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Cupid and Psyche

Cupido e Psique, de Jean-Louis David (1817)

Psyche Entering Cupids Garden CGFA

Psique Entra no Jardim de Cupido, de John William Waterhouse (1905)

Burne-jones pan

Pã e Psique, de Edward Burne-Jones (1872-74)

PsycheAphrodite

Psique ante o Trono de Afrodite, Edward Matthew Hale (1883)

Waterhouse psyche opening the golde

Psique abrindo a caixa dourada, de John William Waterhouse (1903)

Canova Le Baiser

Eros e Psique, de Antonio Canova (1786-93)

Abductionpsyche

O Rapto de Psique, William Bouguereau (1895)

Cupid psyche

Eros e Psique, arte romana

Psique (do grego ψυχη, psykhê, "Alma" ou "Borboleta") é uma princesa humana pela qual o deus Eros (ou Cupido, para os romanos) se apaixonou, mas que depois o decepcionou. Lutou, porém, para reconquistar seu amor e acabou por conseguir seu propósito e ser levada ao Olimpo.

Aparece como personagem principal de um conto narrado por uma velha no romance O Asno de Ouro, de Lucius Apuleius (século II d.C.), provavelmente um conto de fadas tradicional adaptado às concepções literárias e filosóficas do autor. Imagens e estátuas alusivas ao mito aparecem desde o século V a.C. e são abundantes na arte helenística e romana, muito antes de Apuleius.

A lenda de Psique Editar

Psique era a mais nova de três filhas de um rei de Mileto e era belíssima. Pessoas de várias regiões iam admirá-la, assombrados, rendendo-lhe homenagens que só eram devidas à própria Afrodite.

Eros partiu para cumprir sua missão. Mas Psique era tão bela, que ao vê-la, Eros feriu-se com uma de suas próprias flechas. Apaixonado, tornou Psique inatingível aos mortais terrenos e disse à mãe que estava livre da rival.

Embora todos os homens a admirassem, nenhum por se apaixonou por Psique, e apesar de menos belas, suas irmãs logo se casaram com reis. Psique, amada por Eros sem que o soubesse, não amava ninguém. A solidão de Psique preocupou seu pai, que consultou o oráculo de Apolo, receando ter ofendido os deuses sem o saber.

Eros pediu ajuda a Apolo e este ordenou aos pais da princesa que a vestisse em trajes nupciais, pois do alto de certa colina, uma serpente alada e medonha, mais poderosa que os próprios deuses, a desposaria.

O rei acatou a ordem do oráculo e deixou-a sozinha na colina, aguardando seu destino. Mas a espera é tão longa que Psique adormeceu e a suave brisa de Zéfiro a transportou para uma planície coberta de flores. Perto corriam as águas claras de um regato e, mais adiante, erguia-se um magnífico palácio. Ao despertar, Psique ouviu uma voz que a convida a entrar no palácio, banhar-se e jantar.

Dentro do palácio, não encontra ninguém, mas sente-se observada. Todos os seus desejos foram satisfeitos por ajudantes invisíveis, dos quais só podia ouvir a voz..

Chegando a escuridão, foi conduzida a um quarto de dormir. Certa de ali encontraria finalmente o seu terrível esposo, começou a tremer quando sentiu que alguém entrara no quarto. No entanto, uma voz maravilhosa a acalmou e mãos humanas acariciaram seu corpo e ela se entregou. Quando acordou, já havia chegado o dia e o amante havia desaparecido. Porém essa mesma cena se repetiu por diversas noites.

Durante algum tempo Psique entregou-se ao amante oculto e mesmo sem ver sua face , o amava. Numa de sua visitas noturnas, Eros lhe faz uma advertência: que se precavesse contra uma desgraça que lhe poderia advir por intermédio das irmãs, que pranteavam-na onde fora deixada e acrescentou que, para evitar a desgraça, não deveria jamais tentar ver o rosto do marido.

A princesa prometeu ambas as coisas, mas deixou-se arrastar pela tristeza e pela saudade. E tanto chorou e pediu, que Eros permitiu a visita das jovens. Todavia, esclareceu: reaproximando-se delas, Psique estava reatando laços terrenos e constituindo seu próprio sofrimento. Depois, mais uma vez, fê-la prometer o que era de tudo o mais importante: jamais tentaria ver-lhe o rosto.

