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Boitatá

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Boitata.jpg

Boitatá em alegoria do Salgueiro, carnaval de 2005

O nome boitatá vem do tupi mbaeta'ta, formado de mba'e, "coisa" e ta'ta "fogo". Segundo o dicionário Houaiss, a palavra transformou-se por confusão e interferência do tupi mboya, "cobra", tornando-se "cobra de fogo". Em 1560, escrevia-se baê tatâ, em 1706 baetatá, em 1872 boitatá e em 1876, mboitátá. A entidade também é chamada (mais de acordo com a etimologia original) baitatá ou batatá no Centro-Sul. Também é denominada biatatá na Bahia, batatal em Minas Gerais e bitatá em São Paulo.

Outros nomes conhecidos são batatão; batal; Jean de la foice; Jean Delafosse; fogo-fátuo; embaê-tatá; fogo-fato; fogo-nado; embaatatá; e emba-atalá.

O padre Anchieta, em carta de 31 de maio de 1560, informava que havia também outros (fantasmas) nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos reios, e são chamados baê tatâ, que quer dizer cousa de fogo. Não se vê outra coisa senão um facho cintilante correndo por ali; ataca rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras.

Segundo Câmara Cascudo, o boitatá protege os campos contra aqueles que os incendeiam e as tradições figuram-no como uma pequena serpente de fogo, que de ordinário reside n'água. Às vezes, transforma-se em um grosso madeiro em brasa, denominado méuan, que faz morrer por combustão aquele que incendeia inutilmente os campos. Na maioria das vezes, o boitatá é considerado uma alma penada, "purgando os pecados". No Nordeste, conhecem-no também como fogo corredor.

Segundo o dicionário Houaiss, o boitatá é simbolizado por uma cobra de fogo ou de luz com dois grandes olhos, ou por um touro que lança fogo pelas ventas e está relacionado relacionado tanto à indicação de tesouros ocultos quanto à proteção dos campos contra incêndios.

Relâmpago globular Editar

Ball lightning.jpg

Relâmpago globular em Nagano, Japão, em 1987

Uma possível explicação das aparições do boitatá e de entidades semelhantes é o raio ou relâmpago globular (foudre en boule em francês, ball lightning em inglês, centella em castelhano): uma esfera luminosa, brilhante como lâmpada fluorescente, cujo diâmetro pode variar de alguns centímetros a vários metros. Podem aparecer perto do ponto de impacto de um raio, mas também são vistas em terremotos, erupções vulcânicas, ventanias, tornados e tempestades. Freqüentemente são acompanhadas de cheiro de ozônio, enxofre ou óxido nitroso e produzem zumbidos e estalos.

Em laboratório, o fenômeno tem sido reproduzido na forma de silício vaporizado, que ao esfriar e se condensar forma partículas aquecidas que se incendeiam em contato com o ar. Na natureza, condições semelhantes poderiam ser criadas quando um relâmpago atinge solo rico em silício (como areia).

Ball lightning.png

Relâmpago globular em gravura do século XIX

Segundo o físico ucraniano Oleg Meshcheryakov, o relâmpago globular é formado por um aerossol, uma nuvem de milhares de partículas com diâmetro de 5 a 100 nanômetros. Cada uma delas, contendo um redutor, um oxidante e um eletrólito formados a partir de substâncias comuns no ambiente, comporta-se como uma nanobateria, que entra em curto-circuito ao descarregar energia por sua superfície. A energia térmica produzida por cada nanobateria causa a repulsão mútua dessas partículas a curta distância, impedindo-as de se agregarem. Ao mesmo tempo, a atração magnética entre elas - resultado da oxidação eletroquímica dentro de cada partícula - impede que se dispersem e as equilibra a certa distância uma das outras, moldando as bolas. As reações de oxidação e redução dessas partículas podem gerar correntes de milhares e mesmo milhões de amperes.

Geralmente os relâmpagos globulares têm forma esférica, mas ocasionalmente tomam forma de anel, oval, cilíndrica ou de lágrima. Há casos de pessoas e animais eletrocutados ou queimados por esses relâmpagos, e mais de um caso em que queimou a roupa de uma pessoa sem lhe causar mais dano. Reportaram-se casos em que seu campo magnético transportou pequenos objetos ou prenderam o badalo de um sino, impedindo o sacristão de tocá-lo.

As luzes podem ser contínuas ou intermitentes e de qualquer cor, mas amarelo e vermelho parecem ser as mais comuns e azul, violeta e verde mais raras. Podem viajar paralelamente a um condutor, perto de uma substância isolante, ou no meio do próprio ar e parecem ser sensíveis a cargas elétricas. O fenômeno pode durar de alguns segundos a vários minutos. Geralmente explodem, mas às vezes se desvanecem pouco a pouco e outras vezes desaparecem abruptamente.

Esse fenômeno pode ser responsável pelas aparições do boitatá e entidades similares em outras culturas. A partir do século XX, pode também ter sido tomado por OVNIs e extraterrestres.

Fogo-fátuo Editar

Fogofatuo2.jpg

Fogo-fátuo, em ilustração de Round-about Rambles, de Franck R. Stockton (1910)

Outra explicação, mais tradicional, para o boitatá é o fogo-fátuo, luz que aparece à noite, geralmente emanada de terrenos pantanosos ou de sepulturas, supostamente devida à combustão de gases provenientes da decomposição de matérias orgânicas, principalmente metano e fosfina. Esse fenômeno, conhecido em inglês como will-o'-the-wisp, em latim como ignis fatuus, em francês como feu follet e em alemão como Irrlicht ou Sumpflichter, também é associado a fantasmas e outras entidades do folclore, tanto no Brasil como em muitos outros países.

Em uma porcentagem de aproximadamente 28%, o metano se inflama espontaneamente, sem necessidade de uma faísca. Forma uma chama azulada, de curta duração, gerando um pequeno ruído. O deslocamento do ar provocado pela tentativa de fuga pode fazer o fogo-fátuo mover-se na mesma direção da pessoa, como se a estivesse perseguindo.

Veja também Editar

Cumacanga

Mãe-do-fogo

Mãe-do-ouro

Pilão-de-fogo

Dragão

Salamandras


Referências Editar

  • Araújo, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964, v.1, p.421
  • Boiteux, Lucas A. "Achegas à poranduba catarinense". Boletim trimestral da sub-comissão catarinense de folclore. Florianópolis, ano II, nº 5, setembro de 1950
  • Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954
  • Cascudo, Luís da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.143-147, 388-390
  • Corso, Mário. Monstruário; inventário de entidades imaginárias e de mitos brasileiros. 2ª ed. Porto Alegre, Tomo Editorial, 2004, p.41-42
  • Frade, Cáscia et alii. Folclore fluminense. Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Educação e Cultura, 1982
  • Lopes Neto, João Simões de. Contos gauchescos e lendas do sul. 3ª ed. Porto Alegre, Globo, 1965
  • Meyer, Augusto. Guia do folclore gaúcho. Rio de Janeiro, Ediouro, sd, p.23-24
  • Orico, Osvaldo. Mitos ameríndios e crendices amazônicas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1975 (Retratos do Brasil, 93), p.79-86
  • Silveira, Valdomiro. Mixuangos. Rio de Janeiro, 1937

Ligações externas Editar

Centellas o Rayos en Bola [1]

Ball Lightning–Aerosol Electrochemical Power Source or A Cloud of Batteries, por Oleg Meshcheryakov [2]

Fuegos Fatuos [3]

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