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Lobo

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Redireccionado de Lobos

Lobo

Lobo verdadeiro (Canis lupus)

O lobo (Canis lupus) é um mamífero selvagem, pertencente à família dos canídeos, gênero Canis, considerado o ancestral comum a todas as espécies de cães conhecidos.

Seu hábitat original compreendia tundras, florestas, campos, estepes e desertos de quase toda a Eurásia e América do Norte ao norte do paralelo 15°, exceto no leste e sudeste da América do Norte, ocupado por espécies ligeiramente diferentes, Canis lycaon e Canis rufus.

Nomes em outras línguas: wolf (inglês, holandês e alemão), lupo (italiano), otso (basco), llop (catalão), faol ou mactíre (irlandês), volk (russo), wilki (polonês), tha’lab (árabe), ze’ev (hebraico), vrka (sânscrito), gorg (persa), susi (finlandês), okami (japonês), láng (mandarim), lykos (grego), lupus (latim), cuetlachtli (nahuatl).

O Lobo no mito e no folclore Editar

O lobo é mais freqüentemente um símbolo de crueldade, rapacidade e cobiça. O Lobo Mau que come criancinhas (como Chapeuzinho Vermelho) é um dos bichos-papões mais comuns no folclore europeu, pois os lobos eram uma ameaça comum aos rebanhos (e a principal razão pela qual os homens criavam cães pastores e recolhiam o gado à noite) e lobos hidrófobos ocasionalmente atacam pessoas. Na Grécia antiga, as crianças mal-comportadas eram ameaçadas com a loba de Mormoliceu, ama-de-leite de Aqueronte.

O mais famoso dos "lobos do mal" é Fenris ou Fenrir, que na mitologia nórdica é filho de Loki. Temido pelos deuses de Asgard, foi amarrado com a inquebrável corda Gleipnir pelo deus Tyr, que com isso perdeu a mão que havia colocado entre suas mandíbulas para enganá-lo. No fim do mundo, Fenris se soltará e matará o deus supremo Odin. Os dois filhos de Fenrir, Hati e Sköll, que perseguiam os deuses solar (Sunna) e lunar (Mani), conseguem alcançá-los e devorá-los.

Também é forte a associação do lobo com a magia: segundo as crenças medievais, feiticeiros transformavam-se em lobos para ir ao Sabá e feiticeiras usavam ligas de pele de lobo. Na Espanha, lobos serviam de montaria a feiticeiros. A lenda do lobisomem e de lobos possuídos por demônios também assombravam as mentes dos europeus.

O lobo (e mais ainda a loba) também pode ser símbolo de libertinagem. Em Roma, lupa (loba) era sinônimo de prostituta (daí lupanar, sinônimo de bordel).

Na China, a estrela Sírius (estrela do Cão para os ocidentais) é conhecida como "O Lobo Celestial". Os 50 dias a partir do momento em que essa estrela começa a se tornar visível no Hemisfério Norte (entre julho e agosto), são conhecidos na Europa como canícula ou, em inglês, dog days, porque é a época de maior calor, durante os quais a hidrofobia ataca cães e lobos com maior freqüência.

Por outro lado, o Lobo também é um símbolo de bravura e heroísmo. Na Grécia, o lobo era consagrado a Apolo, nesse papel chamado Lykios (lupino) e o deus Hades se vestia com uma capa de pele de lobo. Zeus também tinha uma forma lupina (Lykaios). O ancestral mítico de Gengis Khan era um lobo cinzento e as tribos turcas freqüentemente carregavam uma cabeça de lobo em seu estandarte. Um provérbio chinês diz que “é melhor matar dez tigres que um lobo”, pois os tigres são solitários, mas a alcatéia pode vingar um dos seus.

Nos países bálticos, existiu a crença em lobisomens benevolentes. Tais “lobisomens” eram homens reais que nasciam empelicados (envolvidos em sua membrana amniótica) o que, segundo a crença popular, os predestinava a esse papel. Em transe, viam-se como lobos a descer aos infernos e enfrentar demônios, bruxos e bruxas pelo bem de sua comunidade, nas noites de Santa Lúcia (13 de dezembro), Pentecostes (domingo sete semanas depois da Páscoa, geralmente em maio) e São João (24 de junho), para trazer de volta o gado, os cereais e os frutos da terra roubados pelos espíritos do mal e garantir um ano de fartura.

