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Baphomet é um nome citado pela primeira vez nos autos da Inquisição dos Cavaleiros Templarios no século XIV. Induzidos pelos inquisidores e sob tortura, alguns cavaleiros disseram que adoravam um ídolo com esse nome, descrito ora como um crânio, ora como um gato, ora como uma cabeça com três rostos.

No século XIX, foi citado em teorias sobre conspirações satânicas, freqüentemente envolvendo a maçonaria e geralmente associado à imagem do "Bode Sabático" desenhado pelo ocultista Eliphas Lévi. Baphomet aparece como demônio no livro de James Blish O Dia depois do Juízo e o símbolo do bode no pentagrama invertido foi adotado como simbolo oficial da Igreja de Satã e continua a ser usado entre satanistas.

Etimologia Editar

Mais provavelmente, "Baphomet" é uma corruptela francesa antiga de Mahomet (Maomé ou Muhammad) ou do espanhol antigo Mafomat, mas outras teorias foram apresentadas:

  • Segundo o Dictionnaire de la langue française de Emile Littré (1801–1881), teria sido formado cabalisticamente escrevendo-se de trás para diante tem. o. h. p. ab como abreviação de templi omnium hominum pacis abbas, "abade do templo da paz de todos os homens". Sua fonte era "Abbé Constant", ou seja, Alphonse-Louis Constant, mais conhecido como Eliphas Lévi.
  • Idries Shah sugeriu que "Baphomet" poderia derivar do árabe ابو فهمة Abufihamat, ou seja, "O Pai do Entendimento", que também é uma expressão usada para descrever Maomé.
  • Dr Hugh J. Schonfield, um dos eruditos que estudou os Pergaminhos do Mar Morto, argumentou em seu livro A Odisséia dos Essênios que a palavra "Baphomet" teria sido criado com o código Atbash, que troca a primeira letra do alfabeto hebraico pela última, a segunda pela penúltima e assim por diante. "Baphomet" escrito em hebraico seria בפומת; o que, decodificado pelo Atbash, se tornaria שופיא, que pode ser interpretado como o grego Sophia, "sabedoria". Essa teoria tem um papel importante na trama de O Código Da Vinci.
  • O Rev. Alphonsus Joseph-Mary Augustus Montague Summers (1880–1948), compilador da História da Bruxaria e da Demonologia (1926) e da Geografia da Bruxaria (1927) derivou o nome das palavras gregas baphe e metis, "batismo" e "sabedoria".

A única citação possivelmente anterior ao processo dos templários aparece em um poema de um trovador provençal, talvez um templário, referente a batalhas de 1265 que não corriam bem para os cruzados: " e diariamente eles nos impõem novas derrotas, pois Deus, que costumava cuidar da nossa causa, agora está dormindo e Bafometz (Maomé?) aplica todo o seu poder para apoiar o Sultão.

Os Templários Editar

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Figura diabólica esculpida em igreja de templários, St. Merri

Depois da Primeira Cruzada, no ano 1119 em Jerusalém, surge um pequeno grupo de militares formando uma ordem religiosa tendo como seu principal objetivo proteger os peregrinos visitantes à Palestina. Ficaram conhecidos como os Cavaleiros Templários. Eram comandados por um mestre principal e deveriam viver com austeridade, segundo uma regra moldada pela dos monges Cistercianos, lutando corajosamente para defender a Igreja.

Devido à necessidade de enviar dinheiro e materiais regularmente da Europa à Palestina os Cavaleiros Templários gradualmente desenvolveram uma espécie de sistema bancário e, por receber doações de benfeitores, acumularam com o passar dos anos muita riqueza. Tais poderes, militar e financeiro, os tornaram respeitados e confiáveis. Financiavam, através de vultosos empréstimos, muitos reis da época. Porém, por volta de 1300 os Templários sofreram diversas derrotas militares e acabaram expulsos da Palestina pelos muçulmanos. Postos em posição vulnerável, suas riquezas se tornaram objeto da ganância e inveja de muitos.

