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Cachorra da Palmeira

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CachorraPalmeira

Cachorra da Palmeira, na interpretação do artista Walmor Corrêa

A Cachorra da Palmeira é uma lenda de Palmeira dos Índios, Alagoas, que é conhecida e contada de muitas formas diferentes em todo o Nordeste e é um dos temas recorrentes da literatura de cordel.

Na maioria das vezes, trata-se de uma jovem rica e culta que menospreza ou ridiculariza algum homem tido como santo pelo povo (Padre Cícero, Frei Damião etc.), ou comete algum outro pecado e é castigada com a transformação em cadela, condenada a correr eternamente ou trancafiada em uma jaula até o fim da vida.

Segundo a versão mais conhecida, de Moisés Matias de Moura, em cordel dos anos 50:

Em um sitio que havia
por nome de Nova Olinda
por causa de uma palavra
perdeu-se uma moça linda.
Em bicho se transformou
não sei se é viva ainda
não declaro o nome dela
por não me cair o tino.
Seu pai era um coronel
homem de estudo fino
sua mãe lhe estimava
tinha ela em seu domínio.
Era rica e educada
falava por pabulagem
poucos lhe compreendiam
a sua fina linguagem
o melhor sábio do mundo
pedia a ela homenagem.
Porém a educação
não é só boas leituras
tem sábios ignorantes
de perdidas formosuras
porque não sabem tratar
delicado às criaturas.
Como essa linda moça
que caiu na perdição
por soltar uma palavra
em ponto de mangação
sorrindo, fazendo pouco
do padre Cícero Romão.
Essa moça, meus senhores
tinha uma cachorrinha
que recebeu de presente
de uma amiga vizinha
com a maior estimação
criava desde novinha.
No dia em que padre Cícero
faleceu em Juazeiro
morreu essa cachorrinha
da filha do fazendeiro
a hidrofobia atacou-lhe
no asseiro do terreiro.
Essa moça, essa noite
comprou um maço de vela
fez à dita cachorrinha
uma boa sentinela
mandou botar no sagrado
de véu, palma e capela.
Alguns dias ainda passou
muito tristonha e chorosa
pela falta da cachorra
que dela era carinhosa
porém depois consolou-se
por ser muito vaidosa.

Um dia ela foi à loja
engolfada no anseio
comprar vestidos e perfumes
para botar a passeio
porque ela não perdia
cinema, drama e recreio.
Na mesma loja entrou
uma senhora direita
perguntando ao caixeiro
- Aí tem fazenda preta?
A moça, ouvindo aquilo
riu-se fazendo careta
perguntou para a mulher:
- Dona, a senhora é viúva?
Ou está adivinhando
que amanhã é de chuva
comprando fazenda preta
e eu encarnada-luva...
Morreu gente da senhora?
Era a moça interrogando
e a pobre mulherzinha
com aquilo se acanhando
disse: - meu padrinho morreu
vou botar luto chorando.
- Quem é esse seu padrinho?
a moça lhe perguntou.
Disse ela: - O padre Cícero
que agora se acabou.
A moça fez quá, quá, quá
naquilo se transformou.
Transformada ainda disse
para a dita mulherzinha:
- não bote luto por ele
sim por minha cachorrinha
que morreu no mesmo dia
sepultou-se à tardezinha...
Ave-Maria, filhinha!
a mulher lhe respondeu
não fale do padre Cícero,
ele nunca lhe ofendeu.
A moça virou os olhos
abocanhou-lhe e mordeu.

Essa mulher deu um grito
que na loja estremeceu.
- Venha depressa, caixeiro
que a moça me mordeu!...
O caixeiro quis pegá-la,
porém a moça correu.
O caixeiro admirou-se
vendo aquele mistério
a moça com grande cauda
formou-se um exemplo sério
por causa de uma palavra
acabou-se tanto império.
A moça saiu correndo
mordendo quem encontrava
juntou-se um bloco de homens
para ver se a pegava
porém a moça corria
que só o vento alcançava.
Os homens que foram atrás
botaram um arrodeio
de emboscada esperaram
ela foi sair no meio
se agarraram com ela
que o barulho foi feio.
Depois dela dominada
um homem lhe perguntava
de quem ela era filha
e o lugar onde morava
porém a moça sisuda
nem uma resposta lhe dava.

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