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Hércules (em latimHercules) é o nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus e da mortal Alcmena o mais célebre de todos os heróis, um símbolo do homem em luta contra as forças da Natureza, exemplo de masculinidade, ancestral de diversos clãs reais (os Heráclidas) e paladino da ordem olímpica contra os monstros ctônicos. As antigas fontes romanas indicam que o herói grego "importado" veio substituir um antigo pastor mitológico chamado pelos povos 

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Estátua de Marmóre de Hércules jovem

da 
Itália de Recaranus ou Garanus, e que é famoso por sua força. Enquanto o mito de Hércules incorporou muito da iconografia e da própria mitologia do personagem grego, ele também tinha um número de características e lendas que eram marcadamente romanas.

Nascimento e Infância

O grande Zeus, rei dos deuses, teve muitos casos amorosos com mulheres mortais, para grande desconsolo de sua esposa, a deusa Hera. As crianças nascidas desses amores eram semideuses e nenhum foi maior do que Héracles, concebido para ser protetor tanto dos homens quanto dos deuses. Alcmena era filha de Electrião, rei de Micenas, que por sua vez era filho do herói Perseu. Electrião foi morto acidentalmente por Anfitrião quando os dois guerreavam contra Ptérela, rei de Tafos. Por causa desse crime, Anfitrião foi banido da cidade, exilando-se em Tebas. Ao pedir Alcmena em casamento, a jovem aceitou com a condição de que o noivo deveria primeiro vingar seus irmãos mortos na guerra contra Ptérela. Foi justamente quando Anfitrião se encontrava ausente, no cumprimento da tarefa imposta pela noiva, que Zeus pôs em marcha seu plano para seduzir Alcmena.

Para tanto, metamorfoseado, apresentou-se à jovem como seu futuro marido, contando-lhe detalhes da batalha empreendida, dos golpes certeiros e apresentando como prova definitiva de sua identidade a taça de ouro utilizada pelo monarca derrotado, a qual inclusive ofertou à amada. Durante três dias consecutivos, Apolo, a pedido do pai, não percorreu o céu com o carro do sol, e durante essa longa noite, o deus dos deuses amou ardentemente Alcmena. Nesse período também Hermes, metamorfoseado em Sósia, um escravo de Anfitrião, guardou o portão. No dia seguinte ao idílio, retornou à cidade Anfitrião, que estranhou a reação da noiva, que o tratou com relativa indiferença, visto que esta acreditava já tê-lo encontrado na noite anterior. Anfitrião consultou o adivinho Tirésias que lhe esclareceu o ocorrido. Este irado, colocou a jovem numa enorme pira e ateou fogo mas foi detido pela intervenção de Zeus, que enviou uma chuva torrencial que apagou a fogueira. Compreendendo o sinal divino, o jovem reconsiderou e casou-se com Alcmena, a qual gerou de seus dois amantes, dois filhos: Hércules , fruto de seu encontro com o deus e Íficles, filho do mortal.

Hera, ao tomar conhecimento da declaração de Zeus que o primeiro filho nascido dentre os Perseidas, isto é, o primogênito na descendência de Perseu se tornaria rei, resolveu, para prejudicar o filho de sua rival retardar seu nascimento e favorecer Euristeu, filho de Estênelo e Nicipe, antecipando seu nascimento. Este, posteriormente tornou-se rei de Micenas, Mideia e Tirinto porque veio ao mundo com apenas sete meses de gestação. Alcmena, vítima de Hera, teve em muito aumentada suas dores de parto visto que a deusa enviou a filha Itília, cuja função era de assistir às parturientes, e as Parcas para retardar o nascimento do herói. Estas, sentadas à porta da jovem, cruzaram pernas e braços pra impedir que Alcmena desse à luz. A jovem tebana Galintia idealizou um plano para ajudar a amiga: avisou às guardiães que debalde seus esforços a criança havia nascido graças a Zeus. Ilítia e as Parcas acreditando terem fracassado em sua missão, abandonaram seu posto e dessa forma, Alcmenta pode enfim dar à luz Hércules, após dez meses de gestação.

