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Herodíade

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A Vingança de Herodíade, de Juan de Flandes (1496)

Herodíade (Herodias, em inglês) foi, historicamente, uma princesa judia, nascida por volta de 15 a.C. e falecida depois de 39 d.C.

Filha de Aristóbulo IV e neta de Herodes, o Grande, ficou órfã em 7 a.C., quando o avô mandou executar os príncipes Aristóbulo e Alexandre por suspeitar de que pretendiam depô-lo. Em 4 a.C., Herodes, gravemente doente, mandou executar Antípatro, o próximo herdeiro, por acreditar que ele o envenenara. Versões exageradas dessa seqüência de execuções de filhos suspeitos de conspirar contra o trono podem ter originado a narrativa do "Massacre dos Inocentes" nos Evangelhos, que não é confirmada por fontes históricas independentes. Ao morrer, Herodes decidiu dividir o reino entre três dos filhos restantes, Herodes Antipas, Herodes Filipe II e Herodes Arquelau, que governaram seus pequenos principados com o título de "tetrarcas".

No ano 1 ou 2 d.C., Herodíade casou-se com outro dos filhos de Herodes, Herodes Filipe I - que chegara a ser o segundo na linha de sucessão após Antípatro, mas foi deserdado -, e teve com ele uma filha chamada Salomé. Em 23 d.C., porém, divorciou-se dele para se casar com um tio mais poderoso: Herodes Antipas, que era então o Tetrarca da Galiléia e Peréia. Este divorciou-se, por sua vez, de sua primeira esposa.

João Batista opôs-se ao casamento de Herodíade, por considerá-lo ilegal - o Levítico proíbe "ver nua a esposa do irmão". Segundo os Evangelhos, Herodíade foi a responsável pela execução de João Batista, fazendo sua filha Salomé dançar para Herodes Antipas e seus convidados e pedindo em troca a cabeça do profeta. Parece mais lógico que o próprio Antipas tenha decidido executá-lo, por temer sua a influência subversiva.

Em 37, Herodes Agripa, sobrinho de Antipas e irmão de Herodíade que se tornara amigo do imperador Calígula, foi nomeado por este herdeiro do recém-falecido Herodes Filipe I, tetrarca da Batanéia e Traconítide. Herodíade e Antipas protestaram contra a nomeação arbitrária e em 39 este viajou para Roma para reivindicar a sucessão e o título de Rei da Judéia.

Mas Caligula, em vez disso, depôs Antipas - acusado por Agripa de conspirar com os partas - e o condenou ao exílio em Lugdunum, na Gália (atual Lyon). Calígula permitiu a Herodíade voltar a Judéia e viver na corte de Agripa, se quisesse, mas ela preferiu acompanhar o marido ao exílio, onde morreu.

A Herodíade Medieval Editar

Aradia.jpg

Estatueta de Aradia como rainha das bruxas, usada na Wicca

Na Europa medieval, difundiu-se a crença de que "Herodíade" era a líder, demônia ou deusa de um culto de feiticeiras, que também foi identificada como Diana, Sácia, Abúndia, Fortuna etc. Na Idade Média, a Igreja freqüentemente classificou como culto de Diana ou de Herodíade várias aparentes sobrevivências de cultos e superstições pagãs e chamou as "bruxas" que as praticavam de "dianas", termo mais tarde popularmente alterado para janas.

Não se sabe ao certo como a personagem bíblica foi sincretizada com uma divindade pagã, mas é possível que a confusão tenha se originado de um sincretismo da grega Hera com a romana Diana - Heradiana -, que veio a ser erradamente interpretada pelos inquisidores como Herodias ou Herodíade. Assim, a astuta e sedutora princesa judia teria se tornado filha, companheira ou mesmo equivalente de uma deusa pagã.

Aradia Editar

Segundo teria ouvido o folclorista estadunidense Charles Leland de uma informante chamada Maddalena, uma seita clandestina de feiticeiras da Toscana adorava uma deusa chamada Aradia, corruptela de Herodíade. A obra de Leland, Aradia ou o Evangelho das Feiticeiras, publicado em 1899, tornou-se um dos textos fundadores da Wicca e do neopaganismo moderno.

Madona Oriente Editar

Em História Noturna: decifrando o Sabá, o historiador Carlo Ginzburg descreve um processo inquisitório de 1390, no qual um inquisidor milanês mencionou mulheres que haviam confessado a seu predecessor que participava regularmente do "jogo de Diana que chamam Herodíade". Na verdade, segundo as sentenças originais examinadas por Ginzburg, Sibillia e Pierina chamavam o objeto de seu culto de "Madona Oriente". Toda quinta-feira, saíam com Oriente e sua "sociedade".

Oriente as chamava "filhas" e respondia às suas perguntas, predizendo coisas futuras e ocultas. Com base nessas predições, Sibillia respondia às perguntas de muitas pessoas, dando-lhes informações e ensinamentos. Pierina aprendia as utilidades das ervas, remédios para doenças e o modo de encontrar as coisas roubadas e afastar malefícios. Via a Madona Oriente como a senhora de sua "sociedade", assim como Cristo era o senhor do mundo. Sua função era proporcionar mais bens materiais, mais colheitas, mais gado ao povo - que, aliás, venerava Cristo e os santos com o mesmo objetivo.

Às vezes, suas seguidoras matavam bois e comiam a carne destes; depois, recolhiam os ossos e os colocavam dentro das peles dos animais mortos. Então Oriente tocava as peles com a ponta de sua varinha e os bois ressuscitavam - embora não conseguissem mais trabalhar. Essa curiosa narrativa lembra o mito de Dioniso, que foi sacrificado na forma de touro pelos Titãs e devorado - exceto pelo coração, salvo por uma deusa (Atena, Reia ou Deméter) e ressuscitado por Zeus. Lembra também o auto do bumba-meu-boi e suas variações regionais (boi-bumbá, boi de Janeiro etc.), que também giram em torno da ressurreição de um touro.

Veja também Editar

Janas

Diana

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