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Moeda romana de oricalco (sestércio de Antoninus Pius, 138-161 d.C.)

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Peitoral de tumbaga, cultura Quimbaya (300-1600 d.C.), Antioquia, Colômbia

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Tsuba de shakudō, com detalhes em ouro

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Tsuba de shibuichi

Oricalco (orichalcum em latim e inglês) é um metal mencionado por várias fontes da antiguidade grega e romana, inclusive a narrativa de Platão sobre a Atlântida.

A palavra deriva do grego ορείχαλκος, oreichalkos, de όρος, oros, "montanha" e χαλκός, chalkos, cobre ou bronze, ou seja, "cobre da montanha". Em latim escreveu-se também aurichalcum, dando a idéia de alguma relação com o ouro, mas trata-se de uma falsa etimologia. A palavra aurus, "ouro", é latina e não tem significado em grego.

Menções Editar

Homero - um hino homérico a Afrodite menciona brincos de oricalco.

Hesíodo - no épico O Escudo de Héracles, do qual só restam fragmentos, Héracles põe grevas (armaduras para as pernas) de oricalco, que lhe foram presenteadas por Hefesto.

Platão - menciona o oricalco no diálogo Crítias, como um metal usado na Atlântida. Depois do ouro, era o segundo metal mais precioso para os atlantes, que também conheciam a prata, o estanho, o cobre. A muralha externa da acrópole central da capital era coberta de oricalco, "que brilhava como fogo". O teto do grande templo de Posêidon e Cleito no centro da cidade era de marfim enfeitado com ouro, prata e oricalco e todo o resto das paredes, colunas e do chão era coberto de oricalco. Eram também de oricalco o pilar do templo no qual eram inscritas as leis de Atlântida e ante o qual era sacrificado o touro na cerimônia que reunia os reis de Atlântida a cada cinco ou seis anos.

Virgílio - diz na Eneida que o peitoral de Turnus, rei dos rútulos e inimigo de Enéias, era feito de "ouro e oricalco branco".

Flávio Josefo - o historiador judeu diz, nas Antiguidades Judaicas, que os vasos do Templo de Salomão eram feitos de oricalco.

Plauto - em uma comédia intitulada Miles Gloriosus (O Soldado Fanfarrão), um dos personagens diz: "Por minha fé, os seus modos mostram realmente marcas de nascimento de primeira classe. Me ache três homens de tais modos que aposto igual peso em auricalco."

Pausânias - ao mencionar Corinto em sua Descrição da Grécia, diz que as palavras do ritual dos mistérios de Lerna eram escritas em dórico, em um coração de oricalco.

Plínio, o Velho - na História Natural (capítulo 34) diz que o oricalco era um minério de cobre superior à calchitis de Chipre, que foi muito demandado por muito tempo, devido à sua excelente qualidade, mas se esgotara e há muito não se encontrava. Logo em seguida, porém, diz que o minério que em seu tempo era mais estimado era o mariano ou cordobano, que depois do liviano (da Gália), já quase esgotado em seu tempo, era o que melhor absorvia a cadmia "e se torna quase tão excelente quanto auricalco para fazer sestércios e dupôndios", enquanto o cobre de Chipre era usado para fazer os ases (moedas de valor inferior). Sestércios (2½ ases) e dupôndios (2 ases) eram comprovadamente feitos com latão de 80% de cobre e 20% de zinco, liga que nesse tempo valia o dobro de seu peso em cobre puro. Cadmia era, portanto, um minério de zinco (embora o zinco metálico não fosse conhecido dos romanos).

Cícero - usa a expressão "estanho e oricalco por ouro e prata", dando a entender que o oricalco era semelhante ao ouro, mas inferior, assim como o estanho à prata.

