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Papafigo.jpg

Papa-figo (ilustração de Marcos Jardim

O papa-figo é um mito urbano que ocorre em todo o Brasil. Seu nome é a contração de papa-fígado, sua principal característica.

Em geral, é descrito, como um homem idoso, sujo e com o corpo coberto de chagas. Pode, também, ser alto, magro, pálido e com a barba por fazer. Às vezes, carrega um saco. Costuma andar pelas ruas no final da tarde, durante o crepúsculo, à procura de crianças desacompanhadas, atraindo-as com o intuito de raptá-las, extraindo-lhes, a seguir, o fígado.

Ao lado do negro velho e do homem do saco, integra o ciclo do pavor infantil. Segundo versão paraibana registrada por Ademar Vidal (Lendas e superstições), a fim de não cometer injustiças, o papa-figo restrinje sua caça apenas aos meninos mal-comportados, desobedientes, teimosos ou chorões.

Em tempos antigos, acreditava-se que a lepra era uma doença de pele causada pelo mau funcionamento do fígado, órgão que, diziam, era o produtor do sangue. A cura estaria no consumo do órgão sadio. Mas somente o fígado infantil teria pureza e força suficientes para aliviar o sofrimento dos hansenianos. E sempre haveria alguém disposto a pagar qualquer preço por tão poderoso e raro lenitivo. O papa-figo era, portanto, em algumas versões, o próprio doente em busca de cura ou, outras vezes, o encarregado de conseguir a mercadoria para tal tipo de comércio.

Na interpretação de Mário Corso, em Monstruário (p.140), "de certa forma, hoje estamos ressucitando o papa-figo na figura do sequestrador de crianças para transplante de órgãos. A idéia é a mesma: nossas crianças são vítimas de ladrões de órgãos. Embora a maldade humana pareça não ter limites, desse fato só temos por enquanto suspeitas. Assim nascem e se conservam os monstros míticos, vivendo nessa fronteira difusa entre o fato e a fantasia".


Referências Editar

  1. Alceu Maynard Araújo. Folclore nacional. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1964, v.1, p.424
  2. Luís da Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954
  3. Luís da Câmara Cascudo. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.239-243, 383-384
  4. Mário Corso. Monstruário; inventário de entidades imaginárias e de mitos brasileiros. 2ª ed. Porto Alegre, Tomo Editorial, 2004, p.139-140
  5. Gilberto Freire. Assombrações do Recife velho; algumas notas históricas e outras tantas folclóricas em torno do sobrenatural no passado recifense. 5ª ed. Rio de Janeiro, Topbooks, 2000, p.97-98
  6. Gilberto Freire. Casa grande e senzala. Rio de Janeiro, 1933, p.368
  7. Ademar Vidal. Lendas e superstições; contos populares brasileiros. Rio de Janeiro, Empresa Gráfica O Cruzeiro, 1950, p.125-126 [1]

Ligações externas Editar

  • O Recife Assombrado: Causos do papa-figo [2]

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