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GoshawkFalconry

Açor no punho do cetreiro, em Lord Lilford on Birds, 1903. Hutchinson &Co

A cetraria é, no sentido estrito, a arte de criar, domesticar e adestrar falcões e outras aves usadas na volataria, que é a arte de caçar com essas aves, mas também pode incluir a caça propriamente dita. Há duas técnicas principais: a de alto vôo, falcoaria ou altanaria, na qual normalmente se utilizam falcões e se caça apenas aves em vôo; e a cetraria de baixo vôo, na qual se utilizam os açores, e também gaviões e algumas águias.

Na técnica de baixo vôo, a ave é lançada do punho enluvado do cetreiro no encalço da peça de caça, quando esta já se encontra em vôo, ou em corrida. A ave caçadora realiza um vôo a plena velocidade, descrevendo uma trajetória reta da luva até à presa, de pêlo, ou de pena, sendo por isso também chamado "lance à vista", ou ainda "lance a braço-tornado".

Na alta Idade Média, a carne de aves – principalmente as de vôo mais alto – era considerada mais nobre e mais apropriada para o consumo da nobreza que a de animais terrestres e os falcões, sendo mais indicados para caçar essas presas, tornaram-se símbolos de poder e prestígio, reservado à nobreza.

O açor e demais aves de rapina de baixo vôo eram consideradas menos nobres e apropriadas para plebeus e sacerdotes; um tratado de cetraria recomendava o açor para um camponês livre; o gavião fêmea para um sacerdote e o gavião macho para um diácono. Na era moderna, essa distinção perdeu importância.

Além dos açores e gaviões do Velho mundo, também outras espécies menos tradicionais na cetraria, inclusive das Américas, têm sido usadas por entusiastas da cetraria esportiva e também como forma de controle de pragas agrícolas (aves, roedores etc.) e também para afastar outras aves da proximidade de aeroportos – apesar de fazendeiros menos preparados os caçarem por julgá-los uma ameaça às suas criações de aves