Na época o rei francês Filipe IV, o Belo, envolveu-se em uma tumultuada disputa política contra o Papa Bonifácio VIII. Carente de recursos financeiros, ameaçou embargar os impostos pagos ao clero. Bonifácio o condenou, em 1302 com a Bula Unam Sanctam e os partidários de Filipe o aprisionaram. O Papa escapou, mas faleceu logo em seguida e em 1305 Filipe obteve a eleição para o papado de um dos seus próprios partidários com o nome de Clemente V e o convenceu a residir em Avignon, na França, sob seu controle.

Filipe voltou-se então contra os Templários, denunciando-os à Igreja por heresia. Em 1307, com o consentimento do Papa, mandou prender a todos, incluindo o Mestre Jacques de Molay, sob a acusação de sacrilégio e satanismo - acusações similares às que Filipe fizera antes contra próprio Bonifácio VIII.

Segundo os promotores de Filipe, a cada novo recruta, na iniciação, dizia-se que Jesus era um falso profeta que tinha sido crucificado não para redimir os pecados da humanidade, mas como punição pelos próprios pecados. Ordenava-se ao postulante que negasse Cristo e escarrasse, pisasse ou urinasse numa imagem de Cristo na Cruz e então que beijasse o templário que o recebera na boca, no umbigo, ns nádegas, na base da espinha dorsal "e às vezes no pênis". Diziam-lhe que poderia ter "relações carnais" com outros irmãos, que isso era não só lícito, "mas também que eles deveriam praticar e submeter-se a isso mutuamente", e que "para eles não era pecado praticá-lo". Para assinalar sua rejeição de Cristo, foi dito que os padres da Ordem do Templo omitiam as palavras de consagração durante a missa.

Em 1312, o Papa emitiu a ordem que suprimia a ordem militar dos Templários e permitia o confisco de sua riqueza por Filipe e outros reis europeus. Foram torturados e forçados a confessar os crimes contidos em uma lista com 127 acusações, incluindo "reunião noturna secreta", sodomia e cuspir na cruz. Pelos supostos sacrilégios, o Mestre Jacques de Molay e muitos outros templários seriam queimados vivos em praça pública.

Entre essas acusações havia a de idolatrarem um ídolo, o Baphomet, negado por alguns templários e descrito de maneiras contraditórias por alguns templários - ora como um crânio, ora como um gato, ora como uma cabeça com três rostos. Seria venerado em cerimônias secretas e cordões que haviam tocado essa cabeça seriam amarrados em torno da cintura dos templários "em veneração" do ídolo. Isso seria feito em toda a parte e "pela maioria": aqueles que se recusassem a fazê-lo seriam mortos ou aprisionados.

Eliphas Lévi Editar

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Baphomet, ilustração de Eliphas Lévi em Dogme et Rituel de la Haute Magie (1854)

Alphonse Louis Constant (1810-1875), filho de um sapateiro, ganhou ainda criança as atenções de um padre local, que providenciou para que Alphonse fosse enviado para o seminário de Saint Nichols du Chardonnet e mais tarde para Saint Sulpice, para ser formado como sacerdote. Tornou-se, porém, um ocultista. Foi expulso da Igreja e adotou o pseudônimo judeu de Eliphas Lévi que dizia ser uma versão judaica de seu próprio nome.