Vários povos têm lendas sobre lobos que adotam e criam crianças pequenas que foram perdidas ou abandonadas. Além da lenda romana de Rômulo e Remo, há no norte da China um conto popular a respeito de uma criança criada por um lobo, que depois de crescido procurou os conselhos do pai adotivo.

O animal real Editar

Para distingui-los dos “lobos vermelhos” do Sudeste dos EUA, os estadunidenses costumam chamar os animais da espécie Canis lupus de gray wolves, “lobos cinzentos” mas "o adjetivo pouco apropriado e dá margem a mal-entendidos. A coloração dos lobos "cinzentos" é bem variável – do branco ao preto, passando por vários tons de cinza e pardo e padrões mesclados característicos de certas subespécies.

O pescoço costuma ser coberto por uma “juba”, geralmente de cor mais escura que o restante da pelagem e a barriga tende a ser mais clara.

Dimensões médias Editar

O maior lobo já medido cientificamente pertencia a subespécie das Montanhas Rochosas e pesava 79 kg. As dimensões médias de lobos adultos são as seguintes:

Regiões frias: machos, 1,35 m de comprimento (mais 50 cm de cauda), fêmeas, 1,30 m (mais 50 cm de cauda). Altura, cerca de 80 cm. Massa: machos, 47 kg, fêmeas 36 kg.

Regiões temperadas: machos 1,25 m (mais 45 cm de cauda), fêmeas 1,20 m (mais 45 cm de cauda). Altura, cerca de 76 cm. Massa: machos 38 kg, fêmeas 32 kg.

Regiões mediterrâneas, tropicais e subtropicais: machos, 1,20 m (mais 40 cm de cauda), fêmeas 1,15 m (mais 40 cm de cauda). Altura, cerca de 72 cm.Massa: machos 32 kg, fêmeas 25 kg. Deserto árabe: machos 1,05 m (mais 35 cm de cauda), fêmeas 1,00 m (mais 35 cm de cauda). Altura, cerca de 66 cm. Massa: machos 22 kg, fêmeas 16 kg .

Comportamento Editar

Lobos podem caçar pequenas presas (lebres etc.) individualmente ou caçar grandes presas (até dez vezes o seu peso) em alcatéias, cujo tamanho varia, conforme a disponibilidade de alimento, de dois a 36 indivíduos (média 6-7) e que podem sustentar a caçada por várias horas, até cansar a vítima. Há também lobos solitários (cerca de 10% da população), que geralmente se limitam a pequenas presas.

As alcatéias são hierarquizadas: os líderes mais agressivos, chamados de macho e fêmea alfas, a liderem e são seguidos pelos betas, que tomam seu lugar caso um deles seja morto. O animal no fim da escala é chamado ômega. Comunicam-se com linguagem corporal, expressões faciais e sinais olfativos. Cada membro da alcatéia sabe seu lugar na hierarquia, mas alfas velhos ou doentes podem ser desafiados pelos “betas”.

Lobos localizam as presas pelo olfato (podem cheirar caça a até 2,4 km) ou por acaso. Os lobos costumam devorar toda a carcaça, incluindo parte do pelo e dos ossos. Um lobo pode consumir 10 kg de carne de uma só vez, mas o consumo médio (para um lobo grande) é de 3 kg por dia. São predadores oportunistas, que podem comer praticamente qualquer tipo de carne razoavelmente fresca.

Geralmente movimentam-se à noite, durante a qual podem cobrir grandes distâncias (até 200 km). Seu passo normal, que podem sustentar por horas, tem velocidade de 9 km/h (2,5 m/s), mas podem correr por distâncias curtas a velocidades de 45 km/h a 55 km/h (13 m/s a 15 m/s). Em regiões frias e temperadas, costumam ser sedentários na primavera e verão, quando se reúnem em torno de covis para procriar e amamentar os filhotes, tornando-se nômades no outono e inverno. O território de uma alcatéia pode ter desde 130 km² a 13.000 km², conforme o seu tamanho e a disponibilidade de alimento. O covil pode ser uma fenda entre rochas, uma árvore oca ou uma escavação subterrânea, com túneis de 2 a 4 metros levando à câmara principal.

