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Obá

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Oba

Obá

Obaafro gran

Outra interpretação de Obá

Obá (de Ọbà, nome iorubá de um rio) é a orixá do rio Obá e a terceira esposa de Xangô. As águas revoltas dos rios, as pororocas, as águas fortes e as quedas d'água são considerados domínios de Obá.

Quando Obá se manifesta em alguma das suas iniciadas, leva a mão para cobrir a orelha esquerda, ou usa um torço (turbante), a fim de esconder uma das orelhas. Se Oxum manifesta-se no momento, a tradição exige que as duas divindades encarnadas procurem lutar novamente e é preciso intervir energicamente para separá-las. A dança de Obá é guerreira: ela brande um sabre com uma das mãos e leva um escudo na outra. Sua cor é vermelha. É saudada com o grito "Obá xirê!". Suas oferendas consistem em cabras, patos e galinhas-d'angola.

O arquétipo de Obá é o de mulheres valorosas e incompreendidas, de tendências viris. As suas atitudes militantes e agressivas são conseqüências de experiências infelizes ou amargas por elas vividas. Os seus insucessos devem-se, freqüentemente, a um ciúme um tanto mórbido. Para compensar suas frustrações amorosas, obtêm sucessos materiais em virtude de sua avidez de ganho e do cuidado de nada perder dos seus bens.

No Brasil é sincretizada com Santa Catarina de Alexandria, comemorada em 25 de novembro, e com Santa Joana d'Arc.

Em Cuba, é chamada Oba Nani, legitima esposa de Changó. Mulher nobre, austera e boa, filha de Pduá e Yembó. Foi ela quem ensinou a todos os Orixás a arte da guerra, e quem ensinou a Changó a manejar o machado, a Oyá o chicote e a Ogún todas as suas ferramentas. Oba tem nas mãos a chave que abre e fecha as portas de tudo que está relacionado com os humanos. Para que numa casa nunca falte dinheiro, não deve faltar o Iguaro Oba (iniciado de Oba Nani). Como é "santa" de Ile Ocu (casa dos mortos) e vive no cemitério, tem relação com tudo que é espiritual.

Mitos de Obá Editar

  • Por sua envergadura física, Obá venceu na luta Oxalá, Xangô, Orunmilá, Obaluaiê e Exu e então desafiou Ogum, o mais forte dos orixás masculinos. Por ser ela poderosa, hábil e destemida, Ogum usou um truque. Espalhou uma massa viscosa de milho e quiabo amassado no chão e atraiu Obá para aquele canto, onde a guerreira escorregou. Além de perder a luta, foi possuída à força por Ogum, que se tornou seu inimigo.
  • Xangô era um conquistador de terras e de mulheres, vivia sempre de um lugar para o outro. Em Kossô fez-se rei e casou-se com Obá, sua primeira e mais importante esposa, Obá passava o dia cuidando da casa de Xangô, moía a pimenta, cozinhava e deixava tudo limpo, mas Xangô se apaixonou também por Oiá e Oxum e com elas também se casou, deixando as três viverem às turras pelo amor do rei. Para deixar Xangô feliz, Obá presenteou-lhe um cavalo branco, do qual o rei gostou muito. Tempos depois Xangô saiu para guerrear e levou Oiá consigo. Seis meses se passaram e Obá, desesperada, foi consultar Orunmilá, que a aconselheeu a oferecer em sacrifício um iruquerê, espanta-mosca feito com rabo de um cavalo e pô-lo no teto da casa. Obá encomendou a Eleguá um rabo de cavalo. Este, induzido por Oxum, cortou o rabo do cavalo branco de Xangô, mas não cortou somente os pêlos e sim a cauda toda e o cavalo sangrou até morrer. Quando Xangô voltou da guerra, não encontrou o cavalo, deparou com o iruquerê amarrado no teto da casa e reconheceu o rabo do cavalo desaparecido e soube da oferenda feita pela primeira esposa. Ficou irado e repudiou Obá.
  • Como esposa de Xangô, Obá sempre se sentiu menos desejada por seu amado que Oxum e Iansã. Esmerou-se em agradá-lo com seus pratos cada vez mais aprimorados, mas Oxum era sempre a preferida. Um dia Obá perguntou a Oxum qual o segredo de sua sedução. Oxum, que costumava usar um turbante sobre a cabeça, disse que cortara a própria orelha esquerda e a colocara no amalá (uma comida à base de quiabo) de Xangô que, ao comê-lo, por ela se perdera de paixão para sempre. Obá então cortou a própria orelha e a colocou no amalá. Ao ver Obá com um ferimento no lugar da orelha Xangô quis saber o que houvera e Obá contou. Neste momento Oxum tirou seu turbante e, mostrando as duas orelhas intactas a Obá, desatou a rir. Xangô, zangado com a insensatez de Obá e enojado por ver sua orelha na comida, expulsou-a de seu palácio e Obá tanto chorou e teve raiva que se transformou num rio revoltoso. Na África, no lugar onde se encontram os rios Obá e Oxum o estouro das águas é extremamente violento.
  • Na versão cubana do mito, porém, Oyá é a responsável pela perda da orelha de Obá e esta é amiga de Ochún (Oxum). Obá era Omoregun (amiga inseparável) de Oyá, mas esta a traiu com o amor de Changó. Diz a lenda que Oyá lhe disse que se cortasse uma orelha e fizesse comida a Changó que este não iria nunca a lado algum. Oba fez caso disso e Oyá foi contar a Changó, então surgiu a separação de Oba e Changó. Desta separação Oba e Oyá tornaram-se inimigas e nunca mais puderam viver juntas. Oba só confia em Ochún, que é sua Ocanini (tem o mesmo coração, são parte da mesma "vibração").

Obá na Umbanda Editar

Joana

Santa Joana d'Arc, que na Umbanda representa Obá

Segundo algumas correntes da Umbanda, Obá forma com Oxóssi a terceira linha, que rege o conhecimento. Oxóssi representa o pólo positivo, que irradia o conhecimento e Obá o pólo negativo, que o concentra e absorve. Um é a argúcia, a outra, a concentração. Outras linhas dizem que ela forma par com Ogum.

Referências Editar

  • Pierre Fatumbi Verger, Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo, São Paulo: Corrupio, 1981
  • Lendas dos Orixás: Obá [1]
  • Pai Alex: Obá [2]
  • Blogue de Santeria Cubana: Oba Nani [3] [4]
  • Wikipédia: Obá [5]
  • Wikipédia: Oxossi na Umbanda [6]

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