Alcmena ficou tão assustada por estar metida no meio de uma briga entre Zeus e Hera que abandonou seu bebê fora de Tebas, a principal cidade de Micenas. Zeus, vendo o que acontecia, pediu à deusa Atena que levasse Hera para passar por ali. - Olhe esta criança tão forte, Hera, Atena exclamou. - Sua mãe deve ser louca para abandoná-lo. Você está amamentando, Hera. Dê-lhe um pouco de leite. Assim, deixando o bebê amamentar em seu seio, Hera foi induzida a salvar a vida de Héracles. Mais tarde, Atena

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Hércules quando criança esmagando duas serpentes

devolveu o bebê para Alcmena. - Guarde-o bem, ela disse. Um ano mais tarde, Hera tentou novamente despistar os planos de Zeus. Mandou duas terríveis serpentes, com escamas azuis e olhos flamejantes, para que enfiassem suas presas envenenadas na criança adormecida. De manhã, Alcmena encontrou Héracles sentado, murmurando de prazer, e pendurando as duas serpentes mortas nas grades de seu berço. Ele as tinha estrangulado com as suas próprias mãos. Esta foi apenas uma das maravilhosas façanhas praticadas por Héracles na infância.O nome dado originalmente a Héracles foi "Alcides", em homenagem a seu avô Alceu, pai de Anfitrião. O nome alternativo de Héracles (que quer dizer "À Glória de Hera") foi uma tentativa sem sucesso de apaziguar o ódio de Hera, louca de ciúmes pelas infidelidades do marido. Héracles teve que defender-se de suas perseguições desde a tenra infância . Ele cresceu alto e ereto, com olhos orgulhosos e força descomunal. Gostava de correr sob as estrelas, aprendeu a refletir e também a lutar. Era um especialista tanto no arco quanto na javalina, mas sua arma preferida era uma maça cortada de uma oliveira selvagem .

Ainda jovem, durante o ensino da escrita e da lira por Lino, filho de Apolo, Hércules durante um repentino acesso de fúria despedaçou a cadeira na qual estivera sentado na cabeça de seu professor que viajou imediatamente para a morada de Hades. Após a explosão de ira do seu filho, Anfitrião decide enviar o menino que expelia fogo dos olhos para as invernadas. Entre os pastores, Hércules aprenderia o uso do arco  e da lança. Ainda jovem confundia-se a gigantes e sua flecha não errava o alvo. Quando percorria o monte Citéron desarmado em busca do amedrontador leão que devastava os rebanhos de Tebas, Hércules, diante da insubmissa fera, arrancou do bruto solo uma oliveira junto às suas raízes e transformou-a numa clava que usou para abater o leão, cuja pele revestiu seu corpo, que desde então carrega o epíteto de Leontothýmon, o coração de leão. De volta a Tebas, Hércules livra a cidade de um pesado tributo a ser pago por conflitos de outrora. Ao encontrar-se com os mínios cobradores da bagatela de cem vacas anuais, Hércules arranca-lhes as orelhas e os narizes, pendura-os em torno do pescoço e devolve-lhes como pagamento do tributo após derrotá-los e insultá-los, Héracles obrigou os Mínios de Orcómeno a pagar um tributo duas vezes maior que o que haviam imposto a Tebas. Neste combate, morreu Anfitrião, que lutou corajosamente ao lado do filho. O rei de Tebas, Creonte, em agradecimento pela salvação entrega sua filha, Mégara à aliança com o herói que se torna assim o soberano de Tebas. Anos mais tarde, durante um ritual de libação, Hércules detinha-se diante da lareira prestes a sacrificar um cordeiro em oferenda aos deuses quando Hera envia do alto Olimpo Lýssa (a raiva) e Anóia (a demência). Lýssa, um daimon que detém a rara capacidade de encarnar-se no interior dos mortais, enlouquece por completo o herói, que. Transtornado. substitui os cordeiros pelos seus filhos lançando-os na fogueira. Assim que acabou de aniquilar os próprios filhos, lançou-se contra os sobrinhos, filhos de Iolau. Em seguida direcionou-se contra Mégara e Iolau, e obteria êxito se não fosse pela intervenção de seu irmão Íficles que retirou rapidamente as vítimas do palácio de Anfitrião. Passado o acesso de fúria, Hércules adormece e ao despertar parte rumo ao Oráculo de Delfos, onde interroga Pítia, a sacerdotisa do deus Apolo, sobre a possível forma de purificação para um crime tão hediondo. O silêncio da sacerdotisa desperta a ira do impuro Hércules, que, ao agarrar a trípode do santuário obriga a intervenção do próprio Apolo, o deus da cura. Homem e deus travam uma batalha pelo domínio do assento da sacerdotisa, do qual o herói sai vitorioso e obtém como resposta a recomendação para submeter-se às ordens de seu primo Euristeu em função do cumprimento dos doze trabalhos.Foi encontrado por seu primo Teseu,  para recuperar sua honra. O oráculo lhe contou que, como penitência, Hércules deveria executar uma série de dez tarefas, ou trabalhos, e servir doze anos a Euristeu, e ao final dos trabalhos ele se tornaria imortal4 . Euristeu era o homem que ele mais odiava, por haver herdado o seu direito de nascença==Os trabalhos[editar | editar código-fonte]==


