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Mutum

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Mitu tuberosa

Mutum-cavalo (Mitu tuberosa)

O termo mutum designa várias aves galiformes da família dos cracídeos, florestais, dos gêneros Crax e Mitu. Estes animais possuem, geralmente, plumagem negra com topete com penas encrespadas ou lisas e bico com cores vivas.

Lenda Apinajé Editar

Existe uma lenda do povo indígena apinajé -- habitantes do estado do Tocantins -- que explica a cor do bico destes animais.

Contam que, em tempos muito antigos, o fogo pertencia à onça. Os índios, querendo utilizá-lo, foram buscá-lo na cova daquele felino que ficava além dos campos de caça. A tarefa, porém, logo constituiu-se em um problema, pois as brasas, ao caírem pelo caminho, poderiam causar incêndios. Recorreram os indígenas ao auxílio das aves, que ficaram encarregadas de recolhê-las.

Foi assim que o mutum queimou o bico, que ficou vermelho para sempre.

Destino mais infeliz teve o jacu (Penelope). Engoliu uma brasa que ficou presa na garganta, e é por isso que essa ave tem uma mancha vermelha na parte inferior do pescoço.[1]

A Tapera da Lua Editar

Segundo uma lenda referida por João Barbosa Rodrigues, em O rio Iamundá, quando desceram 'umas mulheres' (ceta cunhã), as amazonas, ficaram nesse lugar irmã e irmão. A índia apaixonou-se pelo irmão e o visitava cada noite em sua rede, misteriosamente, protegida pelas trevas. Ele, para descobrir quem era aquela que o despertava para o amor, umedeceu-lhe as faces com urucum. E ela que habitava as margens do lago Iaci, espelhou-se em suas águas e viu que estava marcada para sempre.

Manejando o arco, despediu flecha após flecha, até formar uma longa vara, e por ela subiu e transformou-se na Lua. O irmão que habitava o alto da serra, indo vê-la e não a encontrando, de dor metamorfoseou-se em mutum. Ela agora vem mensalmente, sob a forma de lua, mirar-se nos espelhos dos lagos para ver se desapareceram as manchas.

"A Tapera da lua" — recontada por Afonso Arinos nas Lendas e tradições brasileiras, refere-se a uma aldeia que ficava perto de uma lagoa tranqüila, nas fraldas da serra chamada do Taperê e hoje do Acunã. Uma guerra infeliz reduziu a tribo a dois sobreviventes, apenas irmã e irmão. O resto é como na lenda recolhida por Barbosa Rodrigues. O mesmo em Melo Morais Filho. Em todas há a relação com as cunhãs-apuyaras — as amazonas.

Segundo Ruth Guimarães, "É provável que de uma única vara de flechas, subindo aos céus, idéia primitiva do saci, i.e., de Jaci, tenha surgido, por associação, o mito saci de uma perna só, embora os partidários da hipótese astral por assim dizer — vejam na forma um indício claro de que a lenda do saci procede da conformação da Ursa Maior. E é possível também que a forma — uma perna só — venha do hábito dos pássaros ficarem em repouso sobre uma perna. A cantiga do pássaro, associada à lenda, impôs a onomatopéia — jaci taperê".[2]

Notas Editar

  1. Olavo Dantas. Sob o céu dos trópicos. Rio de Janeiro, Livraria José Olímpio, sd, p.140-141
  2. Ruth Guimarães. "Yacy taperê, diabo menor". Província de São Pedro. Porto Alegre, Livraria do Globo, nº 6, 1947, p.39-41

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