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Oncas

Jaguar ou onça pintada (Panthera onca), exemplares normal e melanístico ("onça negra")

O jaguar ou onça pintada (Panthera onca) é o terceiro maior felino (depois do tigre e do leão) e o carnívoro mais poderoso das Américas.

Seu hábitat original compreendia todas as áreas tropicais e subtropicais das Américas em altitudes de até 2.000 m e quantidade satisfatória de cobertura vegetal, água e caça. Isso inclui selva tropical, floresta subtropical (inclusive de araucárias), cerrados, pantanais, caatingas, pampas e desertos (salvo os mais áridos).

Nomes em outras línguas: yawara (tupi e guarani antigos), jaguaretê (nheengatu moderno) uturunku (quéchua), ocelotl (náhuatl), b’alam (maia), nahuel (mapuche), jaguar (holandês, espanhol, inglês e francês), tigre (espanhol).

O Jaguar no mito e no folclore Editar

A onça foi sagrada para várias civilizações indígenas, principalmente as dos Olmecas (do México) e dos Chavín (do Peru), que adoravam um deus supremo com traços de jaguar. Em alguns mitos indígenas, o jaguar aparece como herói civilizador que dá o fogo e a tecelagem do algodão aos homens.

Na terceira era dos Maias-Quichés, que corresponde à agricultura, o jaguar representa a deusa da lua e da terra, representada com garras de jaguar. As feiticeiras também se apresentavam sob a forma de onças. Os maias às vezes representavam a terra no ato de devorar o Sol e aos crepúsculo como uma goela de jaguar aberta para o astro.

Para os astecas, o jaguar é uma expressão das forças internas da terra, simétrico à águia, que representa o céu e ambos patrocinam as duas grandes ordens de guerreiros. O imperador recebia a homenagem de seus guerreiros sentado num trono sobre um tapete de penas de águia, com recosto de pele de jaguar.

A associação também existiu no Brasil: os meninos tupinambás recém-nascidos recebiam, por ocasião do nasciento, patas de onça e pés de harpia (águia brasileira). Esse povo também acreditava em uma onça celeste, da cor do lápis-lazúli, que devora o Sol e a Lua, por ocasião dos eclipses. No fim do mundo, ela descerá à terra e se lançará sobre os homens para fazer deles sua presa; até lá, dorme debaixo da rede de Nhanderuvuçu, o deus supremo.

No folclore brasileiro, a onça personifica a força bruta, geralmente derrotada pela astúcia do coelho, do sapo ou do macaco. No Amazonas e Acre, há lendas sobre uma fabulosa onça-boi ou onça com pé de boi, sempre um casal que encurrala o caçador em uma árvore e se reveza na emboscada até que o infeliz caia de sono ou de fraqueza – o único modo de vencê-las é matar a fêmea, o que faz fugir o macho.

Há também a lenda da Onça-Cabocla, do vale do São Francisco, que se transforma em uma velha índia.

O animal real Editar

Dimensões médias Editar

Os machos da subespécie mais típica, encontrada na maior parte do Brasil, tem, em média, 1,55 m de comprimento (mais 50 cm de cauda) e as fêmeas, 1,40 m (mais 45 cm de cauda). A altura média é de 70 cm. A massa média é de 95 kg para os machos e 70 kg para as fêmeas.

Comportamento Editar

Uma onça pintada pode saltar três metros em altura ou em distância sem precisar tomar impulso e pode cair de até quatro metros de altura sem se machucar. Trepa com facilidade em árvores, atravessa grandes rios a nado e é uma caçadora hábil e sagaz. Contra um caçador corajoso que tenha uma lança ou facão, a luta normalmente é equilibrada.

Suas presas preferidas são queixadas e caititus (porcos do mato) solitários, capivaras, pacas, cutias, tatus, jacarés e tartarugas, mas também come jibóias, antas, tamanduás, cangambás, preguiças, aves aquáticas e peixes grandes. Se a caça escasseia, ataca vacas, cavalos, porcos e cães. Receia, porém, humanos, touros crescidos, suçuaranas, grandes sucuris e porcos do mato em vara (grupo). Caçadores que imitam o pio das aves (principalmente do macuco) para atraí-las em lugares onde há uma onça correm o risco de enganá-la e serem atacados por ela.