Com esse pseudônimo, escreveu muitos volumes sobre magia, incluindo comentários sobre os Cavaleiros Templários e o Baphomet e sua interpretação dessa suposta entidade foi usada na capa do livro "A Doutrina da Alta Magia" publicado em 1855. Lévi chamava o tal bode de "Bode Sabático" ou "Baphomet de Mendes". Considerava seu nome a abreviação invertida de "Templi Omnivm Hominum Pacis Abbas", ou em português, "O Pai do Templo da Paz de Todos os Homens", referência ao Templo de Salomão, capaz de levar a paz a todos. Segundo Lévi:

Nós recorremos uma vez mais a este terrível número quinze, simbolizado no Tarô por um monstro colocado em cima de um altar, mistificado e chifrudo, tendo os seios de uma mulher e os órgãos geradores de um homem - uma quimera, uma esfinge malformada, uma síntese de deformidades. Abaixo desta figura lemos uma inscrição franca e simples - O Demônio. Sim, nós encontramos aqui o fantasma de todos os terrores, o dragão de todos os teogônicos, o Ahriman dos persas, o Typhon dos Egípcios, a Píton dos Gregos, e a velha serpente dos Hebreus, o fantástico monstro, o Croquemitaine, a gárgula, a grande besta da Idade Média, e - e pior que todos estes - o Baphomet dos Templários, o ídolo adorado dos alquimistas, o deus obsceno de Mendes, o bode do Sabbath.

Interpretação Editar

Lévi considerava seu Baphomet uma representação do absoluto em forma simbólica e explicou em detalhe seu simbolismo no desenho que serviu de frontispício:

O bode no frontispício leva o signo do pentagrama na testa, com uma ponta no topo, símbolo de luz, suas duas mãos formando o sinal do hermetismo, uma apontando para a lua branca de Chesed, a outa apontando para baixo, para a lua negra de Geburah. Este signo expressa a perfeita harmonia da mercê com a justiça. Um braço é feminino, o outro masculino como os do andrógino de Khunrath, os atributos do qual são unidos com o do nosso bode porque eles são um e o mesmo símbolo. A chama da inteligência brilhando entre seus chifres é a luz mágica do equilíbrio universal, a imagem da alma elevada acima da matéria, como a chama que, apesar de ligada à matéria, brilha acima dela. A cabeça do animal expressa o horror do pecador cujo agir material, única parte responsável, tem de suportar sozinha a punição; pois a alma é insensível segundo sua natureza e só pode sofrer quando se materializa. O bastão erguido no lugar dos genitais simboliza vida eterna, o corpo coberto com escamas a água, o semicírculo acima dele a atmosfera, as penas que se seguem acima, o volátil. A humanidade é representada pelos dois seios e os braços andróginos desta esfinge das ciências ocultas.
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O Diabo, carta do tradicional Tarô de Marselha

Levi chamava a imagem “o Baphomet de Mendes”, presumivelmente seguindo o relato de Heródoto segundo o qual o deus de Mendes — nome grego de Djedet, no Egito — era representado com rosto e pés de bode. Herodoto conta que todos os bodes eram reverenciados pelos mendesianos e como na época em que esteve lá, uma mulher copulou em público com um bode. Mas, na verdade, a divindade venerada em Mendes era um carneiro Banebdjed ("Ba, senhor de Djed", ou seja, "o senhor de Mendes"), que representava a alma de Osíris. Lévi combinou as imagens da carta do Diabo do Tarô de Marselha e o relacionou à descrição por Heródoto da divindade de Mendes, imaginando-o, além disso, como "copulador em Anep e inseminador no distrito de Mendes".

A imagem está sentada sobre uma esfera, o mundo; um braço masculino, outro feminino, formando um sinal hermético, os mesmos braços e com os seios de uma mulher representando a humanidade; o objeto fálico (homem) envolto por duas cobras, uma branca outra negra (a mulher e a tentação), seu colo simboliza a vida eterna da humanidade e o arco (apenas visível a metade) a entrada do útero. Um braço aponta o "caminho do céu" enquanto o outro aponta para baixo, ou "caminho do inferno", ou talvez representem o axioma hermético simétrico "assim como para cima ou para baixo". A representação simétrica inversa das fases da Lua que também poderia representar a dualidade do bem e do mal, o certo (para cima) e o errado (para baixo).