No dia seguinte, as irmãs de Psique foram instruídas a deixar-se levar por Zéfiro ao palácio. De início foram só as alegrias do reencontro. Às perguntas das jovens sobre o marido, porém, a princesa respondeu com evasivas. Aos poucos, o sentimento das irmãs em relação a Psique foi mudando. Haviam chorado supondo-a infeliz, mas partiram invejosas de sua felicidade.

Retornando ao castelo por permissão de Eros, dessa vez movidas pela inveja, fizeram a desconfiança surgir no coração de Psique. Se ela não sabia descrever seu marido, como então poderia estar segura de que não era o monstro descrito pelo oráculo de Apolo? E, se era realmente belo o jovem, por que se ocultava nas sombras da noite? Invadida pela dúvida e temor, Psique acabou aceitando o conselho maldosamente planejado pelas irmãs: deveria preparar uma lâmpada e uma faca afiada: com a primeira, explicaram as moças, poderia ver o rosto do esposo; com a segunda, matá-lo se fosse o monstro.

À noite, Eros retornou, ardente e apaixonado como sempre. Enquanto se entregava ao amor, Psique esqueceu o medo e a dúvida, mas depois, quando Eros adormece, a incerteza volta a invadir-lhe o coração. Silenciosa, pegou a lâmpada, iluminou o rosto do esposo e deteve-se, deslumbrada. Não era um monstro, mas o mais belo ser que poderia ter existido. Arrependida e em êxtase, derrubou óleo quente da lâmpada no ombro do amado. Ele despertou, sobressaltado, e percebeu o que acontecera. Decepcionado, Eros vai embora. E tentando alcançá-lo Psique apenas ouve-lhe ao longe na escuridão: "O amor não pode viver com desconfiança."

Quando se recompôs, Psique viu que o palácio desaparecera e estava bem perto da casa dos pais. Desesperada, tentou suicidar-se atirando-se em um rio próximo, mas suas águas a trouxeram gentilmente para a margem. Foi então alertada por Pã para esquecer o que se passou e procurar novamente ganhar o amor de Eros.

Quando suas irmãs souberam do acontecido, fingiram pesar, mas partiram então para o topo da montanha, pensando em conquistar o amor de Eros. Lá chegando, chamaram o vento Zéfiro, para que as sustentasse no ar e as levasse até Eros. Mas, Zéfiro desta vez não as ergueu no céu, e elas caíram no despenhadeiro, morrendo.

Eros voltou para junto da mãe, pedindo-lhe que curasse a queimadura no ombro. Mas ao contar o que ocorreu, Afrodite percebe que foi enganada e passa a alimentar apenas um pensamento: encontrar a rival e vingar-se.

Psique, resolvida a reconquistar a confiança de Eros, saiu a sua procura por todos os lugares da terra, dia e noite, até que chegou a um templo no alto de uma montanha. Com esperança de lá encontrar o amado, entrou no templo e viu uma grande bagunça de grãos de trigo e cevada, ancinhos e foices espalhados por todo o recinto. Convencida que não devia negligenciar o culto a nenhuma divindade, pôs-se a arrumar aquela desordem, colocando cada coisa em seu lugar. Deméter, para quem aquele templo era destinado, ficou profundamente grata e disse-lhe:

- Ó Psique, embora não possa livrá-la da ira de Afrodite, posso ensiná-la a fazê-lo com suas próprias forças: vá ao seu templo e renda a ela as homenagens que ela, como deusa, merece!

Afrodite, ao recebê-la em seu templo, impôs como condição para o perdão, uma série de tarefas que deveria realizar, tão difíceis que poderiam causar sua morte.

A primeira tarefa consistia em separar, até a noite, imensa quantidade de grãos miúdos de diversas espécies. Parecia ser impossível cumpri-la no prazo estabelecido. Mas tão grande era o sofrimento de Psique, e tão angustiado seu pranto, que despertou a compaixão de formigas que passavam no local. Elas rapidamente separaram os grãos por espécies, juntando-os em vários montículos.

A primeira tarefa estava cumprida, o que deixou Afrodite ainda mais irritada. Ordenou-lhe que dormisse doravante no chão, alimentando-se apenas de alguns pães secos. Esperava assim acabar com a beleza que lhe arruinara os cultos.

