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Paitíti

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Paitíti (em castelhano, Paytiti ou Paititi) ou Candire é uma cidade lendária supostamente oculta a leste dos Andes, em alguma parte da selva tropical do sudeste do Peru (Madre de Diós), nordeste da Bolivia (Bení ou Pando) ou noroeste do Brasil (Acre, Rondônia ou Mato Grosso), capital de um reino chamado Moxos (em castelhano, Mojos) ou Grande Paitíti (em castelhano, Gran Paititi), governado por um soberano conhecido como Gran Moxo, descendente de um irmão mais novo de Huáscar e Atahuallpa.

Outros nomes dados à cidade oculta em alguma parte do sul da Amazônia ou norte do Prata incluem Waipite, Mairubi, Enim, Ambaya, Telan, Yunculo, Conlara, Ruparupa, Picora, Linlín, Tierra dos Musus, Los Caracaraes, Tierra de los Chunchos, Chunguri, Zenú, Meta, Macatoa, Candiré, Niawa, Dodoiba e Supayurca.

O mito é semelhante ao de Manoa ou Eldorado, que também seria uma cidade cheia de riquezas que teria servido de refúgio a incas que escaparam da conquista espanhola, mas costuma ser localizada muito mais ao norte, entre a Colômbia e as Guianas. Os dois mitos têm origem comum no sonho de conquistadores de enriquecer repetindo a façanha de Francisco Pizarro, o conquistador dos incas, e influenciaram-se mutuamente, mas o de Paitíti associou-se, em tempos mais recentes, com a nostalgia de povos andinos pelo antigo Império Inca, ganhando conotações nativistas e associando-se ao mito de Inkarri.

Etimologia Editar

O nome da suposta cidade perdida já foi escrito como Paititi, Paitite, Paykikin, Paiquiquin, Paitití (com acento no último i), Paí Titi (separado) ou Pay Titi. Tudo indica que não deriva do quéchua, apesar de interpretações forçadas que tentam explicar Paykikin como "igual a ele", "como ele" ou "como o outro Cuzco". O mais provável é que provenha do guarani ou de um idioma não identificado da selva.

Em uma crônica do século XVII, do padre Diego Felipe de Alcaya, afirma-se que Paitíti deriva de dois vocábulos: "Titi", que significa "chumbo" e "Pay", que significa "aquele".

Na década de 1950, o explorador alemão Hans Ertl fez uma série de escavações na Bolívia, ao norte de La Paz, em um monte que dizia ser chamado pelos índios locais de Paititi, após a qual publicou um livro (1954) segundo o qual "Pai-titi" significa "Duas Colinas" e servia "também para designar a uma legendária cidade incaica".

En 1979, Gottfried Kirchner, outro explorador alemão, publicou a crônica de suas aventuras na Colômbia e se refere ao termo Paititi dizendo que significa algo similar a "A Pátria do Pai Tigre". Segue o padre Juan Carlos Polentini Wester, que explica, citando o padre Constantino Bayle, que "Paí-Titi" significa "Pai Tigre" o "Pai Jaguar-Otorongo".

O historiador argentino Enrique de Gandía sugeriu outro significado: "(...) "Pai" é "monarca" e "titi", contração de Titicaca, ou seja "Monarca do Titicaca". Na sua opinião, o Paitíti seria apenas uma lembrança do templo da ilha do Sol no lago Titicaca e das imponentes cidades incas.

Origem da Lenda Editar

Em 1515, uma das caravelas da expedição de Juan Díaz de Solis ao atual estuário do Rio da Prata, ao retornar para a Espanha, afastou-se da frota e naufragou perto da Ilha de Santa Catarina, mas onze de seus marinheiros conseguiram alcançar a costa a nado. Fascinados pelo que ouviram dos índios guaranis, internaram-se na floresta brasileira em busca de um "rei branco" que seria o senhor de um rico império no interior. Doze anos depois, dois dos sobreviventes, inclusive Aleixo García foram recolhidos pela expedição de Sebastião Caboto, veneziano a serviço da Espanha, com peças de prata que haviam obtido em sua aventura, ao subir os rios da bacia platina. Aleixo Garcia falou com eloqüência de uma fabulosa sierra de la Plata, afirmando que se eles subissem o rio poderiam carregar seus navios com ouro e prata.

