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Pachacamac.jpg

Ídolo de duas faces de Pachacámac, talhado no alto de um poste totêmico

Pachacámac (do quéchua Pacha Kamaq, "Que dá Vida ao Mundo") foi o nome dado pelos incas à divindade suprema da cultura Ichma ou Ichimay, que ocupou os vales de Rímac e Lurín na costa central peruana. O nome original da divindade pode ter sido o mesmo dessa cultura. Pachacámac foi incorporado ao panteão inca quando Tupaq Inka Yupanki ou Topa Inca (comandando os exércitos de seu pai, Pachakutiq ou Pachacúti) chegou ao território dos Ichma, entre 1463 e 1471 e os convenceu a se unir a seu império.

Possivelmente, Pachacámac foi originalmente uma versão regional do deus da água pan-andino, mais conhecido como Viracocha ou Apu Qun Tiqsi Wiraqucha, mas era visto pelos Ichma como a divindade que dava ânimo ou movimento à terra, controlador das comoções sísmicas, razão pela qual era muito respeitado e temido na costa peruana, zona particularmente castigada por terremotos. Tinha um irmão ou filho chamado Vichama, que o enfrenta e tem um papel importante em seu mito.

O santuário de Pachacámac Editar

O principal centro de culto de Pachacámac era a cidade-santuário do mesmo nome, no atual vale de Lurín, ao sul de Lima, que abrigava seu templo original e oráculo, construídos sobre uma pirâmide truncada, junto com um grande albergue para peregrinos e vários templos menores. Sob o domínio incaico, foi acrescentado ao conjunto, em sua parte mais alta, um templo ainda mais majestoso e na parte mais baixa um aqllawasi (casa das mulheres escolhidas) associando o santuário aos cultos oficiais do Império.

O deus Pachacámac era simbolizado por um poste totêmico esculpido em madeira com cerca de 2,3 metros de altura, conservado em uma câmara escura do templo de Ínti (para simbolizar sua invisibilidade), que era forrada de ouro e prata. Esse ídolo tinha duas faces opostas, uma delas decorada com serpentes, a outra com espigas de milho, que possivelmente representavam seus aspectos destruidor e criador, respectivamente (possivelmente aludidos nos nomes de Pachacámac e Vichama, este considerado ora filho, ora irmão do primeiro). Os relevos esculpidos no poste que o sustentava aparentemente simbolizavam etapas da consulta ao oráculo, incluindo o sacrifício de um animal. Antes de levar suas questões ao sacerdote, os peregrinos deviam permanecer no albergue do santuário por vinte dias a um ano, abstendo-se durante esse período de sal, pimenta, álcool (chicha) e sexo.

Esse oráculo teve grande prestígio e era consultado pelos próprios Sapa Incas, mas o último deles, Atawallpa ou Atahualpa, enfureceu-se com o santuário e o chamou de "deus mentiroso", pois lhe falhou por duas vezes: a primeira, ao recomendar um tratamento à doença de seu pai Wayna Qhapaq ou Huayna Cápac, que veio a falecer; a segunda, ao prever, erradamente, a vitória dos incas sobre os espanhóis. Estes últimos vieram depois saquear a cidade-santuário de Pachacámac e destruir seus ídolos.

Mitos de Pachacámac Editar

  • Pachacámac e Vichama eram ambos filhos de Ínti, que abandonou a ambos com sua mãe. Esta pediu ajuda ao Sol (Ínti, para os incas), mas este lhe ordenou continuar a arrancar raízes para se sustentar e a fez engravidar de outro filho. A mulher concebeu e deu à luz em quatro dias, ficando muito feliz. Ciumento, Pachacámac matou o irmão e o despedaçou, mas semeou seus dentes, dos quais nasceu o milho; os ossos e costelas, dos quais nasceram as mandiocas; a carne, da qual nasceram os pepinos, os ingás (Inga feuilleei) e os demais frutos e árvores, que desde então se devem a Pachacámac como deus do sustento e da abundância. Mas a mãe não se conformou e clamou por vingança a Ínti. Este perguntou-lhe onde guardou o cordão umbilical do filho morto. Ela o mostra e o deus cria a partir dele outro filho, que se chamou Vichama ou Villama.
  • Quando Vichama se afastou, Pachacámac, matou a mãe já idosa e a dividiu em pedaços que deu aos urubus e condores. Guardou os cabelos e os ossos nas margens do mar, criou homens e deuses que possuíssem o mundo e nomeou curacas e caciques que os governassem. Entretanto, Vichama, ao voltar, recolheu uma das partes de sua mãe e a ressuscitou. Pachacámac, temendo o irmão, meteu-se no mar perdo do lugar que hoje tem seu nome. Vichama, furioso com seu povo por não ter podido matar seu irmão nem impedir a morte de sua mãe, pediu a Ínti que convertesse os homens em pedras e assim se deu.
  • Em seguida, Ínti e Vichama se arrependeram. Não podendo desfazer o que fizeram, quiseram converter os curacas e caciques em deuses. Mas vendo Vichama o mundo sem homens e os deuses (huacas) e o Sol sem quem os adorasse, pediu ao Sol que criasse novos homens. Ínti enviou-lhe três ovos: um de ouro, outro de prata e o terceiro de cobre. Do ovo de ouro saíram os curacas, os caciques e os nobres; do de prata, suas mulheres; e do ovo de cobre, os plebeus, com suas mulheres e famílias.
  • Segundo outra versão, Pachacámac criou o primeiro homem e a primeira mulher, mas esqueceu-se de alimentá-los e o homem moreu de fome. A mulher amaldiçoou Pachacámac por sua negligência e ele, para compensá-la, a fez engravidar e parir um filho. Mais tarde, ele matou o menino e cortou seu corpo em pedaços, cada um dos quais deu origem a uma fruta ou planta comestível. O segundo filho da mulher, Wichama ou Vichama, escapou e Pachacámac, furioso, matou a mulher. Wichama vingou-se vencendo Pachacámac e jogando-o no oceano, onde se tornou deus dos peixes.

Referências Editar

  • Waldemar Espinoza Soriano, Los Incas: economia, sociedad y Estado en la era del Tahuantinsuyo. Lima: Amaru, 1997.
  • Arqueología del Perú: Pachacamac [1]

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