Lobos podem choramingar, gemer, rosnar e latir, mas sua vocalização mais característica é o uivo. Podem uivar porque estão contentes, para chamar a alcatéia, para intimidar possíveis intrusos ou para reforçar a coesão da alcatéia. Uivam mais freqüentemente quando têm algo a proteger, como uma grande presa recém-abatida ou os limites de seu território. O uivo pode ser ouvido a 5 a 10 km de distância (até 16 km nas tundras e pradarias). As alcatéias costumam ser hostis entre si e, às vezes, se digladiam em pequenas guerras.

Reprodução Editar

As fêmeas ficam sexualmente maduras aos dois anos; os machos, aos três. Geralmente, só o macho e a fêmea alfa de cada alcatéia procriam, uma vez por ano. A gestação dura 61 a 63 dias. O tamanho médio da ninhada é 6-7 filhotes, mas é menor nos lobos do Ártico. Protegidos pela mãe enquanto os demais caçam, os lobachos emergem dos covis com três semanas e são desmamados com cinco semanas, sendo depois alimentados com comida regurgitada pelos adultos da alcatéia. Com oito a dez semanas, a família começa a se mover de um ponto de encontro a outro.

Aos seis meses, os filhotes (lobachos) começam a aprender a caçar, aos 10 meses participam da caça e entre um e dois anos de idade 60% deles deixam os pais para tentar formar sua própria alcatéia e os demais se integram à dos pais. A longevidade média em liberdade é de 6 a 9 anos; em cativeiro, podem viver até 16 anos.

Relação com humanos Editar

Lobos podem ser domesticados até certo ponto, mas apenas se forem criados desde filhotes e receberem atenção contínua – nesse caso, o lobo assume que seu “dono” é o “alfa” de sua alcatéia e se comporta de acordo com isso. Por isso, continuará a ser hostil a humanos estranhos, mas mau cão de guarda – seu instinto o leva a latir ou uivar uma só vez quando aparece um estranho e em seguida aguardar que o “alfa” humano tome a iniciativa.

Em geral, os lobos evitam os rebanhos e preferem caçar animais selvagens, mas alguns “lobos-problema” especializam-se em atacar animais domésticos, principalmente ovelhas. Com freqüência, são animais velhos ou mutilados, sem condições de correr atrás de presas mais ágeis ou mestiços (cães-lobos e coiotes-lobos) mal adaptados.

Lobos também atacam, com freqüência, cães que invadam seus domínios. Mas ataques a humanos são muito raros, salvo por parte de animais hidrófobos (o que é incomum em regiões frias). As exceções geralmente se dão em tempos de penúria, durante invernos particularmente rigorosos e geralmente se limitam a humanos indefesos, inconscientes ou moribundos. Também é possível que lobos ataquem caçadores ou andarilhos que mexam com suas presas recém-abatidas. Lobos domesticados ou mantidos em zoológicos, familiarizados com humanos, também têm maior propensão a atacar estranhos, se forem incomodados.

Distribuição Editar

Originalmente, a espécie era encontrada em quase toda a Eurásia, América do Norte, Egito e Líbia, exceto as pontas meridionais da Índia, Malásia e Indochina e o sul e as costas do México.

Atualmente, está quase extinto nos EUA, México, Europa Ocidental e China oriental, salvo reservas isoladas. Está totalmente extinto no Japão, sul da China e sudeste Asiático. As maiores populações remanescentes são encontradas na Rússia (cerca de 70 mil), Canadá (cerca de 60 mil) e Mongólia (30 mil).

Os lobos chegaram a ser classificados em 39 subespécies (raças naturais) conforme as pelagens e proporções corporais, das quais 24 na América do Norte (incluindo 5 extintas) e 15 na Eurásia.

Atualmente, porém, reconhecem-se apenas 4 subespécies de lobos verdadeiros na América do Norte e 9 na Eurásia (incluindo uma extinta, que viveu no Japão). A subespécie do chacal que habita o Egito e a Líbia (Canis aureus lupaster), o extinto lobo anão do Japão (Canis hodophilax) e o lobo do leste da América do Norte (Canis lycaon) às vezes também são considerados subespécies do Canis lupus.

Modernamente, o cão doméstico também é considerado uma subespécie do lobo (Canis lupus familiaris), bem como duas raças de cães domésticos que retornaram à vida selvagem: o dingo da Austrália (Canis lupus dingo) e o cão cantor da Nova Guiné (Canis lupus hallstromi).

