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Jaci, segundo Teodoro Sampaio, vem do tupi îa-cy, "mãe dos frutos". A palavra designa a Lua, o mês lunar e um o ornato feito de um pedaço de concha branca e talhado em forma de crescente.

Segundo Câmara Cascudo, na teogonia indígena Jaci era irmã do Sol (Coaraci) e também sua esposa. Presidia a vida vegetal. Os indígenas faziam grandes festas, com comida e bebida, cantos e danças, logo que aparecia a lua nova (Iaci omunhã, Iaci oiumunhã, Iaci pisasu); e na lua cheia (Iaci icaua ou Iaci-ruaturusu).

Segundo a classificação do indianista Couto de Magalhães, publicada em O selvagem, Jaci ou Lua, que é a mãe dos vegetais, é um dos três deuses superiores da teogonia tupi e lhe são submetidos o Saci-Pererê, o Mboitatá, o Urutau e o Curupira.

É preciso observar, no entanto, que esta sistematização proposta por Couto de Magalhães é questionada por diversos autores. Luís da Câmara Cascudo, em seu Dicionário do folclore brasileiro, adverte : "Não há vestígios que fundamentem a existência de um culto astrolátrico entre os indígenas do Brasil."

Jaci e a Vitória-Régia Editar

Lenda da Vitoria Regia.jpg

Lenda da Vitória Régia, pintura de Marco Lenísio

Apesar de vários folcloristas considerarem Jaci uma irmã e esposa de Coaraci, uma lenda muito difundida lhe dá um papel masculino:

Jaci de quando em quando descia à Terra para buscar alguma bela virgem e transformá-la em estrela do céu para lhe fazer companhia. Ouvindo aquilo, uma bela índia chamada Naiá apaixonou-se por Jaci e quis também virar estrela para brilhar ao lado de Jaci.
Durante o dia, bravos guerreiros tentavam cortejar Naiá , mas era tudo em vão, pois ela recusava todos os convites de casamento. E mal podia esperar a noite chegar quando saía para admirar Jaci, que parecia ignorar a pobre Naiá. Esperava sua subida e descida no horizonte e já quase de manhãzinha saia correndo em sentido oposto ao Sol para tentar alcançar a Lua. Corria e corria até cair de cansaço no meio da mata. Noite após noite, a tentativa de Naiá se repetia, até que adoeceu. De tanto ser ignorada por Jaci, a moça começou a definhar.
Mesmo doente, não havia uma noite que não fugisse para ir em busca da Lua. Numa dessas vezes, a índia caiu cansada à beira de um igarapé. Quando acordou, teve um susto e quase não acreditou: o reflexo da Lua nas águas claras do lago a fizeram exultar de felicidade! Naiá, em sua inocência, pensou que a Lua tinha vindo se banhar no lago e permitir que fosse tocada. Finalmente estava ali, bem próxima de suas mãos. Naiá não teve dúvidas: mergulhou nas águas profundas, mas acabou se afogando. Jaci, vendo o sacrifício da índia, resolveu transformá-la numa estrela incomum. O destino de Naiá não estava no céu, mas nas águas a refletir o clarão do luar. Jaci transformou-a na Vitória Régia, que sempre dança com as estrelas e com a lua, quando os lagos refletem o céu em todo o seu esplendor.
Até hoje, em noites de lua cheia, Naiá, a Vitória Régia, abre suas flores brancas para se banhar com a luz de Jaci.

Referências Editar

  • Luís da Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 2000
  • FFCLRP: A Lenda da Vitória-Régia [1]

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