No braço direito está escrito SOLVE (resolva, do verbo "resolver", do latim "solvere"), mas aqui Levi usa um duplo sentido, pois "solve" também poderá ser "solução", no sentido de mistura alquímica ou "dissolver". No esquerdo, lê-se COAGULA ou "coagule" (solidifiquer), isto é, impossível de resolver ou ainda "de voltar atrás", ou o arrependimento eterno diante do erro cometido. Estas palavras, SOLVE e COAGULA, são referências alquímicas antônimas encontradas em estudos de Lévi, muito comuns em seus livros.

O símbolo fálico de Baphomet envolto por duas serpentes é um caduceu, símbolo de Hermes, deus do Comércio, mas também o responsável por transportar os mortos à sua morada subterrânea. A esse símbolo era atribuído poder mágico. Há lendas sobre a transformação em ouro de tudo o que era tocado pelo caduceu de Mercúrio e sobre seu poder de atrair as almas para os mortos, isto é, de ressuscitar. Mesmo as trevas podiam ser convertidas em luz por virtude desse símbolo da força suprema cedida a seu mensageiro pelo pai dos deuses. Os romanos utilizaram o caduceu como símbolo do equilíbrio moral e da boa conduta.

Na representação mais usual do caduceu, este caráter binário, equilibrado (simétrico), é duplo: há serpentes e asas, que ratificam esse estado supremo de força e autodomínio (e, conseqüentemente, de saúde) no plano inferior (serpentes, instintos) e no superior (asas, espírito). Lévi usou o símbolo sem asas e pôs uma cobra negra, para combinar com a dualidade reversa de Baphomet.

Maçonaria Editar

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Les Mystères - Pôster de propaganda do livro antimaçônico de Léo Taxil em Paris, vendido em fascículos

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Capa de Os Mistérios da Franco-Maçonaria

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Léo Taxil

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Diana Vaughan

Como atestam o uso de Lúcifer como metáfora para Cristo e nome de São Lúcifer, santo do século IV, a palavra continuou, ao menos para pessoas educadas em latim ou na cultura clássica, a ser associada primordialmente com a Estrela d'Alva e luz, não com Satã.

Foi com o mesmo sentido que alguns maçons e seus seguidores usaram a palavra "luciferiano" no sentido erudito de "portador de luz", invocando Prometeu, que roubou o fogo dos deuses para trazê-lo aos humanos. Católicos integristas e evangélicos fundamentalistas acusaram os maçons, com base nessa linguagem metafórica, de realmente adorar Lúcifer.

A acusação foi originalmente lançada por "Léo Taxil", pseudônimo de Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand-Pagès (1854-1907). Autor de livros pornográficos nos quais o papa e os líderes católicos eram pintados como sádicos e pervertidos (como Os Amores Secretos do Papa Pio IX) Léo Taxil chegou a ser processado por insulto a uma religião reconhecida pelo Estado, mas em 1885 anunciou ter-se convertido após uma visão mística e foi solenemente recebido na Igreja. Isso foi pouco depois de o papa Leão XIII, na encíclica Humanum Genus ter dividido a humanidade em dois "reinos", o da Igreja e o de Satã, este último "liderado ou assistido" pela Maçonaria.

Nos anos seguines, Taxil afirmou, numa série de panfletos, livros e periódicos (a começar por uma obra em quatro volumes), que o líder maçônico estadunidense Albert Pike (1809-1891) escrevera aos "23 Conselhos Confederados Supremos do mundo" (invenção de Taxil) que Lúcifer era o deus da luz e do bem e estava em oposição a Adonai, deus do mal e do obscurantismo. A capa do livro Os Mistérios da Franco-Maçonaria era ilustrada com grupo de maçons endiabrados que dançam ao redor do Baphomet puxado por um ex-padre, nada mais nada menos, que o famoso e falecido Eliphas Lévi.