Quebrando seus acordos com a Coroa, que o obrigavam a navegar até as ilhas das Especiarias na Ásia, Caboto decidiu mudar de direção e subir o rio Paraná à procura dessas montanhas, que dariam seu nome ao Rio da Prata e à própria Argentina. Explorou o rio até as cataratas de Yaciretá-Apipé, que não pôde subir. Fundou o primeiro fortim espanhol na atual Argentina e retornou à Espanha, onde foi julgado e condenado pelo abandono da expedição original. Depois de um ano, foi perdoado e voltou a servir como piloto.

Aleixo Garcia provavelmente chegou às fronteiras do Tawantinsuyu, ou Império Inca, que pouco depois seria conquistado por Francisco Pizarro e a sierra de la Plata eram as jazidas de prata de Potosí. Mas mesmo depois disso, muitos exploradores da região platina não se deram conta de que aquilo que buscavam já havia sido invadido e conquistado a partir de outra direção, do norte, e continuaram a acreditar que os rios Paraná e Paraguai ainda levavam a um império rico em ouro e prata a ser conquistado, continuando a procurá-lo por gerações.

Em 1533, Pizarro havia capturado de surpresa o imperador Atahuallpa, que lhe propôs um trato. Sobre a parede da sala onde estava preso em Cajamarca, traçou uma linha (supostamente até onde alcançava) e prometeu encher aquela sala de ouro e outra de prata até aquela marca em troca da liberdade. Pizarro aceitou e caravanas de lhamas seguiram para Cajamarca com objetos de ouro e prata, mas quando Atahuallpa cumpriu o prometido, os espanhóis o julgaram e executaram sob várias acusações, inclusive a de ocultar um tesouro. Surgiu então a história de que seus súditos, ao saber da notícia, haviam desviado caravanas com ouro e pra para um lugar desconhecido, onde esconderam tudo o que puderam. Outro boato dizia que dignitários incas, chamados orejones pelos brincos enormes que lhe deformavam as orelhas, haviam criado um império secreto no Antisuyu (a região da selva a leste). Daí as buscas ao Paitíti em duas direções: a partir de Cuzco para sudeste e do Paraguai para o norte, gerando a expectativa de uma cidade riquíssima nessa direção.

Primeiras expedições Editar

A primeira expedição em busca do Paitití a partir do Paraguai foi organizada por Domingo de Irala, acompanhado por Alvar Núñez Cabeza de Vaca empreendeu entre 1547 e 1549 uma das mais aventurosas buscas do Paitíti, subindo o Paraguai acompanhado de 350 espanhóis e 2 mil índios. A cada etapa se informava sobre o ouro e os índios - talvez maliciosamente - o enviam para várias direções diferentes. À custa de guerras, alianças e massacres, acabou por chegar às terras já conquistadas pelos espanhóis no Alto Peru (atual Bolívia), sem perceber que se tratava da mesma sierra de Plata e Noticia Rica que procurava.

Irala repetiu a tentativa em 1553, na chamada mala entrada. Em uma carta de 1550, Irala relata que essas expedições se faziam por que

segundo a notícia de que adiante tínhamos, a via do norte era muito grande e muito pública. Conforme diziam entre os naturais da terra e índios guaranis da serra, há grandes riquezas de ouro, um grande senhor e populações. Esta notícia se divulgou em Quito e no Peru, Santa Marta e Cartagena... o fim da qual não foi encontrada por não se ter dado com o caminho verdadeiro que tenho por certo ser este...

Com essas entradas, o Paitíti começou a ser localizado na região de Moxos (atual departamento de Bení, Bolívia), nos baixos ou cerrados do rio Beni, que inunda as planícies e que os indígenas desaguam mediante um sofisticado sistema de camellones (montículos para o cultivo da mandioca) e canais.

Esse mito do Paitíti se confunde com o do país de Candire, procurado a partir de Assunção, Paraguai, por Ñuflo de Chávez em 1557, que se dirigiu à chamada província de Jareyes, ou Xareyes (leia mais em lago dos Xaraiés), onde tomou nota de

Uma serra muito grande que durava muito e que por uma parte limitava-se com um lago muito grande e da outra parte era uma população muito grande de gente que não tinha mais de um principal, que era senhor de todos e se chamava Candire.

