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Santa Bárbara, de Jan van Eyck (1437)

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Estampa popular moderna de Santa Bárbara

Santa Bárbara é uma suposta mártir cristã que teria sido morta em 306 d.C. É comemorada na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa, embora não faça parte da compilação original dos mártires na Martirologia de Jerônimo de Estrídon e sua veneração tenha sido atestada apenas a partir do século VII.

Faz parte da lista dos 14 "santos auxiliadores", cuja intercessão era considerada particularmente eficaz. Foi comemorada em 4 de dezembro desde o século XII. Seus atributos tradicionais são uma torre de três janelas, a palma, um cálice, o relâmpago e a coroa de mártir.

Vários detalhes da lenda são anacrônicos ou inverossímeis, a começar pelo nome da santa. Para gregos e romanos do século III, ainda mais de classe elevada, "Bárbaro" ou "Bárbara" eram termos pejorativos aplicados a estrangeiros. O lugar de seu martírio varia conforme a versão: Toscana, Roma, Antióquia, Heliópolis ou Nicomédia. Na Igreja Católica, sua data passou a ser preferencialmente dedicada a São Pedro Crisólogo (bispo e doutor da Igreja do século V) desde 1729 e em 1969, a Igreja Católica a removeu totalmente do calendário, por julgar os relatos de sua vida e martírio inteiramente fabulosos, embora continue a mencioná-la no Martirológio Romano.

Na Igreja Ortodoxa, continua a ser oficialmente venerada. Suas supostas relíquias teriam sido transferidas de Constantinopla para Kiev no século XII. Permaneceram até 1930 no Monastério de São Miguel, sendo então transferidas para a Catedral de São Vladimir.

A Lenda Editar

Há várias versões da lenda de Santa Bárbara, a mais difundida das quais a considera nascida no século III em Nicomédia (atual Ismite), cidade da antiga Bitínia, na Ásia Menor, junto ao Mar de Mármara.

Segundo esta versão, Bárbara era uma jovem invulgarmente bela, filha de Dióscoro, homem rico e poderoso, adorador dos deuses grego-romanos. Este, desejando destinar sua filha a um bom casamento, que também constituísse para ele uma vantajosa aliança, e por ter de partir em viagem, encerrou-a numa torre, mandando construir ali um balneário com duas janelas.

No seu isolamento, Bárbara terá entrado em profunda meditação, acabando por se converter à fé cristã, então seriamente proibida no país e já motivadora de perseguições. Na ausência do seu pai, Bárbara mandou abrir no seu balneário uma terceira janela para que assim, segundo ela, recebesse uma luz que representasse a Santíssima Trindade. Também iluminada pela Santíssima Trindade teria desenhado uma cruz com o dedo, no mármore da balneário, que ali ficou profundamente gravada e que, conforme vários relatos, teve efeitos milagrosos para os que, mais tarde, a tocaram. Além disso mandou destruir os ídolos pagãos que seu pai ali tinha.

Quando Dióscoro regressou da viagem, interrogou a filha, que explicou o que tinha feito e informou seu pai que recusava qualquer casamento, pois já se tinha destinado a Jesus Cristo. Aquele, furioso, desembainhou a espada para a castigar, o que fez com que Bárbara fugisse - suas preces criaram uma abertura na muralha - e se ocultasse no interior de um rochedo que, segundo a lenda, abriu-se para escondê-la.

Numa versão da Idade Média, que situa a história lendária de Bárbara perto de Atenas, a jovem teria sido protegida por mineiros de Láurio que a esconderam na sua mina.

Denunciada por um pastor, Bárbara teria sido entregue ao pai, que a levou a Marciano, máxima autoridade romana da cidade, acusando-a de professar o Cristianismo. Diz a lenda que, como punição, o pastor foi transformado em estátua de mármore e seu rebanho em gafanhotos.

Marciano quis perdoá-la, se Bárbara aceitasse os deuses de Roma, mas a jovem terminantemente recusou. Por várias vezes açoitada cruelmente, Bárbara teria pedido sempre o auxílio a Deus, tendo Jesus aparecido assegurando-lhe que estaria sempre a seu lado, de modo que as crueldades dos tiranos nada pudessem contra ela. Nesse momento, Bárbara teria sido curada e teria agradecido a Jesus, assegurando-lhe que o seguiria para sempre.

Não conseguindo demovê-la da sua fé, Marciano, furioso, a teria mandado decapitar. Dióscoro, seu pai, teria solicitado ser ele mesmo o executor. Bárbara teria sido levada ao alto de um monte onde se ajoelhou e pediu a Jesus que, na hora da sua iminente morte, a absolvesse de todos os seus pecados. Levada pela sua bondade, teria pedido também que a mesma graça fosse concedida a todos os que, em situações de morte iminente, implorassem a extrema unção por seu intermédio.

Depois de receber a garantia da satisfação destes pedidos, Bárbara teria sido decapitada pelo pai, em um dia 4 de dezembro. Continua a lenda que o céu escureceu, tornou-se tempestuoso e que, quando Dióscoro regresssava do monte, um raio o fulminou e reduziu a cinzas. E assim, enquanto Bárbara terá subido ao Céu levada por anjos, Dióscoro terá descido ao Inferno para ser atormentado para sempre pelos demônios.

Devoções Editar

A adoração da Santa Bárbara pelos mineiros, dos quais é padroeira relaciona-se tanto à lenda segundo a qual ela refugiou-se em uma mina ao ser perseguida pelo pai quanto na súplica para que todos os que implorassem a Deus, por seu intermédio, a extrema unção, a obtivessem e ficassem absolvidos de seus pecados visto que o risco de morte iminente sempre esteve presente para os mineiros em seu trabalho no subsolo. Este também é o motivo pelo qual Santa Bárbara é padroeira de outras profissões que envolvem o risco de morte violenta e súbita, incluindo artilheiros, pirotécnicos, bombeiros, armeiros e engenheiros militares. Em castelhano e italiano, "santabárbara" é o paiol de pólvora de uma fortaleza ou de um navio, onde se costumava manter uma imagem da santa para protegê-lo de explosões.

Também esses traços, combinados com o lendário castigo de seu pai, a fizeram ser a santa especialmente invocada ante o risco de desastres com o mesmo risco de morte súbita, inclusive incêndios e tempestades de raios. Esta última associação a fez ser sincretizada com Iansã no candomblé brasileiro e com Xangô na santería de Cuba.

Bárbara é também padroeira de profissões relacionáveis com a torre e sua construção (cavouqueiros, pedreiros, arquitetos) e seu uso como prisão (presidiários e guardas de prisão).

Referências Editar

  • Ordem dos engenheiros: Santa Bárbara, padroeira dos mineiros [1]
  • Wikipedia (em inglês): Saint Barbara [2]

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