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Oraniã

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Opaoranian

òpá de Òrànmíyàn, em Ilê-Ifé

Oraniã ou Oranian (do iorubá Òrànmíyàn) foi, segundo a tradição, rei de Ifé, o filho mais novo e mais poderoso de Odùduà, famoso como caçador e pelas grandes e numerosas conquistas. Teria fundado o reino de Oyó por volta de 1400. Em Ifé existe um monolito que tem o nome Opa Òrànmíyàn em sua homenagem.

Uma de suas mulheres, Torosi, filha de Elémpe, rei da nação Tapá (Nupé), foi a mãe de Xangô, mais tarde veio ser o rei de Oyó no lugar de seu irmão mais velho Dadá Ajacá, filho de Moremi. Oraniã colocou seu outro filho, Eweka, como rei de Benim e se tornou o Óòni de Ifé.

No candomblé da Bahia, Oraniã é considerado uma das doze "qualidades" de Xangô e, às vezes, como o marido de Iemanjá e pai de Xangô.

Em Cuba, é chamado Oroiña. Criado diretamente por Olorun, é pai de Aganyú, com quem é recebido, mas não se põe à cabeça de ninguém. Representa a lava do vulcão, a energia calórica do centro da terra, de onde nascem os terremotos. Seus poderes formam as montanhas, colinas e cordilheiras. Representa o amor e a ira, o fogo urificador e o conhecimento intuitivo.

Mitos de Oraniã Editar

  • Ogum, durante uma de suas expedições guerreiras, conquistou a cidade de Ogotún, saqueou-a e trouxe um espólio importante. Uma prisioneira de rara beleza chamada Lakanjê agradou-lhe tanto que ele não respeitou sua virtude. Mais tarde, quando Odùduà, pai de Ogum, a viu, desejou-a por sua vez e fez dela uma de suas esposas. Ogum, amedrontado, não ousou revelar ao pai o que se passara entre ele e a bela prisioneira. Nove meses mais tarde, nasceu Oraniã, com o corpo era verticalmente dividido em duas cores. Preto de um lado, como Ogum, e branco (albino) do outro, como Odùduà... Essa característica de Oraniã é representada todos os anos em Ifé, por ocasião da festa de Olojó, quando o corpo dos servidores do Oòni (soberano de Ilê-Ifé) é pintado de preto e branco. Eles acompanham o Óòni de seu palácio até Òkè Mògún, a colina onde se ergue um monolito consagrado a Ogum. Essa grande pedra é cercada de màrìwò òpè, franjas de palmeiras desfiadas e sacrifícios de cão e galo são aí pendurados. O Óòni chega vestido suntuosamente, usando a coroa de Odùduà. É uma das raras ocasiões, talvez mesmo a única do ano, em que ele a usa publicamente, fora do palácio. Chegando diante da pedra de Ogum, ele cruza por um instante sua espada com Osògún, chefe do culto de Ogum em Ifé, em sinal de aliança, apesar do desprazer experimentado por Odùduà quando descobriu que não era o único pai de Oraniã.
  • Odùduà ordenou a Oraniã que conquistasse terras ao norte de Ifé, mas Oraniã não consegue cumprir a tarefa. Com vergonha de encarar seu pai, não voltou a Ifé, mas funbdou uma nova cidade e lhe deu o nome de Oyó, tornando-se o primeiro Aláàfin de Oyó. Casado com Morèmi, nativa de Òfà, teve um filho que recebeu o nome de Ajacá. Após algum tempo, Oraniã investiu em novas conquistas e voltou a fazer guerra aos Tapas que o haviam derrotado e desta vez consegue uma grande vitória sobre seu rei Elémpe. Este entregou-lhe sua filha Torosí, com quem Oraniã teve outro filho, Xangô. Depois de seguidas vitórias, a cidade de Oyó torna-se um poderoso império e Oraniã, prestigiado e redimido, retornou a Ilê-Ifé, deixando em seu lugar, seu filho Ajacá, que torna-se o segundo Aláàfin de Oyó.
  • Durante a ausência de Oraniã em Ilê-Ifé, Obàlùfan Ògbógbódirin, seu irmão mais velho, tornou-se o segundo Óòni de Ifé, após Odùduà. Quando Obàlùfan morreu, o povo de Ifé aclamou Obàlùfan Aláyémore como sucessor. Quando Oraniã chegou em Ifé, enfureceu-se com seu povo, cometeu atrocidades e só parou quando uma anciã gritou, desesperada, que ele estava destruindo seus "próprios filhos". Atônito, ele fincou no chão seu asà (escudo) que imediatamente se transforma em uma enorme laje de pedra no lugar hoje chamado de Ìta Alásà e decide ir embora e nunca mais voltar à Ifé. Mas em Mòpá, ainda nas imediações, foi interceptado pelo povo que o saudavam como Óòni de Ifé e suplicavam por sua volta. Satisfeito e envaidecido, atendeu ao povo, fincou no chão seu òpá (bastão de guerreiro), que se transformou em monólito de granito e voltou, em procissão triunfante, ao palácio de Ifé. Obàlùfan Aláyémore exilou-se na cidade de Ìlárá e Oraniã ascendeu ao trono e tornou-se o quarto Óòni de Ifé. Quando morreu, Obàlùfan Aláyémore retornou do exílio e reassume para reinar até sua morte.

Referências Editar

  • Pierre Fatumbi Verger, Lendas Africanas dos Orixás, São Paulo: Corrupio, 1997.
  • Portal Orixás: "Ilê-Ifé, o Berço do Mundo", por Lokeni Ifatolà [1]
  • Religión Yoruba: Oroiña [2]
  • Wikipédia: Oranian [3]

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