Em 1567, Juan Álvarez de Maldonado fez uma nova tentativa, partindo de Cuzco. Em caso de sucesso, seria recompensado com uma província que englobaria todo o centro da América do Sul, da cordilheira dos Andes até o meridiano de Tordesilhas. Maldonado escolheu a rota fluvial do rio Madre de Diós, afluente do Madeira. Na região que os índios chamavam de Toromonas, o cacique Tarono os recebeu amigavelmente, mas era um estratagema. Durante uma ausência de Maldonado, seus índios lançaram um ataque devastador ao qual sobreviveu apenas um ferreiro, que foi obrigado a por sua técnica a serviço dos vencedores.

Outras expedições partiram de Larecaja, no século seguinte, como a de Pedro Leagui Urquiza em 1614, a de Gonzalo de Solís Holguín em 1617 e a de Diego Ramírez Carlos e frei Gregorio Bolivar em 1620. Também nesse ano, um certo Juan Recio de León diz ter localizado o Paitíti, com base nos relatos de "três ou quatro índios principais". Para esse reino "se retiraram a maioria dos índios que faltam no Peru". Os índios teriam lhe dito que:

por mar ou por terra, eles chegavam em quatro dias a uma grande cocha, o que significa um grande lago, criado por todos esses rios em terras planas, e que há neles numerosas ilhas povoadas com uma quantidade infinita de pessoas; e que eles chamavam o senhor de todas essas ilhas de Grande Paytiti.

Informava também que seus inimigos ingleses e holandses, vendiam facas, machadinhas, cordas e outras ferramentas aos habitantes desse reino: "A maioria deles vai ao Paytite duas ou três vezes ao ano para tentar ali negociar, e é esta razão pela qual têm esses utensílios em seu poder". Vê-se que os espanhóis atribuíam a queda da população em seus domínios - devida a epidemias, à desorganização da produção e à escravização e trabalhos forçados a que os indígenas eram submetidos pelos espanhóis - a uma fuga em massa para o Paitíti.

Essas entradas resultaram na fundação de várias povoações, das quais a mais importante veio a ser Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O padre espanhol Martín del Barco Centenera, que em 1572 chegou ao Paraguai e foi nomeado arcediago, compartilhou por 24 anos dos sonhos e aventuras dos conquistadores (bem como de sua fome de ouro e prata) e traduziu sua experiência em um poema chamado La Argentina y Conquista del Río de la Plata, Tucumán y Otros Sucesos del Perú. No quinto canto, ele se detém sobre o Gran Moxo, señor del Paytite:

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Vida quotidiana nas planícies de Moxos por volta de 1000 d.C. (pintura de Dan Brinkmeier para o Field Museum of Natural History, Chicago)

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Índios Moxos no vice-reinado do Peru, de Lazaro de Ribera (1786-1798)

Capa da primeira edição de La Argentina em Lisboa, 1602
CaminhoMameria.jpg

Caminho inca que baixa da Cordilheira de Paucartambo às ruínas de Mameria, no atual Parque Nacional de Manú