Subespécies Editar

As subespécies que são consideradas lobos propriamente ditos são as seguintes:

  • Canis lupus albus (lobo da Tundra) - encontrado na tundra eurasiática da Finlândia ao extremo leste da Sibéria e península de Kamchatka. Ao contrário do lobo ártico, não é totalmente branco – geralmente é cinza claro. Extinto nas ilhas do ártico, exceto Wrangel. Vive dez anos, mas em cativeiro pode chegar a vinte. O maior já medido pesava 77 kg. O tamanho médio da alcatéia é 6-7 membros, mas pode variar de 2 a 20. Caçam caribus, bois almiscarados e lemingues e lebres. Cruzam em março e os filhotes (6-7) nascem em maio ou início de junho. Comprimento médio 1,52 m, com 44 cm de cauda. Peso médio 46 kg (macho).
  • Canis lupus communis (lobo russo) - encontrado no norte da Rússia Européia e Centro-oeste da Sibéria, é uma das subespécies maiores e mais temidas, comparável em tamanho ao occidentalis da América do Norte.
  • Canis lupus lupus (lobo europeu) - encontrado na maior parte da Europa, Sul e Oeste da Rússia Européia, Ásia Central, China, Mongólia e Coréia. Essa é a subespécie conhecida dos contos de fadas europeus e dos mitos gregos e nórdicos, que vive nas florestas da Europa à Sibéria e nas estepes e desertos da Ásia Central. Inclui as antigas subespécies minor (Áustria e Hungria, extinto no início do século XX), laniger (China e Coréia, médio, com pelo longo e de cor clara), desertorum (desertos da Ásia Central) e campestris (o lobo da estepe siberiana e mongol, relativamente pequeno, com pelo grosso e curto, cinza com um toque de ocre). Comprimento 1,05 m a 1,35 m; peso 25 kg a 55 kg.
  • Canis lupus hattai (lobo de Hokkaido) - subespécie hoje extinta, encontrada outrora nas ilhas de Hokkaido, Sakhalina e Kurilas. Conhecido em japonês como ezo, era um lobo de tamanho médio. Extinguiu-se em Hokkaido em 1889, mas foi visto nas ilhas Sakhalina e Kurilas até 1945. Comprimento de 140 cm, incluindo 40 cm de cauda.
  • Canis lupus signatus (lobo ibérico) - cinzento ou cinzento-vermelhado, com marcas negras nas patas dianteiras. Outrora visto em toda a Península Ibérica, atualmente encontrado só no norte da Espanha e em Trás-os-Montes, Portugal. Comprimento total de 131 a 178 cm de comprimento (machos) e 132 cm a 165 cm (fêmeas); peso entre 20 e 41 kg (média 32 kg) para os machos 20 a 36 kg (média 28 kg), para as fêmeas. O tamanho da alcatéia varia entre 3 a 5 indivíduos no fim do inverno e entre 7 a 10 animais no verão, após o nascimento dos lobachos. População atual: cerca de 1.000 (300 em Portugal).
  • Canis lupus italicus (lobo itálico) - Vive na península italiana. Inclui a lendária loba que amamentou Rômulo e Remo. Os machos pesam 30-35 kg, as fêmeas, 20-25 kg. O corpo tem 70 cm a 120 cm e a cauda, 30 cm – 50 cm. A altura é de até 80 cm.. População atual, cerca de 450 exemplares.
  • Canis lupus cubanensis (lobo do Cáucaso) - encontrado no Cáucaso e regiões adjacentes da Turquia e Irã. Como as subespécies signatus e italicus, tem características intermediárias entre os clássicos lupus da Eurásia Central e os pequenos pallipes, da Índia e Oriente Médio.