[1][2]Hércules e o Leão da Nemeia, de J. M. Félix Magdalena

Em seus trabalhos, Hércules tinha frequentemente a companhia de um jovem companheiro (um eromenos) - de acordo com Licímnio e outros autores antigos - como por exemplo Iolau, seu sobrinho. Embora ele devesse inicialmente realizar apenas dez trabalhos, este auxílio fez com que ele tivesse de realizar dois a mais, já que Euristeu não contou o trabalho da Hidra, porque Iolau o havia ajudado, ou os estábulos de Aúgias, pelo qual recebeu pagamento pelo trabalho, e que foi realizado pelas águas de um rio.

A ordem tradicionalmente aceita, encontrada em Pseudo-Apolodoro5 é:

1. No Peloponeso, estrangulou o Leão da Nemeia - filho dos monstros Ortros e Equidna - que devastava a região e que os habitantes do local não conseguiam matar. Na segunda tentativa de matá-lo, tendo a primeira sido infrutífera, estrangulou-o, após com ele lutar. Acabada a luta arrancou a pele do animal com as suas próprias mãos e passou a utilizá-la como peça do vestuário. A criatura converteu-se na constelação de leão.


[3][4]'Hércules e a Hidra de Lerna, de Antonio Pollaiuolo

2. Matou a Hidra de Lerna, filha monstruosa de duas criaturas grotescas, a Equidna e Tifão. Era uma serpente com corpo de dragão, que possuía nove cabeças (uma delas parcialmente de ouro e imortal, que se regeneravam), mal eram cortadas, e exalavam um vapor que matava quem estivesse por perto. Hércules matou-a cortando suas cabeças enquanto seu sobrinho Iolau impedia sua reprodução queimando suas feridas com tições em brasa. A deusa Hera enviou ajuda à serpente – um enorme caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se na constelação de Câncer (do latim cancer, "caranguejo"). Por fim, o herói banhou suas flechas com o sangue da serpente para que ficassem envenenadas.

3. Alcançou correndo a Corça de Cerineia, um animal lendário, com chifres de ouro e pés de bronze. A corça, que corria com assombrosa rapidez e nunca se cansava, era Taígete,ninfa que, para fugir a perseguição de Zeus foi transformada por Ártemis no animal. Como ela tinha uma velocidade insuperável, Hércules a perseguiu incansavelmente durante um ano até que, exausta, foi atingida por uma flecha disparada pelo herói. Ferida levemente, foi levada nos ombros do herói até o reino de Euristeu. Em outra versão do mito, Héracles tinha de capturar a corça, mas sem machucá-la; ele a perseguiu durante um ano, até conseguir pegá-la com uma rede, porém ela acabou se ferindo. O herói pôs então a culpa em Euristeu, para que Ártemis se zangasse com ele. Em uma terceira versão, Hércules levou um ano para realizar o trabalho a seguir, que era capturar a corça que habitava o monte Cerineu. Este animal parecia ser mais tímido do que perigoso, e sagrado para Ártemis; Hércules finalmente aprisionou-a e estava levando-a para Euristeu quando se encontrou com Ártemis, que estava muito zangada e ameaçou matá-lo pelo atrevimento em capturar seu animal; mas quando ficou sabendo sobre os trabalhos, concordou em deixar Hércules levar o animal, com a condição que Euristeu o libertasse logo que o tivesse visto.


