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Atena

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O Combate de Marte e Minerva, Jacques-Louis David (1771)

Atena ou Atená (do grego Ἀθηνᾶ, Athēnâ, ou Ἀθήνη, Athḗnē), chamada pelos dóricos Ἀσάνα, Asána, é a deusa grega da bravura, da sabedoria e dos trabalhos femininos, cujo nome pode estar relacionado com o proto-indo-europeu *atta, "mãe". Os romanos a sincretizaram com sua deusa Minerva. Sua ave predileta era a coruja, simbolo de reflexão que domina as trevas e sua árvore favorita era a oliveira. Era descrita como alta, de traços serenos, mais solene e majestosa que bela. Era sempre descrita como de olhos garços (de cor clara, azul, verde ou cinzenta), característica considerada fisicamente pouco atraente por gregos e romanos.

Uma tabuinha em linear B, datando de 1500 a.C., menciona uma Atana potinija, antecipando-se em sete séculos à pótnia Athênaíê ("Atena Soberana") de Homero e sugerindo que ela era já a senhora das cidades em cuja Acrópole figurasse o seu Paládio.

O nascimento de Atena Editar

GoltziusMinerva

Minerva, de Hendrick Goltzius (1611)

Segundo a versão mais conhecida do mito, narrada por Hesíodo e enriquecida por detalhes acrescentados por Píndaro e Estesícoro, Zeus estava em guerra com os Gigantes, quando sua primeira esposa, Métis, ficou grávida. A conselho de Urano e Gaia, o senhor do Olimpo a engoliu pois, segundo a predição de seus avós se Métis tivesse uma filha e esta um filho, o neto arrebataria de Zeus o poder supremo.

Completado o período de gestação, Zeus começou a ter uma dor de cabeça que por pouco não o enlouquecia. Não sabendo de que se tratava, ordenou a Hefesto, o deus da forja, que lhe abrisse o crânio com um machado. Executada a operação, Atena saltou da cabeça do deus, vestida e armada com uma lança e a égide e dançando a pírrica, a dança de guerra dos gregos.

Tão logo saiu da cabeça do pai, Atena soltou um grito de guerra e se engajou a seu lado na luta contra os gigantes, matando a Palas e Encélado. O primeiro foi por ela escorchado e da pele do mesmo foi feita uma couraça. Quanto ao segundo, a deusa o esmagou, lançando-lhe em cima a Ilha de Sicília.

Nessa versão, o nascimento teria se dado às margens do lago Tritônis, na Líbia, o que explicaria um dos muitos epítetos da deusa: Tritogenéia.

Outras versões do mito dão Atena como filha de Posêidon e uma ninfa da Líbia chamada Tritônis. Segundo Heródoto, ela teria se zangado com o pai e ido a Zeus, que a adotou como sua própria filha. Apolodoro conta ainda que Tritão a educou junto com sua própria filha, Palas, que foi sua melhor amiga e companheira até que Atena a matou acidentalmente.

Outra versão faz Atena filha do próprio Palas, gigante alado que ela veio a matar por tentar violar sua castidade. Depois usou sua pele como égide e pôs as asas do gigante morto nos seus pés.

Palas e o Paládio Editar

O epíteto ritual Palas, aplicado a Atena, era atribuído, conforme diferentes versões, ao nome do gigante por ela derrotado na Gigantomaquia (pai da própria Atena, em certas versões), a uma jovem companheira da deusa morta acidentalmente pela mesma, ou a uma irmã ou irmã adotiva (em versões nas quais Tritão é pai ou padrasto de Atena). Fosse quem fosse Palas, Atena teria adotado seu nome (Παλλάς Άθήνη, Pallás Athênê) e fabricado, em seu nome, o Paládio.

O Paládio era uma pequena estátua de pé, com a rigidez de um xóanon, isto é, de um ídolo arcaico de madeira, ao qual se atribuía a virtude de garantir a integridade da cidade que o possuísse e lhe prestasse culto. Muitas pólis se vangloriavam de possuir um Paládio, sobre cuja origem miraculosa se teciam as mais variadas e incríveis histórias. O mais famoso era o de Atenas.

O paládio de Tróia, conta uma versão do mito, caíra do céu e era tão poderoso que, durante dez anos, defendeu a cidadela contra as investidas dos gregos. Foi preciso que Odisseu e Diomedes o subtraíssem, com a cumplicidade do silêncio de Helena, que os vira penetrar na fortaleza. Tróia, sem sua defesa mágica, foi facilmente vencida e destruída. Na Ilíada de Homero, entretanto, só se faz menção de uma estátua cultual da deusa, honrada em Tróia, mas sentada.