Caminha normalmente 2 a 5 km por dia, por vezes até 20 km. Perseguida, pode percorrer até 65 km numa só tarde. Costuma caçar no início da noite, dormir da meia-noite às 3 da madrugada e durante a manhã até o meio-dia. Ruge de forma semelhante ao tigre e também produz um estalido característico quando mexe as orelhas, que pode ser reconhecido por caçadores ou zoólogos experientes. Pode alcançar mais de 60 km/h em distâncias curtas (até 200 m), mas não tem resistência para corridas mais longas. Com suas presas e mandíbulas, tão poderosas quanto as de um leão, consegue, sem esforço, perfurar o crânio de uma capivara ou o casco de uma tartaruga.

Costuma fazer emboscadas e saltar sobre a vítima, tentando mordê-la através da nuca ou do crânio. Para caçar um animal grande, como uma vaca, salta por trás ou do lado e a derruba, quebrando-lhe o pescoço na queda. Mata animais pequenos com uma patada na cabeça. Quando ferida, mesmo levemente, pode reagir com um ataque furioso.

Depois de subjugada a vítima, ela a carrega para lugar seguro e, se sobra carne, guarda a carcaça para o dia seguinte. O território de um macho estende-se no mínimo por 30 km², o de uma fêmea, por 10 km².

Reprodução Editar

A onça vive até 12 anos em estado selvagem e 20 em cativeiro. O macho atinge a maturidade em 3 anos e a fêmea em 2 anos. A gestação dura 100 dias e a ninhada é de um a quatro filhotes.

Distribuição e subespécies Editar

Originalmente, a espécie era encontrada em todo o Brasil. Nas Américas, sua distribuição se estendia do Texas e da Califórnia até o norte da Patagônia, salvo as terras mais altas ou mais desérticas. No início do século XXI, sobrevive na Amazônia, selvas da América Central, Guianas, Chaco, Pantanal, algumas áreas da Caatinga e algumas matas do Paraguai, Paraná e Misiones (Argentina).

Existem onças brancas (albinas) e onças negras (melanísticas). Não constituem verdadeiras subespécies, mas simples variações individuais, como as da cor do cabelo nas pessoas. As onças negras são mais comuns em selvas densas, que as camuflam melhor.

Conhecem-se as seguintes subespécies (raças naturais) de onças:

  • Panthera onca arizonensis: sudoeste dos EUA e noroeste do México
  • Panthera onca veraecrucis: Texas e na costa mexicana do Atlântico
  • Panthera onca hernandesii: costa mexicana do Pacífico
  • Panthera onca goldmani: Chiapas, Iucatã e América Central
  • Panthera onca centralis: Panamá
  • Panthera onca onca: Amazônia e maior parte do Brasil – é a raça mais comum
  • Panthera onca peruviana: região andina
  • Panthera onca paraguayensis: Paraguai e Pantanal, localmente conhecida como canguçu.
  • Panthera onca augusta: onça pré-histórica gigante, de patas mais longas.

O tamanho tende a variar de acordo com o tamanho da caça disponível em cada uma dessas regiões.

Os jaguares da América Central são os menores: Comprimento médio: machos, 1,35 m (mais 40 cm de cauda), fêmeas, 1,20 m (mais 40 cm de cauda). Altura média: 60 cm. Massa média: machos 60 kg, fêmeas 50 kg.

Os maiores jaguares são as canguçus (onças do Pantanal): Comprimento médio: machos, 1,70 m (mais 55 cm de cauda), fêmeas, 1,40 m (mais 50 cm de cauda). Altura média: 75 cm. Massa média: machos 120 kg, fêmeas 80 kg. Os maiores machos podem chegar a 2,00 m (mais 70 cm de cauda) e 160 kg.

As onças pré-históricas eram ainda maiores e mais rápidas: Comprimento médio: machos, 2,00 m (mais 70 cm de cauda), fêmeas, 1,80 m (mais 60 cm de cauda). Altura média: 1 metro. Massa média: machos 200 kg, fêmeas 150 kg.

Híbridos Editar

As onças podem ser cruzadas com leopardos: se a mãe é a onça, a cria é chamada leguar; quando é a leoparda, chama-se jagopardo. Os híbridos são saudáveis e maiores que as onças ou os leopardos comuns. As fêmeas híbridas podem ser férteis.

Veja também Editar

Onça-boi

Onça (lendária)

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