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Pirene

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Brasão de Coimbra (versão tradicional)

Pirene é uma ninfa cuja lenda é citada como relacionada à fundação da cidade de Coimbra. Seria o busto feminino que originalmente aparecia em seu brasão de armas, que data do século XIII.

A mais antiga representação conhecida das armas coimbrãs encontra-se num documento da "Era Hispânica" de 1278 (ano de 1240 d.C.), que tem pendente um selo de cera vermelha, no qual se pode ver um busto de uma figura feminina, coroada, e com um manto, tendo à volta um outro manto ou resplendor.

O brasão de Coimbra sofreu, posteriormente, uma transformação com a introdução no seu campo da figura do leão e do dragão. Desconhece-se, por falta de documentos credíveis, a data em qual aconteceu, embora se possa afirmar que essa adição, aconteceu, possivelmente, no decorrer do século XV, interpretando a composição do reinado de D. Manuel I, em que o brasão está alindado com esses ornamentos.

Pirene em Inácio de Morais Editar

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Brasão de Coimbra (versão moderna)

Segundo a versão contada por Inácio de Morais em Elogio de Coimbra (Conimbricae Encomium, 1553):

Coimbra, estudiosa e douta, faz lembrar Atenas, a antiga, florescendo, qual solícito pajem, sob a égide de Minerva,

Foi ela berço daqueles lusitanos reis que outrora levaram seus exércitos. aguerridos contra os mouros cruéis.

Foi também o fortíssimo baluarte da pátria e a serva fiel e constante da fé.

Segundo corre a fama, fundou-a Anfitriónides quando, há remotíssimo tempo, transpondo as plagas hispânicas e talando os campos fecundos de Gerião, rei da Ibéria, se dirigia para os montes pirenaicos, árduas regiões do rei Bebrix, depois de ter extorquido ao vencido gados e óptimos tributos.

Bebrix tinha uma filha de excelsa formosura, chamada Pirene, que era toda a esperança do pai.

Alcides vê-a, arde subitamente em amoroso fogo e não hesita em trair a fé da hospitalidade.

Encantando-a com doces palavras e abusando da sua superioridade, sedú-la e abandona-a, o que acontece sempre que Baco e Cupido se dão as mãos ou a saciedade vem após o banquete. Ela (fielmente o creio...) concebe uma serpente e com isto começa a crescer a prenhês.

Pirene esconde-se na floresta, fugindo ao pai,—vencida pela vergonha—; fugindo às feras, vencida pelo medo.

Entretanto, dá a luz uma serpente alada (custa a dizê-lo) e horroriza-se com o fruto do próprio ventre.

Ao mesmo tempo foge, escondendo-se nas cavernas.

Chora a sua miséria, rasgando com as unhas as faces indignas. Debalde implora a Hércules a prometida fidelidade e clama pelo enraivecido pai.

Não foi mais feliz Tesea, quando, através das surdas ondas, gritava por Gnosis, ao ver-se abandonada.

A boca triste soltava tais queixumes quando Hércules resolve amarrar as velas à perigosa jangada.

Mas, enquanto Pirene flutua na maré dos seus cuidados e atira aos ventos palavras inúteis que se perdem, as feras, ouvindo-a pálida e trémula clamar pelo socorro do hóspede invencível, correm sobre ela e dilaceram-na.

Alcides, vitorioso das ondas, volta ao lugar funesto e, chorando a triste sorte de Pirene, procura-a pela montanha e, logo encontrando os membros despedaçados, guarda numa urna o rosto da amada.

Atónito, mal crê nos seus olhos e grita com toda a força do seu peito, tanto mais que nenhum o tinha mais forte do que ele. Enche o espaço com triste imprecações e abala a montanha nas profundezas. Berra por Pirene e ecoam os campos: Pirene... Fogem as feras medrosas pelos bosques. Assim outrora também soltava tristes gemidos do fundo do peito pelo perdido Hilas.

Por fim, tendo chorado copiosas lágrimas e tendo dado sepultura condigna aos restos da amada, deixa com tristeza o infeliz lugar.

Repousam no túmulo os ossos protegidos contra as feras enquanto a montanha guarda o nome da pobre Pirene.

Diz-se que Tiríntio, depois, demandou a nossa cidade e nela assentou sua morada.

E mandou aos seus concidadãos que guardassem para sempre a memória da infelicidade e da dor da sua Pirene e que dela nos muros da cidade conservassem os símbolos esculpidos: como vês, uma urna recolhe as feições da infeliz donzela. A serpente que pariu está ali posta de lado, bem como o leão: este, ou porque era o manto de Hércules, ou porque ela foi dilacerada por cruéis leões, ao tentar a desgraçada refugiar-se com passos receosos numa caverna.

Queres saber porque tem as têmporas cingidas de uma coroa? Ela indica que foi filha de rei.

Coimbra, portanto, se alegra com tão grande fundador a quem cederam o passo os homens e as feras indomáveis.

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