Outros epítetos Editar

Athena

Reconstrução da Atena Partenos, do Pártenon de Atenas

  • Atena Tritogenéia - "nascida da água", geralmente interpretada como referente ao suposto lugar de nascimento de Atena, o lago Tritônis.
  • Atena Poliás - "da cidade", equivalente a Palas Atena ou Pótnia Atena, a Atena do Paládio, protetora de várias pólis, incluindo Atenas, Argos, Esparta, Gortina, Lindos e Larisa.
  • Atena Partenos - "jovem" ou "virgem", cultuada principalmente na Acrópole, no famoso templo do Pártenon. A ela eram dedicadas as Panatenéias.
  • Atena Prômacos - "à frente da batalha", que lidera os exércitos na guerra.
  • Atena Apatúria - presidia à inscrição das crianças atenienses em sua respectiva fratria, nas Apatúrias. Eram uma festa jônica e ática, celebrada anualmente, em outubro, durante três dias. Nos dois primeiros, faziam-se sacrifícios e banquees e no terceiro, os pais apresentavam aos membros de sua fratria seus filhos legítimos, para que fossem regularmente inscritos na mesma. Só apos esse "registro religioso e civil" é que a criança passava política e religiosamente a ter um pai, isto é, "tais e tais crianças eram filhos de um mesmo pai". Após Sólon (século VI a.C.), uma fratria era composta de trinta famílias.
  • Atena Higéia - deusa das "boas condições de saúde" e da fertilidade dos campos. Era com este epíteto que ela se associava a Deméter e Core numa festa denominada Prokharistêria, "agradecimentos antecipado", que se celebrava no inverno, quando recomeçavam a brotar os grãos de trigo. Estava também ligada a Dioniso nas Oskhophória, quando solemnemente se levavam a Atena ramos de videira carregados de uvas numa procissão de um santuário de Dioniso em Atenas até um nicho da deusa em Falero. Dois jovens com longas vestes femininas encabeçavam a procissão, transportando um ramo de videira com as melhores uvas da safra.
  • Atena Ergane - "trabalhadora", presidia aos trabalhos das mulheres na confecção de suas próprias indumentárias, pois ela mesma tecera sua "túnica flexível e bordada", segundo a Ilíada. Associada a Hefesto e Prometeu, era invocada no bairro Cerâmico de Atenas como protetora dos artesãos. Na festa das Khalkeia, dos "trabalhadores em metal", duas ou quatro meninas, denominadas Arréforas, com o auxílio das "trabalhadoras" de Atena, iniciavam a confecção do peplo sagrado que, nove meses depois, nas Panatenéias, deveria cobrir a estátua da deusa, substituindo o do ano anterior.
  • Atena Hípia - "do cavalo", tida como inventora do carro de guerra e da quadriga, era cultuada em Atenas, Tegéia e Olímpia. Nessa qualidade, era considerada filha de Posêidon e da oceânida Polife.

Panatenéias Editar

Sandro Botticelli 063

Minerva e o Centauro, de Sandro Botticelli (1482-83)

A maior e mais solene das festas de Atena eram as Panatenéias, das quais participava toda Atenas, cuja instituição era atribuída aos três maiores heróis míticos da cidade: Erictônio, Erecteu ou Teseu.

A comemoração foi originalmente anual, mas a partir de 566-565 a.C., tornou-se pententérico, ou seja, realizada de cinco em cinco anos.

Um banquete público, que reunia simbolicamente todos os membros da pólis, dava início à grande festa. Seguiam-se os jogos agonísticos, cujos vencedores recebiam como prêmio ânforas cheias de azeite das oliveiras sagradas de Atena. Havia ainda corridas de quadrkjkkiigas e um concurso de pírricas, danças guerreiras.

Precedendo a solenidade maior, realizava-se a Lampadedromia, "corrida com fachos acesos", quando se transportava o fogo sagrado de Atena dos jardins de Academo até um altar na Acrópole. As dez tribos atenienses participavam com seus atletas.

O episódio central era, no entanto, a pompé, gigantesca procissão, esculpida por Fídias no friso do Pártenon. A cidade toda participava dessa solenidade, inclusive homens com suas armas de guerra e, à época de Fídias, a cavalaria, que acabava de ser reorganizada. A monumental procissão saía das ruas centrais da cidade e chegava à Acrópole, onde se faziam múltiplos sacrifícios sobre os vários altares da deusa ali existentes: Atena Higéia, Atena Nike, Atena Polias...

