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Onça (lendária)

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Thingoe.jpg

Onça nas armas do distrito de Thingoe (Suffolk, Inglaterra)

Na heráldica medieval, havia um animal simbólico chamado onça (em inglês, ounce; em francês once, em espanhol onza; em latim luncia ou uncia), que não dever ser confundido com o jaguar, também chamado de "onça" em português moderno.

Era representado como um leão sem juba, ou um leopardo negro, às vezes, com manchas amarelas (ou seja, um leopardo "em negativo"). Ainda que sua figura fosse incerta, seu significado simbólico não se confundia de forma alguma com os do leão, da leoa, da pantera e do leopardo, animais com os quais mais se parece.

Nos bestiários medievais, a "onça" era descrita como o cruzamento adúltero, encontrado na Líbia, de leopardo com uma leoa. Era por isso tida como símbolo de luxúria, impureza e incontinência, mas sua figura também era usada em brasões de guerreiros que alardeassem habilidade para imaginar e executar estratagemas.

A onça em Dante Editar

No início da Divina Comédia, Dante se vê perdido em uma floresta escura. Sua vida havia deixado de seguir o caminho certo. Ao tentar escapar da selva, ele encontra uma montanha que pode ser a sua salvação, mas é logo impedido de subir por três feras: uma lonza (palavra geralmente traduzida em português como "leopardo"), um leão e uma loba.

As três feras, na opinião dos críticos, representam três tipos de pecados e três subdivisões do inferno: a incontinência (lonza), a violência (leão) e a fraude (loba), assim como três estágios da vida humana (juventude, meia-idade e velhice) à qual esses pecados estão mais associados. Os pecados cometidos na velhice seriam mais graves pois a alma que os comete é mais experiente e já sabe diferenciar o certo do errado.

Relação da onça lendária com animais reais Editar

O nome uncia vem de lynx - em francês antigo, lonce, tomado como l'once. Em grego, lynx deriva de uma palavra que significa "luz", provavelmente por ter olhos brilhantes. Originalmente, era um felino mal definido, ao qual se atribuía uma visão ultra-penetrante, capaz de ver através de substâncias opacas e consagrado a Dioniso (Baco), que o encontrou na Índia.

É possível que seu modelo original tenha sido o caracal (Lynx caracal) da África e não o lince europeu. Plínio diz que o lynx vivia na África, parecia um lobo com pintas e sua urina endurecia em uma pedra preciosa vermelha. Aparecia no Coliseu a partir de Pompeu (55 a.C.).

Os portugueses aplicaram o nome da onça heráldica ao animal real, ignoto, que encontraram no Brasil e que os índios chamavam de jaguar, ou seja, o animal hoje conhecido em português como onça (Panthera onca).

Em dicionários modernos de espanhol, francês e inglês, a "once" costuma ser identificado com o leopardo-das-neves (Panthera uncia ou Uncia uncia). Vive nas montanhas do Himalaia, Mongólia e Sinkiang, tem pintas semelhantes às do leopardo mas menos definidas, pelo espesso e cor predominante cinzenta-amarelada. É o animal que representa o daemon de Asriel na versão cinematográfica de A Bússola de Ouro.

Parece pouco provável que o leopardo-das-neves, pouco conhecido fora de sua região, tenha inspirado a "onça" medieval. O naturalista Buffon, no século XVIII, chamou de "once" o guepardo (Acinonyx jubatus) ou cheetah e os dicionários do século XIX seguiam essa definição, compatível com Plínio. Distinguia, assim, três espécies: a pantera (que hoje chamariamos de leopardo asiático), a "once" ou lonza (guepardo) e o leopardo propriamente dito (o leopardo da África, que tende a ser de cor mais clara).

A onça lendária como híbrido Editar

O cruzamento de leopardo com leoa é de fato possível em cativeiro e o híbrido se chama, modernamente, de leopon ou leopão. Em estado natural, porém, esse cruzamento é extremamente improvável.

Outra possibilidade é que panthera ou pardus fosse originalmente o guepardo e que lonza ou "onça" fosse de fato o leopardo, tido erradamente como um cruzamento por ser de tamanho e características intermediárias entre os dois felinos.

O próprio nome "leopardo" também sugere um cruzamento de leo, leão, com um animal chamado pardus.

A onza mexicana Editar

Em castelhano, o animal conhecido em português como "onça" é chamado de jaguar ou de "tigre". Mas os espanhóis deram o nome da mal-definida onza a outro animal desconhecido - um grande felino do México que é descrito como semelhante à onça-parda, puma ou suçuarana (também comum no México), mas mais feroz e agressiva.

Corresponderia ao animal chamado pelos astecas de cuitlamiztli, felino diferente tanto da ocelotl ou onça-pintada (Panthera onca) quanto da miztli ou onça parda (Felis concolor). O nome, supostamente, vem de cuitlachtli (provavelmente “urso”, símbolo de coragem para os astecas, mas geralmente traduzido pelos espanhóis como “lobo”) e miztli, puma.

O animal foi citado muitas vezes até o século XVIII. Depois, aparentemente, desapareceu até que, em 1986, uma suposta onza foi abatida no México. Foi fotografada e examinada por cientistas: parecia-se com uma onça-parda, mas mais esguia. Criptozoologistas especularam que se trataria de uma espécie aparentada à onça-parda, mas diferente – o mais ousado, Helmut Hemmer, afirmou que se tratava de uma sobrevivência do extinto guepardo pré-histórico da América do Norte, Acinonyx trumani. Entretanto, análises genéticas não mostraram diferença significativa em relação ao puma da América do Norte, o que sugere que era apenas um espécime peculiar do Felis concolor.

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