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Codorna

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Coturnix coturnix
Codorna européia (Coturnix coturnix coturnix)
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Coturnixjaponica
Codorna oriental (Coturnix japonica)
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Colinusvirginianus2
Codorna-da-Virgínia (Colinus virginianus)
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A codorna ou codorniz é uma ave galiforme semelhante à perdiz, mas bem menor. É chamada quail em inglês, caille em francês, quaglia em italiano, codorniz em castelhano, kwartel em holandês, Wachtel em alemão, ortyx em grego antigo, vartika em sânscrito, perepel em russo, uzura em japonês, ān-chun em mandarim. Cerca de duzentas espécies de aves dos gêneros Coturnix e Colinus são chamadas de "codornas".

Codorna comum Editar

A codorna mais comum em estado selvagem, encontrada em campos e terras aráveis de grande parte da Eurásia e África, é a Coturnix coturnix, da qual há cinco subespécies: conturbans (Açores), confisa (Canárias e Madeira), inopinata (Cabo Verde), africana (da África do Sul à Etiópia e Madagáscar), e coturnix (Europa, noroeste da África, Rússia e Índia).

Pesa em média 110 gramas e tem 19 centímetros de comprimento. Faz seu ninho no chão e nele deposita 6 a 18 ovos de 10 gramas cada um, que levam 16 a 18 dias para chocar. Apesar de passar grande parte do tempo no solo, alimentando-se de sementes e insetos, tem asas relativamente grandes, voa bem e é uma ave migratória, ao contrário da maioria das aves de caça mais comuns. Mesmo assim, reluta em voar quando ameaçada e prefere encolher-se e rastejar para longe (em inglês, to quail é encolher-se, acovardar-se). Mesmo espantada, voa imediatamente para onde possa se esconder. As codornas européias passam o inverno na África.

Codorna oriental e doméstica Editar

A codorna da Ásia Oriental, antes considerada uma subespécie da codorna comum (Coturnix coturnix japonica), hoje é considerada uma espécie distinta, Coturnix japonica. Em estado selvagem, seu peso médio é de 100 gramas. Reproduz-se na Manchúria, sudeste da Sibéria e norte do Japão e passa o inverno no sul do Japão, Coréia e sul da China. Levada da China e Coréia para o Japão no século XI, foi originalmente criada como ave canora. Da criação sistemática e comercial iniciado no Japão do século XIX descendem todas as codornas domésticas que se difundiram no Ocidente a partir dos anos 1950.

Criadas em cativeiro, as fêmeas começam a pôr ovos com 45 a 60 dias, quando já pesam 100 a 120 gramas. Devido a seleção dos criadores, tornam-se bem maiores e mais produtivas que as codornas selvagens. Alcançam 200 e 250 gramas quando adultas e continuam a produzir por seus 30 meses de vida: 300 a 500 ovos por ano, dependendo da ração.

Codorna norte-americana Editar

Nos EUA, a codorna selvagem mais comum é a codorna-da-Virgínia (Colinus virginianus), chamada bobwhite ou bobwhite quail pelo chamado característico do macho. É encontrada também no sudeste de Ontário (Canadá), México, América Central e Cuba. É mais comum em áreas onde florestas foram recentemente destruídas por incêndios ou exploração madeireira, onde se alimentam de invertebrados, sementes e ervas. Em estado selvagem, pesa 140 a 170 gramas e tem 20 a 25 cm de comprimento e 9 a 12 cm de envergadura. Inicialmente semi-domesticada apenas para abastecer reservas de caça, recentemente começou a ser criada para produção regular de carne e ovos, atingindo 450 gramas em cativeiro.

Codorna no mito e no folclore Editar

Na linguagem figurada, em francês, être chaud comme une caille ("estar quente como uma codorna") significa estar cheio de ardor amoroso, ou de entusiasmo por alguma coisa.

No Brasil, os ovos de codorna adquiriram a reputação de afrodisíacos, como ficou registrado no xote Ovo de codorna, da autoria de Severino Ramos que, popularizado nos anos 80 pelo cantor e compositor Luiz Gonzaga, certamente ajudou muito a engordar os lucros dos criadores de codornas do País:

Eu quero um ovo de codorna pra comer
O meu problema ele tem que resolver
Eu tô madurão, passei da flor da idade
Mas ainda tenho alguma mocidade
Vou cuidar de mim pra não acontecer
Vou comprar ovo de codorna pra comer
Eu já procurei um doutor meu amigo
Ele me falou, pode contar comigo
Ele me ensinou e eu passo pra você
Vou lhe dar ovo de codorna pra comer
Eu estava triste, quase apavorado
Estavam me fazendo de pobre coitado
Minha companheira tá feliz porque
Eu comprei ovo de codorna pra comer

Não há fundamento científico para essa crença que, segundo a bióloga e veterinária Zenilda Franco, da Sociedade Nacional de Agricultura do Rio de Janeiro, está possivelmente associada com a grande produtividade da ave (um ovo por dia), ou ao comportamento agressivo do macho, que copula com seis a oito fêmeas em um dia, o que a torna um equivalente aviário do coelho.

O simbolismo da codorna está ligado também aos hábitos migratórios da codorna selvagem e ao caráter cíclico que esses hábitos implicam. Na China, a codorna selvagem, assim como a andorinha, reaparece com a estação do bom tempo. Acreditava-se que ela se transformasse, durante o inverno, em ratazana ou rã. Os torneios primaveris simulam os jogos amorosos das codornas, perdizes e gansos selvagens. Esse ritmo sazonal, esse vaivém das aves migratórias, é uma imagem da alternância do yin e do yang, o pássaro do céu se metamorfoseando em animal subterrâneo ou aquático. A codorna é a ave do sul e do fogo; representa, em carne e osso, a mítica fenghuang (fênix chinesa), o "pássaro vermelho", símbolo do verão, e dá seu nome, na astronomia chinesa, à estrela central do "Palácio do Verão". Diz-se que os ovos de codorna têm cinco cores, como as nuvens da aurora.

Há um mito védico da libertação da codorna (vartika) da goela do lobo pelos Ashvin, os deuses gêmeos, no qual a codorna parece rpresentar a aurora, a luz que precedentemente fora engolida, encerrada na caverna.

Vartika significa "aquela que retorna" e deriva da mesma raiz do nome grego da ave, ortyx. Ortígia, ou seja, a "Ilha da Codorna", era, segundo o mito grego, o nome original da ilha sagrada de Delos, pátria de Ártemis e Apolo. Existe outra ilha com esse nome, perto de Siracusa, na costa da Sicília.

Na tradição bíblica, as codornas aparecem, junto com o maná, como o alimento milagroso dos hebreus no deserto, durante os quarenta anos do Êxodo.

Referências Editar

  • Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário de Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1988.
  • Seagri notícias: "Muitos cantam e até acreditam no poder afrodisíaco do ovo" [1]
  • ADW: Colinus virginianus, northern bobwhite [2]
  • Wikipedia (em inglês): Common Quail [3]
  • Wikipedia (em inglês): Japanese Quail [4]

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