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Mascúlia e Feminina, ou ilha Macho e ilha Fêmea são duas ilhas vizinhas que, segundo uma lenda medieval e da época dos Descobrimentos originada em Marco Polo, eram habitadas respectivamente só por homens e só por mulheres.

Em 1299, no capítulo 37 de sua obra Il Milione, Marco Polo descreveu o reino de Resmacoron, na fronteira noroeste da Índia:

Para além do reino de Resmacoron, a 50 milhas (92 km) em alto-mar, se encontram ao sul duas ilhas, distantes entre si por cerca de 30 milhas (55 km). Numa habitam homens sem mulheres e ela se chama em sua língua ilha Macho e na outra, ao contrário, habitam mulheres sem homens, e esta ilha se chama Fêmea. Os que habitam essas ilhas formam uma comunidade e são cristãos. As mulheres nunca vão à ilha dos homens, mas os homens vão à ilha das mulheres e com elas vivem por três meses consecutivos. Cada um mora em sua casa com sua esposa e, em seguida, retorna à ilha Macho, onde fica durante o resto do ano. As mulheres conservam seus filhos do sexo masculino até os 14 anos para em seguida enviá-los aos pais. As mulheres dão de comer à sua progenitura e cuidam de certos frutos da ilha, enquanto os homens conseguem alimentos para eles mesmos, seus filhos e suas mulheres. São excelentes pescadores e pescam uma infinidades de peixas, que vendem frescos ou secos aos negociantes. Eles obtêm lucros importantes com o peixe, embora reservem uma quantidade para eles mesmos. Alimentam-se de leite, carne, peixe e arroz. Existe, nesse mar, grande abundância de âmbar, e grandes cetáceos podem ser pescados nessas águas. Essa gente não tem rei, mas reconhece como senhor seu bispo, porque são submetidos ao bispo de Scoiram, e possuem sua própria língua.

A história pode ter sido inspirada por alguma sociedade matrilinear, na qual o domicílio conjugal é o da família materna; os maridos moram com suas esposas, mas é a família da mãe que cria as crianças e toma as decisões a seu respeito.

Niccolò da Conti (1395 – 1469), também um mercador viajante veneziano, repetiu a lenda das ilhas paralelas, mas as situou a menos de cinco mil passos (9 km) da ilha de Socotra. Ali, são ora as mulheres que visitam os homens, ora o contrário; mas em ambos os casos, os visitntes devem retornar às suas casas antes do termo de seis meses. Caso contrário, morrem.

No globo terrestre de Martin Behaim, de 1492, um pequeno arquipélago do Índico tem a seguinte legenda: "Sconia é uma ilha situada a trezentas léguas italianas (1.653 km) das duas ilhas Masculina e Feminina. Seus habitantes são cristãos e têm um arcebispo. Aqui cresce o âmbar e são feitos bons tecidos de seda."

Referências Editar

  • Jorge Magasich-Airola e Jean-Marc de Beer, América Mágica: quando a Europa da Renascença pensou estar conquistando o Paraíso. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

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