Foto33.jpg

Suposto mapa do Paititi, conservado no museu eclesiástico de Cuzco

Si la muerte no teme aquesta gente,
el argentino fuera más somoso
el día de hoy, que nueva ciertamente,
se tuvo aquí de un indio belicoso.
La plata y el oro bello reluciente
se ha visto, no es negocio fabuloso,
que cántaros de oro a maravilla
tenía aqueste indio y gran vajilla.
En una gran laguna éste habitaba,
en torno de la cual están poblados
los indios, que a su mano él sujetaba
en pueblos por gran orden bien formados.
En medio la laguna se formaba
una isla, de edificios fabricados,
con tal belleza y tanta hermosura,
que exceden a la humana compostura.
Una casa el señor tenía labrada
de piedra blanca toda hasta el techo,
con dos torres muy altas a la entrada,
había del una al otra poco trecho.
Y estaba en medio de ellas una grada
y un poste en la mitad de ella derecho,
y dos vivos leones a sus lados,
con sus cadenas de oro aherrojados.
Encima de este poste y gran coluna,
que de alto veinticinco pies tenía,
de plata estaba puesta una gran luna,
que en toda la laguna relucía.
La sombra, que hacía en la laguna,
muy clara desde aparte parecía.
¿Quién hay que no tomara una tajada
de la luna, aunque fuera de menguada?
Pasadas estas torres, se formaba
una pequeña plaza bien cuadrada;
en el mayor estío fresca estaba,
que de árboles está toda poblada,
los cuales una fuente los regaba,
que en medio de la plaza está sitiada,
con cuatro caños de oro gruesos, bellos,
que yo sé quién holgara de tenerlos.
La pila de la fuente más tenía
de tres pasos en cuadra su hechura:
de más que de hombre mortal parecía
en talle, perfección, y compostura.
En extremo la plata relucía
mostrando su fineza y hermosura.
El agua diferencia no mostraba
de la fuente y pilar do se arrojaba.
La puerta del palacio era pequeña,
de cobre, pero fuerte y muy fornida:
el quicio puesto, y firme en dura peña,
con fuertes edificios guarnecida.
Seguro que del pelo y de la greña,
del viejo del portero, que es crecida,
pudiéramos hacer un gran cabestro:
oíd pues del viejazo el mal siniestro.
Aquellos que por dicha ya han pasado
por medio de las torres y columnas,
haciendo las rodillas ya postrado,
levantando los ojos a la Luna,
aqueste viejo así les ha hablado,
con una muy feroz voz importuna,
y dice: "A éste adorad, que es sólo uno
el Sol, y fuera de él otro ninguno".
En alto está el altar de fina plata,
con cuatro lamparillas a los lados
encendidas, y alguna no se mata,
que están cuatro ministros diputados.
Un sol bermejo más que una escarlata,
allí está con sus rayos señalados:
es de oro fino el sol allí adorado,
¿mas hay de quien él sea desechado?
Aqueste gran señor de esta riqueza
el gran Mojo se dice, y es sabido
muy cierto su valor y su nobleza:
su ser, y señorío enriquecido
de sus vasallos, fuerzas y destreza,
por nuestro mal habemos conocido:
que pocos tiempos ha que en cortas trechas,
probamos la fiereza de sus flechas.
¡A que no fuerzas, hambre detestada
del oro, que los ánimos perdidos
tras ti llevas con ansia tan nefanda,
que ciega las potencias y sentidos!
Con todo desque ven que la muerte anda
de prisa, con temor los doloridos,
que habían emprendido este viaje,
se vuelven para atrás de este paraje.

Há um mapa do século XVII no museu eclesiástico de Cuzco, que supostamente descrevem o país do Paititi e parece identificá-lo com o Paraíso. Ao redor do mapa, que é puramente simbólico (não indica nomes reais de acidentes geográficos, mas apenas "monte" e "rio") lê-se:

Corazón del corazón, tierra india del Paititi, a cuyas gentes se llama indios: todos los reinos limitan con él, pero él no limita con ninguno. Estos son los reinos del Paititi, donde se tiene el poder de hacer y desear, donde el burgués sólo encontrará comida y el poeta tal vez pueda abrir la puerta cerrada desde antiguo, del más purísimo amor. Aquí puede verse sin atajos el color del canto de los pájaros invisibles.

O marinheiro e escritor Pedro Sarmiento de Gamboa, depois de acompanhar o vice-rei do Peru em uma visita às províncias, escreveu um relato a partir de informações que colheu, sobre uma região a leste da cordilheira onde corre um rio chamado Paitite.

Em 1635, o padre Diego Felipe de Alcaya escreveu que, após a submissão do Peru pelos espanhóis, o sberano dos incas fugitivos, "levando em conta a configuração do terreno, povoou a vertente sul da montanha chamada Paititi (...) E assim como aqui ele foi o chefe deste reino, El Cuzco, ele é agora o chefe desse grande reino de Paititi, chamado Mojos." Uma carta do vice-rei do Peru à corte de Filipe II informava que "na província de Paititi há minas de ouro prata e âmbar em grande quantidade".

