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Iaras

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Fascinaiara
Fascinação da Iara, de Teodoro Braga (1929)
IctoonAdicionada por Ictoon

Segundo Câmara Cascudo [1], mães-d'água (forma popular), iaras (forma convencional e literária, de yara, "senhora", em tupi) ou uiaras (outra forma literária, de yg, "água" e yara) são nomes dados no Brasil a sereias de tipo europeu, meio peixes, que frequentemente, como sua contraparte europeia, são alvas e louras e cantam para atrair o namorado, que morre afogado querendo acompanhá-la ao fundo das águas.

Iara Editar

A palavra, na forma yára aparece em 1886, uiara e uyara em 1899, uyáras em 1907 , oiára em 1913 e iara em 1928.

Na arte e literatura do século XX, porém, houve uma tendência a imaginá-las com pernas humanas, tornando-as mais semelhantes às náiades gregas. Em Monteiro Lobato, por exemplo, uma iara é descrita como "uma ninfa de deslumbrante beleza, em repouso numa pedra verde de limo, a pentear com um pente de ouro os longos cabelos verdes cor do mar (...) Em torno dela centenas de vagalumes descreviam círculos no ar; eram a coroa viva da rainha das águas" [2]. Outros as descreveram como morenas, mestiças ou indígenas, mais de acordo com os tipos físicos mais comuns no País.

O nome de iara ou uiara é dado também ao boto-vermelho (Inia geoffrensis).



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 A Lenda da Cuca
 A Lenda da Dama da Meia Noite
 A Lenda da Iara
 A Lenda da Mula sem Cabeca
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Mãe-d'água Editar

É o nome mais popular fora da Amazônia. Segundo o dicionário Houaiss, a forma mãe-d'água é registrada desde 1716, mas referia-se originalmente ao mito ofídico das águas, elemento cosmogônico das populações indígenas brasileiras, cuja crença ainda sobrevive em certas áreas como boiúna ou cobra-grande. A concepção da mãe-d'água como mulher-peixe aparece da segunda metade do século XIX em diante.

São Francisco (mulher-peixe) Editar

Alfredo do Vale Cabral recolheu várias descrições ao longo do Rio São Francisco que se enquadram no modelo da sereia europeia, exceto pela aparência "cabocla" (indígena) e pela ausência do canto sedutor[3]:

É uma caboclinha, gordinha, cabelo derramado, parte de gente, parte de peixe. Ouve-se a zoada delas quando estão cavando a areia embaixo das beiradas (do rio), onde fazem grande buracão. Moram debaixo d'água. Pega a gente e leva para o fundo do rio. Contou um piloto que a mãe-d'água tinha, em Curral de Pedras, carregado da sua casa uma moça branca, quando uma noite foi buscar água no rio. Também sabia que um negro tinha sido carregado pela mãe-d'água. (Curral de Pedras)

Aparece sempre de noite, que é quando se ouve a zoada dela. Cava e quebra a ribanceira (do rio), quando anda na vadiação. Há muitas. Parte de gente, parte de peixe. (Pão de Açúcar).

Da cintura para baixo, é peixe, e para cima, é cabocla, com um cabelão que bate na cintura. Só toma banho de noite, que é quando aparece. Não canta como as sereias do mar (Penedo).

É uma espécie de cabocla com o cabelo todo derramado, metade gente, metade peixe. Mora no rio (Propriá).

É uma cabocla, e do umbigo para riba é gente, para baixo, peixe (Furado).

São Francisco ("caboclinha") Editar

Outras descrições compiladas na mesma fonte dão à mãe-d'água um corpo que parece inteiramente humano, embora possa ser diminuto ou passar por metamorfoses[4]:

Tem um cabelão grande que derrama embaixo. É um modo de caboclinha. O corpo é todo de gente. É vermelhinha da cor de um caboclo. Agüenta o sol no tempo de verão. No inverno, não aparece. Mora dentro da água, sai para terras, porém a morada dela é no rio. Há muitas mães-d'água. Moram nos lugares mais fundos. Quando elas saem em algumas beiradas das corredeiras, elas vão vadiar ali e cavam a terra, e o barro cai. Quase sempre cavam onde tem plantações de mandioca, feijão, milho... Quem planta tudo isso na beirada, perde por causa delas. pode ter mais ou menos um metro de altura (Aricuri).

Parece-se com gente, tem o cabelo muito grande. Às vezes, apanhando de jeito, pega gente para carregar para onde ela mora. Há muitas. Moram debaixo d'água. Aparecem a toda hora, de dia e de noite. Elas cavam, derrubam as ribanceiras de beira de rio, por vadiação (Vila Nova).

É uma tapuinha com um cabelo muito grande. Às vezes vira-se em cágado dourado e a gente quando o apanha é a mãe-d'água. Cava as beiradas dos rios por baixo e estraga as plantações. Às vezes se apanha ela na rede, mas é muito raro (Curral de Pedras e Pão de Açúcar).

É toda gente, com um cabelão muito grande e mora no fundo da água (Paulo Afonso).

Notas Editar

  1. Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, São Paulo: Global, 2000
  2. Monteiro Lobato, O Saci, São Paulo: Brasiliense, 2003
  3. Alfredo do Vale Cabral. Achegas ao estudo do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura / Fundação Nacional de Artes, 1978, p.61-63
  4. Alfredo do Vale Cabral. Achegas ao estudo do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura / Fundação Nacional de Artes, 1978, p.61-63

Veja também Editar

Cis

Mãe-do-fogo

Mãe-do-mato

Mãe-do-ouro

Náiades

Sereias

Sirenas

Ondinas

Ninfas

Vilas

Janas

Rusalkas

Nixes

Ligações externas Editar

  • Jangada Brasil: Seres sobrenaturais e fantásticos [1]

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