Albert Pike havia sido o grande mestre do "Rito Escocês Antigo e Aceito". Brigadeiro da Confederação na Guerra Civil Americana foi responsável, quase sozinho, pela criação desse rito "antigo". Abastado, literato e detentor de uma extensa biblioteca, foi o Líder Supremo da Ordem de 1859 até à data da sua morte em 1891, tendo escrito diversos livros de História, Filosofia e viagens, sendo Moral e Dogma o mais conhecido. Taxil havia sido iniciado na Maçonaria, mas fora expulso ainda como aprendiz.

Além disso, Taxil promoveu um livro supostamente escrito por Diana Vaughan que revelava um corpo governante altamente secreto chamado Palladium que controlaria a Maçonaria e cuja agenda seria ditada por Satã. Diana Vaughan havia aparecido anteriormente em um livro de Taxil, O Diabo no Século XIX (em co-autoria com "Dr. Karl Hacks"), como uma suposta descendente do alquimista rosacruz Thomas Vaughan. No livro, ela encontrara demônios materializados, inclusive um que escreveu profecias com sua cauda e outro que tocava piano na forma de um crocodilo. Supostamente Diana exaltara as virtudes das "orgias satânicas", fora engravidada por Satã com um enorme falo espinhoso e se envolvera com a maçonaria satânica, mas foi redimida quando, um dia, confessou sua admiração por Joana d'Arc, nome que pôs os demônios em fuga. Também com Diana Vaughan como a suposta autora, Taxil publicou uma Novena Eucarística, coleção de preces que foi elogiada pelo papa.

Em 1887, o escritor foi recebido em audiência pelo papa Leão XIII, que acreditou piamente em sua história. Censurou o bispo de Charleston por denunciá-la como fraude e em 1896 deu sua bênção a um congresso anti-maçônico celebrado em Trento para discutir as acusações de Taxil.

Começaram, porém, a surgir dúvidas sobre a veracidade ou mesmo existência de Diana Vaughan e, por fim, Taxil prometeu apresentá-la em uma palestra que daria em 19 de abril de 1897. Para assombro da audiência (que incluía um bom número de padres), ele anunciou que perpetrara uma série de fraudes. A primeira fora persuadir um comandante de Marselha de que a baía estava infestado de tubarões, fazendo-o enviar um navio para destruí-los. Depois, inventara uma cidade submarina no Lago Genebra, que atraíra turistas e arqueólogos. Mas a maior de suas fraudes, sua obra-prima, havia sido sua "conversão" - e agradeceu aos bispos e jornais católicos por a terem facilitado. Explicou então que toda a história sobre a maçonaria era uma mentira e Diana Vaughan era uma estadunidense, representante de uma marca de máquinas de escrever que achara a idéia muito engraçada e lhe permitira usar seu nome na farsa.

Apesar disso, as apócrifas instruções de Albert Pike e outros detalhes da fraude continuaram e continuam a ser citados por grupos antimaçônicos como revelações reais. O líder evangélico Jack Chick, por exemplo, continua a afirmar que Baphomet é um demônio adorado pelos maçons.

Aleister Crowley Editar

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Lust, Atu XI no baralho de Crowley

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Devil, Atu XV no baralho de Crowley

As fantasiosas elaborações posteriores do ocultista Aleister Crowley ligavam o suposto bode de Mendes com o deus sincrético greco-egípcio Harpócrates, elaborado a partir da forma infantil do egípcio Hórus. Harpócrates era um deus que proporcionava fertilidade, mas não estava associado a devassidão ou luxúria - em como a verdadeira divindade de Mendes, sua forma animal era de carneiro, não de bode.

O Baphmet de Lévi veio a se tornar uma figura importante na cosmologia da Thelema, o sistema místico criado por Crowyley no início do século XX. Crowyley identificava Baphomet com Harpócrates e também com o que ele chamava de Leão-Serpente. Concordava com que Baphomet era um andrógino divino, bissexual (como o próprio Crowley) e o "hieróglifo da perfeição arcana" em A Lei é para Todos, Crowley identificou o Leão-Serpente com o "Si-mesmo Secreto" de cada um, que ele também chamou de Sagrado Anjo da Guarda.