  • Canis lupus pallipes (lobo indiano) - Encontrado na Síria, Palestina, Iraque, Turquia, Irã e Índia. São lobos pequenos, que tendem a ser maiores no limite setentrional de sua distribuição. Uma alcatéia deles teria criado Mogli no Livro da Selva de Rudyard Kipling. Caçam gazelas, mangustos, lebres, roedores, esquilos, perdizes, codornas e galos selvagens. Altura 46 cm a 76 cm; peso 25 kg a 32 kg. População atual, cerca de 3 mil. Provavelmente é o ancestral da maioria dos cães domésticos.
  • Canis lupus arabs (lobo árabe do deserto) - Vivem em pares ou em grupos de 3 ou 4, na Arábia. Às vezes são considerado a mesma subespécie do lobo indiano, mas são menores. Altura 66 cm; peso médio 22 kg (machos) e 16 kg (fêmeas). População atual, menos de 300 exemplares.
  • Canis lupus arctos (lobo ártico) - Vive nas ilhas árticas de Melville, Banks e norte da Groenlândia, ao norte do paralelo 67°. Conhecido como lobo ártico ou lobo branco, não é albino, pois os olhos são normais. Ficam adultos com 3 anos e procriam em abril-maio. Ninhada de apenas 2-3 filhotes (de cor bege), em vez dos 5-6 das subespécies de regiões menos frias. Caçam roedores (arganazes, lemingues), lebres, caribus e bois almiscarados. Têm pernas, orelhas e focinho curtos e pelo branco e espesso. Os territórios das alcatéias são da ordem de 2.500 km². Inclui as antigas subespécies arctos, bernardi e orion. Comprimento 100 cm a 150 cm, altura 64 cm a 79 cm, peso 34 kg a 63 kg (machos).
  • Canis lupus occidentalis (lobo do Oeste) - encontrado no norte das montanhas Rochosas, vale do Mackenzie, Alasca, Manitoba e península de Kenai. Mais freqüentemente negros ou cinzentos escuros, mas ocasionalmente pardos ou mesmo brancos. Caçam alces, bisões, caribus, carneiros, veados, cabras, castors, salmões, roedores e lebres. Inclui as antigas subespécies columbianus, griseoalbus, mackenzii, occidentalis, pambasileus e tundrarum. Altura média de 76 cm, peso de 38 kg a 52 kg. O maior lobo já medido cientificamente pertencia a esta subespécie e pesava 79 kg. Também é nessa subespécie que ocorrem as maiores alcatéias: de 10-12, às vezes 20-36, cobrindo territórios de 900 km² a 1.500 km². A essa subespécie pertenceria o lobo Caninos Brancos (White Fang) do livro homônimo de Jack London.
  • Canis lupus nubilus (lobo das planícies) - Vive no Sul das Montanhas Rochosas, costa oeste do Canadá e noroeste dos EUA, grandes planícies, região dos Grandes Lagos, Terra Nova, Labrador, Baía de Hudson, sudoeste da Groenlândia e ilha de Baffin. Conhecido nos EUA como buffalo wolf ou lobo das planícies. Cor cinza, negra ou amarelada. Inclui as antigas subespécies beothucus, crassodon, fuscus, hudsonicus, irremotus, labradorius, ligoni, manningi, mogollonensis, monstrabilis e youngi. Comprimento total de 1,37 m a 1,98 m, peso 27 kg a 50 kg. A esta subespécie deve ter pertencido o famoso El Rey Lobo, que devastou fazendas de gado entre 1889 e 1894.
  • Canis lupus baylei (lobo mexicano) - Vive no México e sudoeste dos EUA. Tem a maior juba entre os lobos e pelo de cores mistas (preto, cinza, amarelado e vermelho). Caça principalmente alces e também veados, carneiros, antílopes, coelhos, pecaris e roedores. Altura 66 cm a 80 cm; comprimento total, 1,37 m a 1,65 m; peso 23 kg a 41 kg.

