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Ewá, escultura de Carybé

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Euá

Euá, Ewá ou Yewá (do iorubá Yewà) é a orixá do rio e da lagoa do mesmo nome na Nigéria, considerada irmã ou mesmo a porção feminina de Oxumaré e às vezes, como esposa de Obaluaiê. No Brasil, associam-na à faixa branca do arco-íris e ainda às penínsulas. Em Cuba, é considerada esposa de Boromu, orixá que representa os esqueletos dos mortos. Está associada a beleza e graça e também às névoas e brumas e é chamada de "A Senhora das Possibilidades".

Segundo Verger, no Brasil essa orixá é cultuada somente em três casas antigas de Salvador, devido à complexidade de seu ritual, que as gerações mais novas não puderam captar. No sincretismo local, está associada a Nossa Senhora das Neves. Em outras regiões do Brasil é sincretizada com Santa Luzia.

As cores de seus colares (fio-de-contas) são o vermelho e o amarelo. Usa como insígnias a âncora e a espada, ofá que utiliza na guerra ou na caça, brajás de búzios, roupa enfeitada com iko (palha da costa) tingida. Gosta de pato e pombos e odeia galinhas. É saudada com o grito de "Riró!".

O arquétipo de Euá é o das mulheres belas, tranqüilas e adaptáveis, mulheres cheias de iniciativa, sensíveis e poéticas. Adoram ler, mas só se entregam ao amor quando estão loucamente apaixonadas.

Na santería de Cuba, Euá é sincretizada com Nossa Senhora dos Desamparados, padroeira de Valência. É considerada dona da sepultura, está entre as tumbas e os mortos e vive dentro do caixão. É tida como irmá de Iansã e Obá e companheira de Obaluaiê.

Mitos de Euá Editar

  • Euá banhava-se e lavava roupas no rio quando Orunmilá apareceu fugindo de Iku (a morte) e pediu que o escondesse. Ela o pôs sob um monte de roupas. Iku surgiu e perguntou-lhe: "Mulher, viste alguém passar por aqui?" Euá perguntou-lhe: "Por que 'mulher'"? Iku respondeu-lhe: "Sabes quem sou?" Euá, encarando a morte sem temê-la disse: "Sei, és Iku, a morte. E tu, sabes quem eu sou?" "Sim", respondeu Iku, "és Euá, a mulher de Obaluaiê e estimo-lhe meus respeitos". Com ar soberano ela disse-lhe: "Vi sim, alguém passou correndo para aquele lado", indicando a Iku. Orumilá, agradecido, deu a Euá o dom da vidência. Neste exato momento Euá teve um pensamento e Orunmilá disse-lhe: "Euá, tu serás mãe". Era justamente o que ela estava pensando. Este era o melhor presente dado a esta grande guerreira.
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Euá, a senhora das possibilidades

  • Certa vez, Euá foi ao rio lavar roupa e, ao acabar, estendeu-a para secar. Veio então a galinha a ciscar e sujou a roupa lavada. Euá teve de lavar tudo de novo e, enraivecida, amaldiçoou a galinha, dizendo que daquele dia em diante haveria de ficar com os pés espalmados e que nem ela nem seus filhos haveriam de comê-la. Por isso, nos rituais de Euá, a galinha não pode nem passar pela porta.
  • Euá era uma linda virgem que se entregou a Xangô, despertando o ciúme e a ira de Iansã. Para fugir da senhora dos ventos e tempestades, se escondeu nas florestas com Oxóssi e tornou-se guerreira e caçadora.
  • Depois do nascimento de Omolu, Nanã teve dois filhos gêmeos, Oxumaré e Euá. Oxumaré se tornou a serpente do arco-íris, ficando com todas as cores; para Euá restou o branco e por isso ela ficou governando a chuva que provoca as enchentes e a lua cheia que faz com que as chuvas sejam mais fortes. Ela ficou livre da maldição que caiu sobre Nanã e Oxumaré e, por isso, é o orixá da beleza e da alegria.
  • Euá era filha de Nanã, como Obaluaê, Oxumarê e Ossãe, esses irmãos regiam o chão da Terra. A terra, o solo, o subsolo, era tudo prosperidade de Nanã e sua família. Nanã queria que Euá alguém que a amparasse Euá e pediu um bom casamento para ela a Orunmilá. Euá era linda e carinhosa, mas ninguém se lembrou de oferecer sacrifício algum para garantir a empreitada. Vários príncipes ofereceram-se e logo uma contenda se armou. Jovens se digladiavam até a morte e Euá não se decidia. Tudo estava feio e triste no reino de Nanã, a terra seca, o sol quase apagara, só a morte dos noivos imperava. Euá foi então à casa de Orunmilá para que ele a ajudasse a resolver aquela situação desesperadora e pôr um fim àquela mortandade. Fez os ebós encomendados por Ifá, os ventos mudaram, os céus se abriram, o sol escaldava a terra e, para o espanto de todos, a princesa desintegrou-se. Foi desaparecendo, perdendo a forma, até evaporar-se completamente e transformar-se em densa e branca bruma. A névoa radiante de Euá espalhou-se pela Terra e Euá passou a zelar pelos amantes indecisos.
  • Euá, filha de Obatalá e Nanã, vivia em seu palácio como numa clausura. O amor de Obatalá por ela era muito estranho. A fama da beleza e da castidade da princesa chegou a todas as partes, inclusive ao reino de Xangô. Mulherengo como era, Xangô planejou como seduzir Euá. Empregou-se como jardineiro no palácio de Obatalá. Um dia Euá apareceu na janela e admirou-se de Xangô. Nunca havia visto um homem como aquele. Não se sabe como Euá se entregou a Xangô, no entanto, arrependida, pediu ao pai que lhe enviasse a um lugar onde nenhum homem a enxergasse. Obatalá deu-lhe o reino dos mortos. Desde então é Euá quem, no cemitério, entrega a Oiá os cadáveres que Obaluaiê conduz para que Orixá Ocô os coma.

Referências Editar

  • Guia de candomblé: Ewa [1]
  • Pallas Editora: Euá [2]
  • Oriaxé: Ewá [3]
  • Wikipédia: Yewá [4]
  • Wikipedia (em castelhano): [5]

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