[5][6]Ânfora ática mostrando Hércules e as aves do lago Estínfaloca. 540 a.C.,Museu Britânico

4. Capturou vivo o Javali de Erimanto, que devastava os arredores, ao fatigá-lo após persegui-lo durante horas. Euristeu, ao ver o animal no ombro do herói, teve tamanho medo que foi se esconder dentro de um caldeirão de bronze. As presas do animal foram mostradas no templo de Apolo, em Cumas.

5. Limpou em um dia os currais do rei Aúgias, que continham três mil bois e que há trinta anos não eram limpos. Estavam tão fedorentos que exalavam um gás mortal. Para isso, Hércules desviou dois rios.

6. Matou no lago Estínfalo, com suas flechas envenenadas, monstros cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, e que, pelo seu gigantesco tamanho, interceptavam no vôo os raios do Sol. Com seu arco, conseguiu matar alguns e os outros, expulsou a outros países.

7. A sétima tarefa de Hércules era levar o Touro de Creta vivo até Euristeu, que por sua vez entregaria-o a Hera. O touro era enraivecido e aterrorizava o povo da ilha grega de Creta, pois Poseidon, o deus dos mares, o havia oferecido a Minos, rei local, cini sacrifício, e o rei não teve coragem de sacrificar um animal tão bonito e tão forte. Hércules não só capturou-o como, montado no animal, levou-o até Euristeu.

[7][8]Héracles, empunhando seu tacape, arrasta Cérbero para fora do Hades. À direita, Perséfone, e à esquerda,Hermes e Atena.

8. Castigou Diómedes (rei da Trácia), filho de Ares, possuidor de cavalos que vomitavam fumo e fogo, e a que ele dava a comer os estrangeiros que as tempestades arrolavam à sua costa. O herói entregou-o à voracidade de seus próprios animais.

9. Venceu as amazonas, tirou-lhes a rainha Hipólita, apossando-se do cinturão mágico que ela vestia.

10. Matou o gigante Gerião, monstro de três corpos, seis braços e seis asas, e tomou-lhe os bois que se achavam guardados por um cão de duas cabeças, e um dragão de sete.

11. O seu décimo primeiro trabalho foi colher os pomos de ouro do Jardim das Hespérides, após matar o dragão de cem cabeças que os guardava. O dragão foi morto por Atlas, a seu pedido, e durante o trabalho, ele sustentou o céu nos ombros no lugar do titã.

12. O último trabalho consistiu em trazer do mundo dos mortos o seu guardião, o cão CérberoHades autorizou-o a levar Cérbero para o cimo da Terra sob a condição de conseguir dominá-lo sem usar as suas armas. Hércules lutou com ele só com a força dos seus braços, quase o sufocou, dominando-o. Depois levou-o a Euristeu, que, com medo, ordenou-lhe que o devolvesse.


 Ao ingressar na senda que o levaria ao cumprimento dos doze trabalhos, Hércules, diz a tradição, diante da gigantesca tarefa que o esperava, recebeu vários presentes e conselhos dos deuses. De Palas Athena recebeu uma túnica, de Poseidon cavalos, de Hefesto um peitoral dourado para proteger seu nobre coração, de Hermes uma espada, de Hélios um carro (biga) e de Apolo o arco e as flechas, que, segundo palavras do próprio deus solar, só os saberia usar bem a partir do seu nono trabalho. Diz também a tradição que Hércules recebeu os presentes divinos, agradeceu, mas os deixou guardados num bosque próximo de Argos. Desse mesmo bosque retirou um tronco de oliveira selvagem do qual fez uma clava; era o presente que dava a si mesmo. Afastou os professores, com impaciência ouviu os conselhos, logo esquecidos, e renunciou ao nome de Alcides.     

[9] Os doze trabalhos são as provas a que Euristeu, rei de Argos, submeteu Hércules. São doze provas principais dentro das quais encontramos vários outros episódios, considerados às vezes como secundários, mas não menos importantes. Ao todo um vastíssimo plano, cheio de labirintos, desvios, descidas, subidas, quedas, acessos, uma viagem em meio a muitas trevas para que, ao final, um novo ser possa surgir. Simbolicamente, os acontecimentos, no seu todo, representam o trânsito do Sol pelas doze constelações zodiacais, uma proposta de autotransformação,  o caminho da libertação, que nosso herói, não conseguiu.  

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