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Curupira

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O Curupira – Lenda Amazônica, de Manoel Santiago (1926)

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Curupira

O Curupira é uma entidade da floresta que agride caçadores ou os confunde, impedindo-os de caçar ou levando-os a se perderem e acidentarem. Seu nome vem de de curumi, menino e pira, corpo: corpo de menino. É mais conhecido por esse nome na Amazônia, no Maranhão e no Sudeste do Brasil, exceto Espírito Santo.

Entidades análogas são conhecidas como Caapora ou Caipora, no Nordeste do Brasil e Espírito Santo; Kilaino, entre os bacaeris do Mato Grosso; Maguare, na Venezuela; Selvaje, na Colômbia; Chudiachaque, no Peru; e Kaná, na Bolívia.

Geralmente, o curupira se apresenta como um menino de cabelos vermelhos, peludo, com os pés virados para trás (no rio Negro); privado de órgãos sexuais (Pará); ou com dentes azuis ou verdes e orelhudo (rio Solimões). Às vezes, aparece montado em um caititu (suíno selvagem). No Maranhão, mora nos tucuns (espécie de palmeira frutífera), procura as margens do rio para pedir fumo aos canoeiros e vira-lhes as canoas quando não lhe dão. Costuma-se atribuir-lhe uma força física extraordinária.

Supõe-se que emite gritos, assobios e gemidos que imitam um animal ou uma ave e fazem o caçador perder-se na floresta ao tentar persegui-lo.

Segundo uma crença generalizada, é o responsável pelos estrondos da floresta. Armado com um casco de jaboti, bate nas árvores para ver se conservam-se fortes para resistir as tempestades. No Alto Amazonas, porém, bate o calcanhar.

Na versão mais tradicional, supõe-se que o Curupira deseja apenas ser aplacado com presentes. Para não serem incomodados, os seringueiros e caçadores, adaptando um costume indígena, fazem oferendas de pinga e fumo.

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Curupira, na concepção do artista Walmor Corrêa (na verdade, mais parecido com o caipora tal como imaginado no vale do São Francisco)

Segundo o pintor Manoel Santiago, "as índias adolescentes,ao doce embalar das redes de tucum, adormecem sonhando com o Curupira. Se alguma delas commeter uma falta e não a puder justificar, logo será acusado o Curupira pelo crime de sedução."

Em tempos mais modernos, atribui-se a essa entidade o papel de defensor da fauna e da flora em proveito dos povos da floresta tradicionais: tolera aqueles que caçam para comer, mas persegue caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas de forma predatória, principalmente os que caçam fêmeas prenhes e matam filhotes.

Em 1970, o estado de São Paulo instituiu oficiamente o curupira como símbolo estadual do guardião das florestas e dos animais que nela vivem. No município de Olímpia, SP, a autoridade municipal é representada pelo curupira durante a semana em que ocorre o Festival de Folclore, no mês de agosto. Durante essa semana, não são assinados documentos oficiais.

O mito foi registrado desde os primeiros tempos da colonização do Brasil - por exemplo, pelo padre José de Anchieta, em carta de 30 de maio de 1560:

"É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios que os brasis chamam de Curupira, que acometem aos índios muitas vezes no mato, dão-lhe de açoites, machucam-nos e matam-nos. São testemunhas disto os nossos irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. Por isso, costumam os índios deixar em certo caminho, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oblação, rogando fervorosamente aos Curupiras que não lhes façam mal".

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