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Busós na praça central de Mohács (fevereiro de 2006)

Os Busós (palavra húngara) são pessoas fantasiadas de maneira tradicional, com máscara vermelha, chifres e pele de carneiro, no Carnaval de Mohács (cidade húngara de 20 mil habitantes, perto da fronteira da Croácia), mantida pela minoria Šokci, um povo eslavo originário da Eslavônia, parte da atual Croácia e que fala um dialeto servo-croata.

A Busójárás Editar

Os seis dias que vão da quinta-feira anterior à terça-feira do Carnaval (Farsang) são os da Busójárás, a "marcha dos Busós", na qual pessoas fantasiadas à maneira tradicional festejam com música folclórica, desfiles e danças. Começa na quinta-feira, segue com o Kisfarsang (Pequeno Carnaval) na sexta-feira, chega ao clímax com o Farsang vasárnap (Domingo de Carnaval) e termina com o Farsangtemetés (Funeral do Carnaval) na terça-feira. O "caixão" do Carnaval é posto a flutuar no Danúbio e a festa termina com uma dança ritual em torno de uma fogueira.

Durante esses dias, os mascarados, cujas identidades ficam ocultas pelo disfarce, são convidados às casas para espantar os maus espíritos e abençoar os moradores e têm amplas oportunidades de flertar com as mulheres que aceitam participar da brincadeira.

As máscaras, feitas por artesãos tradicionais, são vistas como sexualmente ambíguas, com traços femininos, mas também chifres "masculinos" e os busós costumam usar calças masculinas e longas meias femininas. São abertas entre os dentes para que o usuário possa beber, fumar ou cuspir sem tirá-la.

Origens Editar

Segundo a versão mais popular da lenda, o costume se originou em 1526, com a invasão turca (otomana). O povo de Mohács fugiu da cidade e se refugiou numa pequena ilha do Danúbio, junto à cidade, coberta de pântanos e bosques. Uma noite, enquanto conversavam em torno da fogueira, um velho Šokci apareceu de repente e disse a eles: "Não tenhais medo: vossas vidas logo mudarão para melhor e voltareis às suas casas. Para isso, preparei-vos para a batalha, entalhai várias armas e máscaras assustadoras para vós mesmos e esperai por uma noite tempestuosa quando um cavaleiro mascarado vier ao vosso encontro." Ele desapareceu tão repentinamente quanto havia surgido.

Os refugiados seguiram suas ordens e alguns dias depois, numa noite tempestuosa, o cavaleiro chegou e lhes ordenou pôr suas máscaras e voltar a Mohács, fazendo tanto barulho quanto possível. Eles o seguiram e os turcos ficaram tão assustados pelo barulho, pelas máscaras e pela tempestade que pensaram que demônios os estavam atacando, e fugiram da cidade antes do nascer do Sol.

Em outra versão, menos popular, os busós estão espantando não os turcos, mas o próprio inverno, ao trazerem de volta a fertilidade às plantações e às mulheres.

Segundo Gyorgy Lehel, organizador do evento em 2009, a tradição é na realidade mais recente. Seria um rito primaveril de fertilidade trazido pelos Šokci à cidade em meados do século XVIII: a menção mais antiga ao costume é de 1783. A tradição, considerada licensiosa, foi proibida pela Igreja e ficou esquecida por muito tempo, mas nos anos 1920 foi ressuscitada pelas autoridades municipais como forma de incentivar o turismo local. Cerca de 600 pessoas participam do Busójárás, durante o qual a cidade recebe cerca de 20 mil turistas.

Referências Editar

Ver também Editar

Sátiros

Faunos

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