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Na mitologia romana, Fauno (Faunus, de uma raiz latina que significa "favorável") é uma das divindades mais antigas, o di indigetes das florestas, planícies e campos, que propicia a fertilidade (di indigetes, "deus indicado", é uma expressão que se refere aos deuses romanos nativos, em contraste com di novensides, "deus recém-chegado" de origem estrangeira, geralmente grega).

Dois festivais, chamados Faunalia, eram celebrados em sua honra: um em 13 de fevereiro, no templo de Fauno da ilha do Tibre, o outro em 5 de dezembro quando os camponeses lhe traziam oferendas rústicas e se divertiam com danças.

Fauno como deus do gado Editar

Lupercalia.gif

Reconstrução das Lupercalia, para o History Channel

No papel de propiciador da fertilidade do gado era chamado Ínuo (Inuus). O escritor cristão Justino Mártir o identificou também como Luperco (Lupercus, "o que afasta o lobo"), protetor do gado, seguindo Lívio que considerou esse aspecto de Ínuo como o deus originalmente cultuado nas Lupercalia, celebradas no aniversário de fundação de seu templo, 15 de fevereiro, quando seus sacerdotes, os luperci, usavam peles de bode e chicoteavam os espectadores com cintos de pele de bode, rito que supostamente trazia a fertilidade.

Nos países anglo-saxões, muitos acreditam que as Lupercalia deram origem ao Valentine's day (14 de fevereiro, dia dos namorados nesses e em alguns outros países), mas não há base histórica para isso. A menção mais antiga desse dia como dedicado ao amor é de 1400, em Paris.

Fauna e os faunos Editar

Fatidica.jpg

Fatidica, de Frederic Lord Leighton (1894)

Uma deusa de atributos semelhantes a Fauno, chamada Fauna, Fátua, Fatídica ou Bona Dea ("Boa Deusa"), era associada a seu culto, ora como esposa, ora como irmã. Fauno era também acompanhado pelos faunos, desdobramento do grande Fauno em gênios locais.

Fauno como deus da profecia Editar

Fauno foi também racionalizado por romanos cultos como um rei legendário dos latinos, filho de Pico (Picus, "pica-pau") e da ninfa Canente (Canens, "cantora") e neto de Saturno. Com a ninfa Marica, teve como filho Latino, o rei do Lácio que recebeu os refugiados de Tróia liderados por Enéias. Após a morte, Fauno teria se tornado divindade tutelar da terra por seus serviços à agricultura e pecuária.

Sua sombra era consultada como uma divindade da profecia, sob o nome de Fátuo (Fatuus). Seus oráculos situavam-se nos bosques sagrados de Tibur, em torno da fonte Albunea, e também no monte Aventino, uma das sete colinas de Roma. As respostas eram dadas em versos saturnianos, um estilo arcaico e tipicamente romano, anterior à influência grega, em sonhos e vozes comunidadas àqueles que iam dormir em seus precintos sobre um velo de cordeiro sacrificado. W. Warde Fowler sugeriu que esse Faunus é o mesmo que Favonius, deus do vento oeste mais tarde identificado com o Zéfiro grego.

Sincretismo Editar

Fauno e os faunos latinos eram divindades sóbrias, mas com o crescente sincretismo entre as mitologias grega e latina, os romanos cultos passaram a identificar seus faunos com os sátiros gregos, diferentes em caráter e aparência. Fauno foi também parcialmente identificado com o grego e incluído no cortejo de Dioniso (com o nome helenizado de Phaunos), na Dionysiaca de Nonno, grego do século V nascido no Egito. Resultou disso a imagem dos faunos/sátiros da arte renascentista, que têm a aparência dos faunos latinos (e do Pã grego), mas o comportamento selvagem e orgiástico dos sátiros gregos.

Referências Editar

  • Wikipedia (em inglês): Faunus [1]

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