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Sátiros

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Na mitologia grega, os sátiros (em grego, Σάτυροι, Sátyroi, talvez relacionado ao grego sathê, "pênis") são divindades menores da natureza com o aspecto de homens com cauda e orelhas de asno, narizes chatos, lábios grossos, barbas longas e órgãos sexuais de dimensões acima da média, muito freqüentemente mostrados em ereção.

Satyr-Maenad
Sátiro persegue Mênade que carrega tirso e serpente, ânfora de Cleófrades, 500-490 a.C.
IctoonAdicionada por Ictoon

Viviam nos campos e bosques e tinham relações sexuais com as ninfas (principalmente as mênades, que a eles se juntavam no cortejo de Dioniso), mas também com mulheres e rapazes humanos. Apreciavam a companhia de Dioniso, o vinho, a música e as orgias. Dançavam ao som de flautas (auloi), címbalos, castanholas e gaitas de foles.

Dezoito deles eram servos de dioniso: Pomenio (pastores), Thiaso (tropa religiosa), Hipcéros (grande chifre), Oréstes (montanhas), Flégraios (paixão ardente), Napeus (vales), Gemon (carregador), Licos (lobos), Fereus (bestas), Petreu (rochedos), Lamis (covas), Lenóbios (pisador de uvas), Ecirtos (satador), Oistros (frenético), Pronomios (antes da pastagem), Férespondo (oferta de bestas), Ampelos (videira) e Cisseus (coroa de heras).

Drunken Silenus
Sileno bêbado, arte romana, século II d.C.
IctoonAdicionada por Ictoon

Sátiros envelhecidos, representados calvos e barrigudos, eram chamados de silenos (seilenoi, em grego), cujo nome talvez derive do trácio zílai, "vinho".

Sileno, o líder ou pai dos sátiros e silenos, é freqüentemente representado montado num burro sobre o qual se equilibra com dificuldade, por estar sempre bêbado. Seus filhos eram: Astreu (brilho estelar), Maron (cinza puro) e Leneus (vinho forte).

Filho de Pã e de uma melíade ou, segundo outra versão, nascido como as melíades do sangue de Urano que caiu na Terra, Sileno foi encarregado de cuidar de Dioniso quando criança. Depois, quando o deus já estava adulto, acompanhou-o em suas viagens.

Regressando da Índia, Sileno estabeleceu-se na Arcádia, onde seu caráter jovial e brincalhão atraiu a simpatia e o afeto dos pastores, que lhe construíram um templo. Andava, em geral, coroado de hera, com uma taça de vinho na mão. Os sátiros gostavam de carregá-lo e as ninfas o amavam por sua bondade. Dizia-se que esse velho voluptuoso, nos seus momentos de sobriedade, era um grande sábio e profeta.

Um mito conta que, certa vez bêbado e perdido na Frígia, foi encontrado por camponeses e levado ao rei Midas, que o tratou com bondade. Dioniso ofereceu ao rei uma recompensa e Midas escolheu o poder de transformar tudo que tocasse em ouro.

Os daimones, como aquele do qual Sócrates se gabava de ser acompanhado, eram às vezes chamados também de silenos.

Drama Satírico Editar

Os sátiros eram personagens obrigatórios dos "dramas satíricos", peças leves que o teatro grego apresentava como complemento e alívio cômico de uma trilogia trágica em honra de Dioniso, que abordava o tema central da série de tragédias sob um aspecto mais leve. Nos dramas satíricos, os heróis agem de maneira séria, mas seus atos são satirizados por comentários irreverentes e obscenos dos sátiros que os acompanham.

Sátiros na Bíblia Editar

Nas traduções do Antigo Testamento (notadamente Isaías 13:21 e 34:14), o termo "sátiro" é às vezes usado como tradução do hebraico se'irim, "peludos", também traduzido como "demônios" ou "bodes". No folclore dos antigos hebreus, se'irim era um tipo de daimon ou ser sobrenatural que habitava lugares desolados. Existe uma alusão à prática de realizar sacrifícios aos se'irim em Levítico, 17:7. Essas entidades podem estar relacionados ao "demônio peludo dos passos montanhosos" (azabb al-akaba) das lendas árabes.

Na Vulgata, a tradução da Bíblia por São Jerônimo, o mesmo termo foi traduzido por onocentauro.

Sátiros romanos e modernos Editar

SatyrNymphHousepompeia
"Sátiro e Ninfa", mosaico de Pompéia na chamada "Casa do Fauno", arte romana
IctoonAdicionada por Ictoon
Ninfasatiro
Ninfa e sátiro se divertem, Terracota de Claude Michel Clodion (1781-1790)
IctoonAdicionada por Ictoon

Os romanos identificaram os sátiros gregos com o deus Fauno e com os faunos da mitologia latina. Suas características eram originalmente diferentes, mas a literatura e a arte clássica da Europa moderna trataram os dois termos como sinônimos e misturaram suas características.

Os sátiros tinham aspecto mais humano, salvo pela cauda e orelhas de asno, mas eram lascivos e bêbados. Os faunos tinham aspecto mais animalesco, mas eram de comportamento mais digno.

O resultado desse sincretismo são entidades com o comportamento dos sátiros gregos e o aspecto dos faunos latinos, chamadas indiferentemente de faunos ou de sátiro, mas na verdade mais semelhante aos pãs gregos. É com esse aspecto e conceito que os sátiros foram imaginados, descritos e pintados desde a Renascença, geralmente na forma de machos lúbricos.

Dessa concepção de sátiro, vêm termos como "satiríase", "satirismo" ou "satiromania" (desejo sexual excessivamente forte nos homens). Vale notar, porém, que a palavra "sátira" não está etimologicamente relacionada aos sátiros.

"Sátira" provém do latim satira "mistura de prosa e verso, sátira, gênero satírico", forma tardia do latim satura "sátira, mistura", que segundo os gramáticos latinos é abreviação do latim lanx satura "prato cheio, prato com vários tipos de frutos reunidos", de lanx "prato" e satŭra, feminino de satur "cheio, abundante", de satis "muito, bastante".

A semelhança formal entre os vocábulos latinos satĭra e satyrus "sátiro" gerou uma grafia satyra, etimologicamente incorreta, baseada na suposição errônea de que o latim satĭra derivaria do grego sátyros, em alusão ao coro de Sátiros, que emprestou seu nome ao drama satírico grego.

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