Em 1782, quando Túpac Amaru II liderou uma rebelião contra os colonizadores para restabelecer o Império Inca, atribuiu-se o título de "Inca, rei do Peru, de Santa Fé, de Quito, do Chile, de Buenos Aires e do continente dos mares do Sul, duque e senhor das Amazonas e do Grande Paitíti", mostrando que a lenda, a essa altura já desacreditada pelos espanhóis, começava então a tomar conotações nativistas e indigenistas.

Fawcett Editar

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A estatueta que teria levado Fawcett a procurar uma cidade perdida no Mato Grosso

Em 1925, o explorador britânico Coronel Percy Harrison Fawcett (1867 – 1925) desapareceu ao organizar uma expedição para procurar por uma civilização perdida, supostamente o Eldorado, na Serra do Roncador, Brasil.

Fawcett realizou sete expedições na Bolívia e Brasil entre 1906 e 1924. Em 1925 convidou seu filho mais velho, Jack Fawcett, para acompanhá-lo em uma missão em busca de uma cidade perdida, que chamara de "Z". Fawcett estava convencido que essa cidade existia na Serra do Roncador, nordeste do Mato Grosso.

Supostamente, sua busca estaria relacionada a uma estatueta de basalto negro, de 25 cm de altura, que que Fawcett ganhara de H. Rider Haggard, o autor de As Minas do Rei Salomão e aparentemente foi perdida na expedição. Segundo Fawcett,

Existe uma propriedade particular nessa imagem de pedra, e todos podem senti-la ao tocar a mão. Estranhamente, uma corrente elétrica atravessa o braço da gente, causando um choque tão forte que muitas pessoas a largam de imediato. A razão dessa energia eu desconheço. Acredito sinceramente que ela veio de uma das cidade perdidas. Quando descobrir os significados existentes nela, descobrirei também o caminho para chegar no lugar de onde se originou.

Fawcett teria mesmo consultado um psicometrista (um clarividente que diz ler impressões em objetos) para tentar descobrir a origem do ídolo. O sensitivo estava em um ambiente totalmente escuro quando a estatueta foi colocada em suas mãos. Então ele disse:" Vejo em terras distante várias pessoas, vivendo em uma cidade... uma civilização adiantada... existem enormes templos ornamentados com as figuras de um grande olho... num deste templo existe a figura de um sacerdote parecido com esta estátua que seguro nas mãos...há um monarca e muitos escravos... vejo também um vulcão, e parece que ele foi a causa da destruição desta civilização.." Depois o sensitivo acrescenta este aviso:" Eis o importante sobre esta imagem, sua posse é maléfica para aqueles que não lhe têm afinidades e eu posso dizer que e perigoso zombar dela."

Antes de partir, Fawcett deixou uma nota dizendo que, caso não retornasse, nenhuma expedição deveria ser organizada para resgatá-lo. O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925, quando telegrafou uma mensagem à esposa dizendo que estava prestes a entrar em território inexplorado, acompanhado somente do filho e de um amigo de Jack chamado Raleigh Rimmell. Partiram para atravessar a região do Alto Xingu e nunca mais voltaram.

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Orlando Villas Bôas e dois índios Kalapalo com a ossada do coronel Fawcett (1952)

Em 1952, seis anos depois de contatados pelos irmãos Cláudio e Orlando Villas Bôas, do Serviço de Proteção ao Índio, os índios Kalapalo revelaram ter matado exploradores que haviam passado por ali muitos anos antes, provavelmente Percy Harrison Fawcett, Jack Fawcett e Raleigh Rimmell.

Segundo Noel Villas Bôas, filho de Orlando, que Fawcett - que os índios chamaram "mingueleze", que, supuseram os irmãos, seria uma interpretação de "mim inglês" - foi morto por seu comportamento hostil. "Ele teria reclamado do lugar oferecido para dormir e depois bateu num indiozinho que mexeu em suas coisas. As crianças são praticamente intocáveis naquelas sociedades indígenas", explica Noel. Ao subir um barranco, o inglês sofreu um golpe de borduna - espécie de tacape usado para caça - na cabeça. Já morto, caiu abraçado ao tronco de uma árvore. Foi enterrado ali mesmo, em cova rasa Jack e Rimell teriam sido flechados e descartados no rio.

