro Aetas pusera aventais em volta de suas cinturas para atender à mesa do seu pai. Euro [vento leste] levou as taças à cratera e as encheu de néctar, Notos [vento sul] encheu seu jarro de água fresca para a refeição, Bóreas [vento norte] trouxe a ambrosia e a serviu à mesa, Zéfiro [vento oeste] tocou flauta e fez uma música sobre os caniços da primavera - efeminado Aeta este! Eósforo trançou ramalhetes e guirlandas com flores ainda úmidas de orvalho; Héspero prendeu ao alto a tocha que leva para iluminar a noite e girou em torno da mesa com pés dançarinos enquanto lançava alto sua perna curvada, pois ele é a escolta dos Erotes [amores] e tem muita prática nos floreados da dança nupcial.
Após o banquete, assim que a deusa se satisfez com a dança, livrou-se da pesada carga das enlouquecedoras preocupações e inquiriu sobre a arte do vidente. Pôs a mão esquerda nos joelhos do amável ancião, e com sua direita tocou em súplica sua barba longa e flutuante. Contou-lhe de todos os cortejadores de sua filha e pediu por um oráculo que a confortasse; pois suas adivinhações poderiam lhe afastar as ansiedades e trariam esperanças.
O velho Astreu não se recusou. Perguntou sobre os detalhes do dia em que sua filha única nascera, a hora exata e o verdadeiro curso da estação em que deu seu nascimento; então curvou os dedos de giro de suas mãos e mediu o círculo móvel de mão para mão em dupla troca [contando nos dedos o número de dias na vida dela]. Chamou um empregado, e Astério trouxe uma esfera redonda e giratória, a forma do céu, a imagem do universo, e colocou-a sobre a tampa de uma caixa. Então, o ancião começou a trabalhar. Girou a esfera sobre seu eixo, e olhou em torno do círculo do zodíaco, examinando nesse lugar as posições dos planetas e das estrelas fixas. Fez girar o pólo com um impulso, e o céu artificial rapidamente girou e girou com um movimento contínuo, carregando as estrelas em torno do eixo que lhe atravessava o meio. Observando todo o círculo da esfera num relance, a divindade viu que Selene, a lua, estava cheia ao cruzar a curva de sua conjunção, e que Fáeton, o Sol estava no meio do caminho, oposto a Mene, a lua, movendo-se em seu ponto central sob a terra; um pontudo cone de escuridão rastejava da terra para o ar oposto ao Sol e escondia a lua inteira. Então, tendo ouvido sobre os rivais por amor matrimonial, examinou especialmente Ares [planeta Marte], e observou o ladrão de esposas sobre a casa do pôr-do-sol, junto com a estrela vespertina da Cípria [planeta Vênus]. Encontrou a parte chamada Parte dos Pais sob a estrelada espiga de trigo da Virgem [Astreia]; e perto da espiga a clara estrela do Crônida [planeta Júpiter], pai da chuva.
Quando viu tudo e examinou todo o circuito das estrelas, guardou a esfera giratória em sua caixa espaçosa, a esfera com sua superfície curiosa; e para responder à deusa emitiu um triplo oráculo de som profético:
- Amorosa mãe Deméter, quando os raios da lua forem roubados sob um cone de sombra e sua luz se for, protege Perefoneia [Perséfone] de um ladrão de noivas, um raptor secreto de tua menina imaculada, se as linhas das Moiras puderem ser persuadidas. Verás antes do casamento um falso e secreto amante chegar de improviso, um meio-monstro de mente astuta: pois percebo na ponta ocidental Ares, o ladrão de esposas, andar com a Páfia [o planeta Vênus] e vejo o Dragão levantar-se ao lado de ambos. Mas eu te proclamo a mais feliz: pois serás conhecida por teus frutos gloriosos nos quatro quadrantes do universo, pois farás nascer frutos do solo estéril; visto que a virgem Astreia estende suas mãos cheias de cereais para a Parte destinada aos pais da tua menina.
Dito isto, ele deixou a voz misteriosa dormir em sua boca.

Referências Editar

  • Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 2000.
  • Theoi: Astraeus [1]

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