Outras espécies de lobos Editar

Pelo menos cinco outras espécies de canídeos (duas das quais perto da extinção, duas extintas) costumam ser consideradas também como lobos.

Lobo Vermelho Editar

O lobo vermelho (Canis rufus) foi originalmente encontrado em todo o Sudeste dos EUA, do Texas e Flórida ao sul do Illinois. É menor que o lobo verdadeiro: o macho pesa, em média, 28 kg, com 1,22 m de comprimento, mais cauda de 39 cm e altura de 66 cm. A fêmea gira em torno de 24 kg, com 1,07 m de comprimento, mais cauda de 36 cm.

Conhecido localmente como red wolf, alimenta-se principalmente de veados (50%), guaxinins (30%), coelhos e roedores. A alcatéia é tipicamente formada por 5 a 8 membros, mas caçam a maior parte do tempo individualmente ou em pares. Território de cerca de 100 km². Já foi considerado um cruzamento natural entre o lobo Canis lupus e o coiote Canis latrans, mas análises genéticas recentes comprovaram que se trata de uma espécie separada. Geralmente é de cor avermelhada, mas já se viram exemplares pretos.

Comum até o início do século XX, chegou à beira da extinção em 1970. Restavam então só 100 exemplares na costa do Texas e Luisiana. O serviço de pesca e vida selvagem dos EUA capturou os remanescentes entre 1974 e 1980 e selecionou 14, que melhor correspondiam ao padrão da espécie, para um programa de reprodução. Os demais estavam demasiado hibridizados com coiotes.

Em 1987, os lobos vermelhos começaram a ser reintroduzidos em reservas florestais, a começar pela Carolina do Norte. O objetivo é uma população total de 550, 220 dos quais em liberdade.

Lobo do Leste Editar

O lobo do leste (Canis lycaon) vivia, originalmente, em todo o nordeste dos EUA e sudeste do Canadá. O macho pesa em média 34 kg, com 1,28 m de comprimento, mais 40 cm de cauda e tem 68 cm de altura. A fêmea pesa em média 27 kg e tem 1,1 m de comprimento, mais 40 cm de cauda.

Geralmente cinzento e conhecido na América do Norte como eastern timber wolf ou deer wolf, foi até recentemente classificado como a subespécie Canis lupus lycaon, embora seja algo menor que a maioria dos lobos que vivem na mesma latitude. Entretanto, análises genéticas recentes mostraram que se trata de outra espécie, mais próxima do Canis rufus (e mesmo do coiote) que do Canis lupus.

A população atual é de 10 mil exemplares, principalmente em Ontário e Québec – na Nova Inglaterra e Nova York, está extinto. Os veados são sua principal presa, como também acontece com o Canis rufus.

É possível que Canis lycaon e Canis rufus sejam subespécies de uma mesma espécie, que divergiu do coiote (Canis latrans) e evoluiu na América do Norte independentemente do Canis lupus eurasiático, que mais tarde (há cerca de 300 mil anos) ocupou o norte e oeste da América do Norte que, durante o Pleistoceno, estavam separadas do leste e sudeste por glaciares. Ao contrário do Canis lupus, tanto Canis rufus quanto o Canis lycaon cruzam-se facilmente com coiotes em ambiente natural.

Lobo da Etiópia Editar

O lobo da Etiópia (Canis simensis) originalmente era encontrado em todas as províncias da Etiópia, em urzais e campos abertos com vegetação não mais alta que 25 cm das regiões montanhosas (altitudes de 3.000 m a 4.377 m).

A massa média do macho é 16 kg, com comprimento de 1 m, mais cauda de 33 cm. A fêmea pesa em torno de 13 kg.

Conhecido localmente como arouaye, jedalla farda, ky kebero (ou kay kabaro) e walgie, foi também chamado pelos zoólogos de "chacal de Simien" (nome de uma cadeia montanhosa onde são encontrados), mas hoje é considerado uma espécie de lobo e não de chacal.

Forma alcatéias de 3 a 13 animais, com média de 6 adultos (4 machos e 2 fêmeas), 1-6 filhotes de um ano e 1 a 7 filhotes pequenos.

Ao contrário do Canis lupus, é ativo de dia e dorme durante a noite. As alcatéias se reúnem para saudações e patrulha de fronteiras na alvorada, meio-dia e pôr-do-sol, mas a maior parte da caça é feita individualmente.

A estação de cruza é agosto-novembro e a gestação é de 60 dias. A fêmea alfa cruza apenas com o macho alfa ou com visitantes da alcatéias vizinhas. Ela pare, entre outubro e janeiro, uma ninhada de 2 a 6 filhotes, que levam 3 semanas para emergir do covil. As fêmeas subordinadas, se existem, abandonam seus próprios filhotes para ajudar a cuidar dos da fêmea dominante.

Os uivos são ouvidos a até 5 km de distância. Alimenta-se principalmente de ratos-toupeiras pelados, cujos ninhos são escavados, ratos do campo, filhotes de gansos, ovos, filhotes de gazelas e, ocasionalmente, carniça.

A população remanescente é de 1.000 indivíduos, dispersos por cinco ou seis áreas isoladas (metade deles no parque das Montanhas Bale) e está em risco de extinção.

Lobo japonês Editar

O lobo japonês (Canis hodophilax) vivia nas florestas montanhosas nas ilhas de Honshu, Kyushu e Shikoku, Japão. Era o menor dos lobos, com massa média de 8 kg e comprimento de 70 cm, mais cauda de 30 cm.