Os irmãos Villas Bôas localizaram o local onde teria sido enterrado o explorador inglês e encontraram ossos humanos, faca, botões e pequenos objetos metálicos. Os ossos encontram-se hoje no Instituto Médico Legal da Universidade de São Paulo. Foi analisado o DNA mitocondrial mas a família Fawcett se recusou a submeter-se ao exame e resolver definitivamente o mistério. Brian, filho de Fawcett teria dito aos irmãos Villas Bôas numa viagem ao Brasil: "Não vou trocar meia dúzia de ossos pela lenda do meu pai".

Sobrevivências do mito Editar

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Petróglifos de Pusharo

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Ruínas de Mameria

Em El Paititi, El Dorado y las Amazonas (1976), o historiador argentino Roberto Levillier defendeu que o Paitíti realmente existiu e se situava na atual Serra dos Parecis, entre Rondônia e Mato Grosso, mas seus descendentes depois se dispersaramentre as tribos vizinhas, mais tranqüilas a seus olhos que os invasores espanhóis e portugueses.

Também em 1976, o jornalista alemão Karl Brugger publicou As Crônicas de Akakor, nas quais localizava, nas nascentes do Purus, entre o Brasil e o Peru, uma cidade parcialmente subterrânea que teria sido construída por extraterrestres e habitada por um povo de pele branca. Referiu que ela teria sido visitada por espanhóis, dando a entender que se trataria da Paitíti da lenda.

Na zona de Chinchero e Urubamba, nos meios populares de Cuzco e da borda da selva, muitos acreditam ainda hoje que Paitíti foi o refúgio dos últimos incas e que seus descendentes ainda permanecem ali, escondidos e afastados do mundo. Sustentam também que alguns privilegiados conseguiram comunicar-se com eles, ainda que não saibam ou não queiram revelar o lugar exato onde estaria localizada essa cidade quéchua.

Uma parede rochosa coberta de petróglifos, descoberta em Pusharo, no atual Parque Nacional de Manú (Peru), pelo padre Vicente de Cenitagoya em 1921, tem sido considerada como relacionada a Paitíti, ou mesmo como um mapa que indica sua localização. Há anos, os membros de uma sociedade chamada La Hermandad Blanca ou Rahma visitam Pusharo para realizar ali seus ritos de iniciação e fazer, segundo eles, contato com extraterrestres.

Segundo os arqueólogos, trata-se de manifestação de uma cultura amazônica pré-incaica, embora a região tenha chegado a ser ocupada pelos incas, como mostra a presença de machados de pedra incaicos na região. Não muito longe dali, em uma parte da serra de Paucartambo chamada pelos índios machiguengas de Mameria ("não há ninguém", em sua língua), foram encontradas ruínas incaicas, aparentemente um complexo de produção de coca, que também têm sido consideradas um "posto avançado" do Grande Paitíti.

A idade dos petróglifos não pôde ser determinada porque as enchentes do rio próximo removeram quaisquer restos orgânicos que pudessem ser usados na datação, mas supõem-se que têm de mil a dois mil anos. Possivelmente, representa uma visão ou concepção xamânica.

Referências Editar

  • Ana María Lorandi, De Quimeras, Rebeliones y Utopias: la gesta del inca Pedro Bohorque. Lima: Fondo Editorial de la PUC del Perú, 1997.
  • Jorge Magasich-Airola e Jean-Marc de Beer, América Mágica: quando a Europa da Renascença pensou estar conquistando o Paraíso. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
  • Fernando Jorge Soto Roland, "El Paititi. Imaginario, realidad y utopía andina" [1]
  • Thiago Medaglia, "O mistério do coronel" [2]
  • Rainer Hostnig e Raúl Carreño Collatupa, "Pusharo, un sitio rupestre extraordinario en la selva amazónica de Madre de Dios, Perú" [3]

Veja também Editar

Eldorado

Inkarri

Akakor

Ligações Externas Editar

A interminável busca do Paititi e a análise do manuscrito do jesuíta Andrea López

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