O rito final era a entrega solene, no interior do santuário, do novo peplo, que representava a vitória dos deuses olímpicos sobre os filhos de Gaia. A deusa, durante toda essa solenidade, cercada de uma guarda de honra, figurava sobre o carro de triunfo, uma vez que fora ela, juntamente com seu pai Zeus, a artífice da vitória que marcou a instituição de uma ordem definitiva e a suupremacia da pólis dos homens sobre o Caos primordial.


Mitos de Atena Editar

  • Segundo o pseudo-Apolodoro, Atena foi criada por Tritão, que tinha uma filha chamada Palas. Ambas as moças cultivaram a vida militar que uma vez os conduziu a uma briga. Quando Palas estava a ponto de dar um golpe em Atena, Zeus caprichosamente pôs a égide em sua frente, de forma que ela olhou para cima se proteger, foi ferida por Atena e morreu. Extremamente entristecida pelo que tinha acontecido a Palas, Atena fez uma imagem madeira da companheira e ao redor de seu peito prendeu a égide que a havia assustado, pôs essa estátua ao lado da imagem de Zeus e a honrou. Mais tarde, Electra, depois de ser seduzida, buscou refúgio junto a essa estátua, o Paládio, e Zeus levou tanto a ela quanto à estátua para Ílion (Tróia).
Hephathena

Atena despreza os avanços de Hefesto, de Paris Bordone (1555-1560)

  • Atena foi à forja de Hefesto encomendar-lhe armas e o deus, abandonado por Afrodite, inflamou-se de desejo por Atena e a prendeu em seus braços. Ela fugiu, mas Hefesto, apesar de coxo, a alcançou e agarrou. Atena se defendeu, mas na luta o sêmen do deus lhe caiu numa das pernas. Atena limpou-se com um chumaço de lã que jogou no chão. O sêmen de Hefesto fecundou Gaia, que então deu à luz um menino chamado Erictônio. Atena recolheu-o, fechou-o numa arca e o confiou às filhas de Cécrope, rei da Ática. Apesar da proibição da deusa, as jovens princesas, Aglauro, Herse e Pândroso, abriram a arca e fugiram apavoradas, pois dentro dele havia uma criança que, da cintura para baixo, era uma serpente. As três irmãs enlouqueceram e jogaram-se do alto da Acrópole. A partir de então, Atena encarregou-se de educar "seu" filho no recinto sagrado da Acrópole. Quando este atingiu a maturidade, Cécrope entregou-lhe o poder.
  • Quando os deuses se apoderavam das cidades que deveriam lhe prestar culto especial, Posêidon foi o primeiro a chegar na Ática e dela tomou posse com um golpe de tridente no meio da Acrópole, que criou o "mar de Erecteis" (nome de uma das três tribos originais da Ática), uma fonte de água salgada que nascia no Erecteion, templo dedicado a Erecteu. Atena chegou em seguida e plantou uma oliveira que, nos tempos clássicos, era ainda mostrada no pátio do Pandrosion, um pequeno templo ao lado, dedicado a Pândroso, filha de Cécrope. Atena e Posêidon lutaram pelo privilégio de serem os padroeiros da Ática e Zeus interveio, nomeando árbitros: Cécrope e Cranaus, segundo uma versão, Erisícton, segundo outra, ou os doze deuses do Olimpo, segundo uma terceira. Atena foi declarada vencedora graças ao testemunho de Cécrope, que viu que ela havia sido a primeira a plantar a oliveira e a cidade recebeu o nome de Atenas. Posêidon, furioso, inundou a planície Triásia.
  • Segundo os atenienses, Atena inventou o diaulo (flauta dupla) com os ossos de um veado durante um banquete dos deuses e pôs-se imediatamente a tocá-la, o que provocou comentários chistosos de Hera e Afrodite, pelas bochechas que ficavam inchadas. Atena, contrariada, foi à Frígia, contemplou-se no reflexo das águas de uma fonte cristalina e horrorizada, concluiu que elas tinham razão. Lançou bem longe o diaulo e o amaldiçoou, mas a invenção foi recolhida pelo sátiro Mársias.

Referências Editar

  • Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega, Vozes, Petrópolis 2000.
  • Theoi: Athene [1]
  • Wikipedia (em inglês): Athena [2]

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