A segunda tarefa veio no dia seguinte: deveria ir a um vale cortado por um regato e lá tosquiar os perigosos carneiros do sol que ali pastavam, capazes de atacá-la e matá-la. A lã desses carneiros era de ouro, e um pouco dela a caprichosa Afrodite desejava para si. Quando já estava a ponto de atravessar o rio, ouviu uma voz vinda dos caniços à beira do regato:

-Não é necessário enfrentar os terríveis carneiros para tentar tosquiá-los - disse a voz -, basta esperar que eles saiam das touceiras de arbustos espinhosos, quando forem beber água: nos espinhos ficarão presos alguns fios de lã que poderão ser facilmente apanhados.

Não satisfeita, Afrodite incumbiu-a de uma terceira tarefa: teria de subir a cascata que provinha da nascente do rio Estige e trazer à deusa um frasco contendo um pouco daquela água escura, guardada por um dragão. As pedras que davam acesso à cascata eram íngremes e escorregadias, e a queda da água era extremamente violenta. Impossível satisfazer a exigência de Afrodite. Só se pudesse voar Psique realizaria a tarefa. Estava já disposta a desistir, quando surgiu uma águia, que lhe tirou o frasco da mão, voou até a fonte e apanhou uma porção do líquido negro.

A água do Estige, porém, não saciou em Afrodite a sede de vingança. Psique deveria ainda executar uma última e mais difícil tarefa: ir ao Hades e persuadir Perséfone a colocar numa caixa um pouco de sua beleza. Como pretexto, diria à rainha dos Infernos que Afrodite precisava dessa beleza para recuperar-se das longas vigílias à cabeceira do filho doente.

Psique, desesperada, subiu ao topo de uma elevada torre para atirar-se e assim alcançar o mundo subterrâneo. A torre, porém, murmurou instruções sobre como entrar em certa caverna para alcançar o reino de Hades. Ensinou-lhe ainda como driblar os diversos perigos da jornada, como passar pelo cão Cérbero, deu-lhe uma moeda para pagar a Caronte pela travessia do rio Estige e advertiu-a:

- Você encontrará pessoas patéticas que lhe pedirão ajuda, e por três vezes terá que fechar seu coração à compaixão, ignorar seus apelos e continuar. Se não o fizer, permanecerá para sempre no mundo das trevas. Quando Perséfone lhe der a caixa com sua beleza, toma o cuidado, maior que todas as outras coisas, de não olhar dentro da caixa, pois a beleza dos deuses não cabe a olhos mortais.

Psique fez tudo o que lhe indicou a torre, e assim conseguiu chegar à presença de Perséfone. Solícita, a rainha dos mortos atendeu ao pedido da jovem e entregou-lhe a caixa solicitada por Afrodite.

Sendo instruída quanto ao caminho de volta, o retorno ficou fácil para Psique, mas a próxima prova lhe foi imposta pela própria vaidade. Temendo que tantas atribulações a tivessem tornado feia, não queria perder o amor de Eros. A tentação foi grande. E Psique não resistiu: no meio do caminho, abriu a caixa. Para sua surpresa nada encontrou. Mas tamanho sono a tomou, que ali mesmo caiu, adormecida, como se estivesse banhada pela beleza da morte.

Enquanto dormia, Eros, curado da queimadura, abandonava a mansão materna em busca da amada. Vagou por toda a parte, até que finalmente a encontrou deitada ao relento.

Aprisionou o sono que pesadamente lhe cerrava os olhos e recolocou-o na caixa. Em seguida despertou-a gentilmente com a ponta de uma flecha. Com ternura, repreendeu-a pela curiosidade que a fizera abrir a caixa e mandou-a entregar a encomenda a Afrodite, como se nada tivesse acontecido.

Para que nada mais acontecesse à amada, Eros dirigiu-se ao Olimpo para pedir a Zeus que o unisse em casamento à bela jovem. Para atendê-lo, era necessário que a princesa recebesse o dom da imortalidade. Hermes foi buscar Psique e levou-a à presença dos deuses. O próprio Zeus deu-lhe de beber a ambrosia, que lhe conferiu a imortalidade. Depois declarou-a oficialmente esposa de Eros.

Impotente tornara-se o ciúme de Afrodite. Psique agora era imortal e estava unida para sempre a Eros. Nada mais podia separá-los. Dessa união nasceu uma filha chamada Hedone ("Prazer") em grego ou Voluptas em latim, a deusa do prazer erótico.

Referências Editar

  • Wikipedia (em inglês): Cupid and Psyche [1]
  • Eros e Psique - a lenda [2]
  • Eros e Psiquê [3]

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