Em Magick (Livro 4), Crowley escreveu que "O diabo é esta serpente, Satã. Ele é vida e amor. Ele é luz, e sua imagem zodiacal é Capricórnio, o "bode que salta", "a cabeça do deus".

Para Crowley, Baphomet é ainda a representação da natureza espiritual do espermatozóide e também o símbolo da "criança mágica" produzida como resultado de magia sexual. Assim, Baphomet representa a União dos Opostos, especialmente como personificado misticamente no Caos e Babalon combinados e biologicamente manifestados como o espermatozóide e o óvulo unidos no zigoto.

Crowley também via Baphomet como o Prazer que leva à União dos Opostos e o representou na carta do "Diabo" (Atu XV) em seu baralho de Tarô. Aqui ele é identificado com o deus grego , o Progenitor de Tudo. Ele é "energia criativa em sua forma mais material (...), o bode saltando de prazer sobre os topos da Terra (...) a divina loucura da primavera".

Crowley, que se fazia conhecer como "A Besta", também identificava a si mesmo com Baphomet. Em O Equinócio dos Deuses, descreve outra carta do Tarô, desta vez "Prazer" (Atu XI): "Ela mostra a Mulher Escarlate, BABALON, cavalgando (ou copulando) comigo, A Besta; e esta carta é minha carta especial, pois eu sou Baphomet, 'O Leão e a Serpente', e 666, o 'número pleno' do Sol". Talvez por isso, Crowley assumiu o nome mágico de Baphomet quando se elevou ao X° grau da Ordo Templi Orientis.

Outras teorias conspiratórias Editar

Alguns dos escritores que fizeram fama com elucubrações fantasiosas sobre a história da Igreja e das heresias fizeram suas próprias suposições sobre o que teria sido o Baphomet dos templários. Keith Laidler, em The Head of God (A cabeça de Deus) afirmou que templários teriam encontrado, sob o monte do Templo, nada menos que a cabeça embalsamada de Cristo. Esta seria a cabeça conhecida como Baphomet, supostamente adorada em segredo pelos templários. Se não foi encontrada sob o Templo por Hugo de Pays, então poderia ter sido levada para a França por Maria Madalena, onde entrou para a posse dos cátaros e foi conservada na fortaleza de Montségur.

Quando Montségur estava para se render aos cruzados, três cátaros teriam fugido com a cabeça e a levado para a Ordem do Templo, que supostamene "partilhava essencialmente a mesma visão de mundo gnóstica dos cátaros". Quando o templáro Gérard de Villiers evadiu-se do Templo de Paris em 1307, teria levado consigo essa relíquia. A esquadra de galeras dos templários que zarpou de La Rochelle teria se dividido, metade rumando para o sul, para Portugal, onde foi absorvida pela Ordem de Cristo do rei D. Dinis e outra metade para o norte, para a Escócia, onde lançou âncora no estuário do Forth. Ao sul de Edimburgo estava o castelo de Rosslyn, de propriedade dos Saint-Clairs, família vinculada aos templários, cuja capela era "um Templo de Salomão diferente". Teria sido aí, sob um pilar, que os templários fugitivos enterraram "a Cabeça de Deus".

Referências Editar

  • Piers Paul Read, Os Templários. Rio de Janeiro, Imago: 2001
  • Wikipedia (em inglês): Baphomet [1]
  • Answers.com: Baphomet [2]
  • Baphomet, Uma Mentira Secular [3]
  • FERNANDES, Ermelinda Ganem; DE SÁ, José Felipe Rodriguez; GANSOHR, Matheus. Aterradora transcendência? Uma análise simbólica do Bafomé de Éliphas Lévi. HORIZONTE, v. 11, n. 31, p. 1129-1149, 2013. [4]

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