Pseudo-Aristóteles - o autor de De mirabilibus auscultationibus ("Sobre coisas maravilhosas que foram ouvidas"), tratado atribuido a Aristóteles, mas provavelmente de algum filósofo aristotélico dos séculos III a.C. ou II a.C., descreve o oricalco como um metal brilhante obtido da fusão do cobre com a adição de calmia, um tipo de terra encontrado nas costas do Mar Negro. O nome de calmia foi mais tarde dado a minério contendo óxido de zinco; neste caso, portanto, o oricalco pode ser inequivocamente identificado com o latão, liga de cobre e zinco.

Identificação Editar

Para os romanos, o oricalco ou "auricalco" era, sem dúvida, a liga de cobre e zinco que hoje conhecemos como latão. Em seu tempo, a liga era produzida a partir da fusão de minério de cobre com uma "terra" que era, na verdade, um minério de zinco, a calmia (ou cadmia, como escrevia Plínio), hoje chamada calamina. Os romanos usaram latão rotineiramente na cunhagem de moedas, principalmente sestércios e dupôndios, a partir de 20 a.C.

Ligas de cobre e zinco podem ser brancas (se contiverem mais de 50% de zinco), dourada (com 18% a 50%) ou vermelha (com menos de 18%, quando é chamada também de tombac), o que pode explicar as descrições às vezes variadas da cor do metal.

Em tempos anteriores aos romanos, o latão deve ter sido visto como uma variedade muito rara de cobre, pois era obtido apenas das raras jazidas onde cobre e zinco encontravam-se naturalmente ligados. Peças obtidas a partir de latão nativo são encontradas no Oriente Médio de antes de 1000 a.C., mas são incomuns. As mais antigas são de Nuzi, cidade hurriana nos limites do antigo Mitanni, datadas de 1500 a.C. a 1350 a.C. Também foram encontradas peças de latão em tumbas de Górdio (Frígia, na Anatólia) a partir do VIII século a.C.

Outra hipótese plausível é que o oricalco de tempos pré-romanos se tratasse de outras ligas de cobre que não latão (cobre e zinco) ou bronze (cobre e estanho), tais como o shakudō japonês, liga escura feita de 96% de cobre e 4% de ouro, usada principalmente em tsuba (guarda de espadas) e o shibuichi, liga acinzentada feita de 75% de cobre e 25% de prata. O misterioso "bronze de Corinto" (æs Corinthiacum), que os romanos dizem ter sido imune à pátina e mais valioso que o ouro, era produzido em Corinto antes do século II a.C. e segundo Plínio, o Velho, era uma liga de cobre, ouro e prata. Segundo ele, esse bronze podia ser luteum (amarelo), se feita com ouro, candidum (branco) se fosse de cobre e prata, de uma cor intermediária, quando os três metais eram unidos em proporção semelhante, ou ainda hepatizon (cor de fígado, marrom-avermelhado), menos valioso, se o cobre era unido a pequenas quantidades de ouro e prata.

Outras hipóteses a respeito do oricalco têm visado, na maioria das vezes, apoiar especulações incomuns sobre a localização da Atlântida, chegando a ignorar a afirmação explícita de Platão de que se tratava de um metal. Entre elas:

  • Âmbar - segundo a teoria de Jürgen Spanuth, que localizava a Atlântida no Mar do Norte e a relacionava a uma ilha conhecida pelos antigos como Basiléia, que teria sido uma fonte de âmbar (leia mais em Atland: Spanuth
  • Obsidiana - segundo a teoria de Christian M. Schoppe e Siegfried G. Schoppe, que localiza a Atlantida no Mar Negro (leia Atlântida no século XXI).
  • Tumbaga - liga natural de ouro e cobre encontrada nos Andes, segundo a teoria de Jim Allen que localiza a Atlântida junto ao lago Poopó, na atual Bolívia (leia Atlântida no século XXI).
  • Alumínio - especulação de alguns dos que propõem uma Atlântida tecnologicamente avançada, visto que a produção desse metal exige o domínio da energia elétrica em grandes quantidades.

Referências Editar

  • Wikipedia (em inglês): Orichalcum [1]
  • Plínio, o Velho, História Natural [2] [

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