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Luscinia megarhynchos Istria

Rouxinol comum (Luscinia megarhynchos)

Lessonnightingale

A Lição do Rouxinol, de Philipp Otto Runge (1804-5). Refere-se a uma ode do poeta Friedrich Klopstock, na qual Psique ensina Eros a cantar em um carvalho à tarde, a hora na qual os rouxinóis começam a cantar

O rouxinol (Luscinia megarhynchos) ou filomela (do grego Philomêla, "amiga dos rebanhos") é um passarinho da família dos Muscicapideos, restrito ao Velho Mundo. Se u nome em português vem do provençal antigo roussinhol, derivado do latim vulgar lusciniolus. É chamado nightingale em inglês; ruiseñor em castelhano; reiseñor em galego; nachtegaal em holandês; rossignol em francês; Nachtigall em alemão; usignolo em italiano; näktergal em sueco; αηδόν, aêdon em grego; solovej em russo; bülbül em turco, uguisu em japonês.

No Brasil, não existe o verdadeiro rouxinol europeu, mas o nome de rouxinol é dado a aves nativas como o corrupião (Icterus jamacaii croconotus) e encontro (Icterus cayanensis); no Maranhão, à cambaxirra (Troglodytes aedon) e na Bahia, ao garrinchão-de-bico-grande (Thryothorus longirostris).

A Ave Editar

O rouxinol tem uma plumagem discreta, acastanhada e mortiça. Os adultos são castanho-avermelhados na parte superior, cor que se funde com tons creme na parte inferior. Os juvenis são mais claros na parte superior e apresentam um escamado na parte inferior. Têm olhos grandes e pretos, realçados por um fino anel branco. A cauda é castanha-avermelhada, alongada e arredondada e as patas são longas e robustas. Mede 16 a 17 cm e pesa 18 a 27 gramas.

Frequenta charnecas, matas, bosques, parques e jardins. Visita toda a Europa no verão (salvo o extremo norte) e migra para a África, até à latitude do norte de Angola, de julho-agosto a março-abril. Encontra-se também em toda a Ásia, migrando no inverno para sul. Passa muito tempo no solo em busca de alimento, principalmente insetos que captura no solo ou na vegetação baixa. Por vezes come também bagas. É uma ave solitária, exceto na época de reprodução, em que os casais se juntam até as crias se tornarem autônomas.

O macho é um excelente cantor, com extenso reportório, com trinados fluidos terminando em crescendo. É normalmente ouvido depois do escurecer, sendo um dos poucos pássaros a cantar à noite (em inglês é por isso chamado de nightingale, "cantora noturna"), quando seu canto se torna mais notável pela ausência de outros pássaros canoros, mas também se ouve com frequência durante o dia. Fica quase sempre oculto pela vegetação, embora por vezes o macho se empoleire a descoberto para cantar.

A fêmea põe 4 a 5 ovos azuis claros com manchas avermelhadas, numa só postura entre maio e junho que são incubados pela fêmea durante 13 a 14 dias. O ninho em forma de taça, é feito num arbusto baixo ou mesmo no solo, quase nunca acima de 30 cm. As crias têm a penugem completa ao fim de 11 dias mas só se tornam independentes ao fim de mais 3 semanas.

Rouxinol no Mito e folclore Editar

O rouxinol é famoso em toda a Europa e Ásia pela perfeição de seu canto. Foi, segundo Platão, o emblema de Tamiras, bardo da Trácia antiga.

É particularmente apreciado no Japão, onde seu canto é tido como capaz de repetir o título do Hokekyo, o Sutra do Lótus da Boa Lei (Saddharmapundarika-sutra), especialmente caro à seita Tendai.

Na famosa cena 5 do 3º ato de Romeu e Julieta, o rouxinol, como cantor do amor na noite que finda, é oposto à cotovia como mensageira da aurora e da separação. Se os dois amantes escutam o rouxinol, permanecem unidos, mas expõem-se à morte. Se crêem na cotovia, salvam suas vidas, mas devem separar-se.

Pela beleza de seu canto, que enfeitiça as noites de vigília, o rouxinol é o mágico que faz esquecer os perigos do dia.

John Keats exprimiu essa melancolia engendrada pelo canto, não obstante tão melodioso, do rouxinol. A perfeição da felicidade que ele evoca parece tão frágil ou tão remota, na sua excessiva intensidade, que torna mais intolerável o sentimento doloroso de sermos incapazes dela, ou de ficarmos privado dessa ventura, pela chegada fatídica do Sol (Ode a um Rouxinol).

Esse pássaro, que é para todos os poetas o cantor do amor, mostra, de modo impressionante, em todos os sentimentos que suscita, o laço íntimo entre o amor e a morte.

Filomela Editar

Tereus

Tereu confrontado com a cabeça do filho Ítis, de Pieter Pauwel Rubens (1636-38)

ProcnePhilomelaBouguereau

Filomela e Procne, de Elizabeth Gardener Bouguereau (1837-1922)

Segundo um mito grego, Filomela ("amiga dos rebanhos") e Procne (de perknos, "pintada", "manchada"), eram filhas de Pandíon ("Todo-divino"), rei de Atenas. Tendo havido guerra, por questões de fronteira, entre Atenas e Tebas, comandada esta última por Lábdaco, Pandíon solicitou o auxílio do rei da Trácia Tereu ("Vigilante") e com sua ajuda conquistou a vitória.

O soberano ateniense deu ao aliado sua filha Procne em casamento, com a qual teve um filho, Ítis (em grego Itys, onomatopéia do canto do rouxinol). Mas o trácio apaixonou-se pela cunhada Filomela. Convenceu-a a viajar até a Trácia, violou-a e, para que ela não pudesse dizer o que lhe acontecera, cortou-lhe a língua. A jovem, todavia, bordou numa tapeçaria o próprio infortúnio e assim conseguiu transmitir à irmã a violência de que fora vítima.

Procne, enfurecida, resolveu castigar o marido: matou o filho Ítis e serviu-lhe as carnes ao pai. Em seguida, fugiu com a irmã. Inteirado do crime, Tereu, armado com um machado, saiu em perseguição das filhas de Pandíon, tendo-as alcançado em Dáulis, na Fócida. As jovens imploraram o auxílio dos deuses e estes, apiedados, transformaram Filomela em andorinha, que é muda e Procne em rouxinol, que canta ity, ity, lembrando o filho perdido. Tereu foi metamorfoseado em mocho e pia à noite puu, puu, que em grego significa "onde?", "onde?". Em outra versão, os papéis de Filomela e Procne são trocados, inclusive quanto às suas transformações - razão pela qual o rouxinol tem também o nome poético de "filomela".

Há ainda outra versão do mito, de origem milésia, na qual Filomela é chamada Aédon ("rouxinol", em grego) e Ítis nada sofreu.

Referências Editar

  • Wikipédia: Rouxinol [1]
  • Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega, Vozes, Petrópolis 2000

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