Este lobo extinguiu-se em 1905. De patas curtas e hábitos aparentemente solitários, era conhecido no Japão como okami ("grande deus"), magami ("deus verdadeiro"), yama no kami ("deus da montanha"). Os ainus o chamavam “deus uivante”. Alguns o consideram uma subespécie anã do lobo verdadeiro, Canis lupus hodophilax.

Lobo terrível Editar

O lobo terrível (Canis dirus), ou dire wolf, como costuma ser chamado em inglês, viveu na América do Norte de de 1.000.000 a.C. a 11.000 a.C., aproximadamente. Ao contrário do que fazem supor RPGs, que o descrevem como enorme e monstruoso, era só um pouco maior que as maiores subespécies do Canis lupus, embora fosse bem mais maciço, tivesse dentes bem maiores e patas proporcionalmente mais curtas e robustas. Estima-se que o macho pesava em média 67 kg, com 1,50 m de comprimento, mais cauda de 50 cm e 1 metro de altura. A fêmea pesava em média 54 kg e tinha 1,40 m de comprimento, mais cauda de 50 cm.

Extinguiu-se no final da Idade do Gelo, provavelmente devido ao desaparecimento dos grandes mamíferos que caçava. Pela freqüência com que são encontrados seus restos em poços de asfalto (nos quais carnívoros modernos raramente são apanhados) acredita-se que eram menos ágeis e astutos que os lobos verdadeiros e alimentavam-se principalmente de carniça.

Lobos incomuns Editar

Ainda que a maioria dos lobos sejam menos perigosos para os homens e mesmo para seus rebanhos do que geralmente se pensa, alguns lobos se tornaram legendários por sua destrutividade. Vários deles tiveram a cabeça a prêmio e foram perseguidos por vários anos, sem sucesso.

De 1890 a 1930, no Oeste dos EUA, pelo menos 59 se tornaram suficientemente famigerados para receber um nome; seriam responsáveis, em média, pela morte de 57 cabeças de gado por ano. A maioria deles eram lobos experientes e manhosos, em metade dos casos solitários – por escolha ou por sua alcatéia ter sido dizimada.

Muitos (pelo menos 19) foram animais mutilados por armadilhas, que passaram a atacar animais de fazenda por não serem mais capazes de perseguir presas selvagens, como às vezes mostram seus apelidos – Old Three Toes, Old Two Toes, Peg Leg, Club Foot, Three-Legged Scoundrel etc. Pelo menos 19 eram animais idosos, com mais de dez anos. Judith Basin Wolf, magro e esquelético, teve sua idade avaliada em 18 anos quando foi abatido. Outro, conhecido como Old Whitey, depredou uma região do Colorado por quinze anos. Um deles, apelidado Custer Wolf e perseguido por quatro anos sem sucesso por uma recompensa de US$ 500, associou-se a dois coiotes depois que sua família foi destruída; ao ser finalmente morto, em 1920, viu-se que era um animal grisalho, velho e de tamanho médio (1,83 m de comprimento, 44 kg). Sete desses lobos tinham traços que sugeriam hibridização com cães domésticos.

Ellobo

Blanca e Lobo, desenho de Ernest Seton

Um deles, porém, fugiu desse padrão. Liderava uma pequena alcatéia de, talvez, seis animais, fortes, saudáveis e ágeis – um deles foi visto caçando antílopes para a alcatéia. A história de sua caçada tornou-se um épico do Faroeste. Era conhecido pelos mexicanos como El Rey e pelos estadunidenses como Lobo, o rei de Currumpaw (norte do Novo México) ou o Matador Gigante de Gado. Sua alcatéia matou bezerros em grande quantidade entre 1889 e 1894 e 250 ovelhas em uma só noite, aparentemente por diversão (não foram devoradas). Foi abatido, junto com sua companheira Blanca, em troca de uma recompensa de US$ 1.000. Tinha 91 cm de altura e pesava 68 kg, sabia identificar armadilhas e não permitia à sua alcatéia alimentar-se de animais mortos, que poderiam ter sido envenenados. O caçador – Ernest Thompson Seton – publicou um relato da aventura, The Story of Lobo (incorporada a seu livro Wild Animals I Have Known) e uniu a pata de Lobo à sua assinatura. Mais tarde, tornou-se um conhecido defensor da natureza e do meio ambiente em geral e dos lobos em particular.

Veja também Editar

Fera de Gévaudan

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