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Crônica

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ARTIGO EM EDIÇÃO

Com suas raízes na historiografia produzida pela Antigüidade Clássica, da qual se busca o exemplo, as obras memorialistas medievais intitulavam-se basicamente de duas formas: “histórias” e “crônicas”. Mas, se para aqueles que, durante o período da Antigüidade, buscavam reconstruir o passado, a beleza era o ideal a ser alcançado, para os historiadores medievais a preocupação já era com certa exatidão. A procura por essa correção era, segundo Christiane Marchello-Nizia, afirmada exaustivamente por meio de fórmulas iniciais de apresentação, presentes nas introduções aos textos memorialistas, que beiravam o formalismo jurídico da época.

Na sua construção primordial, a diferença entre ‘história’, ‘crônica’ e ‘anais’ era traçada firmemente. Intitular uma obra como ‘história’ significava que ali far-se-ia mais do que listar eventos como nos anais, ou simplesmente narrá-los em forma de crônica. Era preocupar-se com uma explicação causal do que era narrado. A “história”, seguindo a definição de Eusébio de Cesárea entre os séculos III e IV, comprometer-se-ia a emitir uma opinião durante a narrativa. Ao contrário, o cronista preocupava-se somente com o relato puro e simples. Os autores tinham em mente essa preocupação. O memorialista Jean Froissart já definia assim: “Se eu disser: isso e isso acontecerá nesse tempo, sem abrir nem esclarecer o mistério, isso será crônica e não história”. O borgonhês Olivier de la Marche, ao recolher suas recordações em forma de memórias, alegava que seu trabalho não poderia ser considerado crônica ou história. Para ele, o ofício de historiador era sério e dizia respeito ao cuidado em tratar com os fatos de forma correta, recolhendo informações e tendo uma prosa correta. O que não impediu, no entanto, que essa sua obra figurasse junto às crônicas oficiais da corte, como veremos mais à frente. Até porque essas linhas de divisão tão fortes eram mais discurso do que prática, o que se torna mais verdade conforme nos aproximamos do século XV.

Pois com o passar do tempo, o quadro se alterou. Dos séculos XIII ao XV, a crônica deixou de ter um status inferior comparada à história para tornar-se sua herdeira. Ao invés de narrativas nas quais a erudição do autor era mais importante, os historiadores do final da Idade Média buscavam “uma compilação séria, dando uma ordem cronológica rigorosa e indicando as datas, com uma narrativa escrita de forma agradável”.

A indistinção era tamanha que nem mesmo a vontade do autor se impunha no que se referia à denominação de seu texto. A Chronique scandeleuse pretendia ser uma memória, uma coleção de fatos recordados por alguém, assim como Jean Le Fébvre de Saint Remy, rei-de-armas da ordem do Tosão de Ouro, cujas Mémoires também foram intituladas “crônicas” pelos editores. Nem mesmo a ênfase colocada pelos autores em seus prefácios conseguia vencer a confusão entre as denominações. Catherine Emerson lembra que o próprio Commynes pediu para que sua obra não fosse chamada de “crônica” por não ter vínculos oficiais.

A prosa firmou-se como instrumento principal da narrativa da história. A eloqüência, fruto da retórica adquirida dos oradores latinos, ajuda no aperfeiçoamento dos procedimentos narrativos em prosa, dando a estes um temperamento oratório.

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