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Selene

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LunaMorgan

Luna, de Evelyn de Morgan (1885)

Endymion

A Visão de Endímion, de Edward Poynter (1913)

Luna statue

Escultura romana de Luna ou Diana Lucifera, portando uma tocha

Selene (do grego Σελήνη, Selênê, "lua") era a deusa grega da Lua, filha dos titãs Hipérion e Teia e irmã de Hélios e Eos. Na mitologia romana, era chamada Luna. Seu nome deriva de sélas, "clarão", "brilho" (Boreion Selas era o nome grego da Aurora Boreal) com o sufixo -na, assim como luna provém de lux.

Nos chamados Hinos Homéricos, a um Hino a Selene que forma par com o Hino a Hélios; nele, Selene é chamada "de belas asas", epíteto normalmente aplicado a aves. Mais tarde, essa deusa foi suplantada por Ártemis e considerada um dos seus aspectos, apesar de Ártemis ser considerada uma virgem irredutível e Selene ser conhecida por seus amantes, principalmente Endímion.

Mitos Editar

Depois que seu irmão, Hélios, termina sua jornada pelo céu, Selene, recém-banhada nas águas do Oceano que circunda a terra, comessa sua própria jornada enquanto a noite cai sobre a terra, iluminada pela radiância da sua cabeça imortal e de sua áurea coroa. Jovem e bela, percorria a noite num carro de prata, tirado por dois rápidos corcéis, segundo Homero, ou em um carro puxado por bois brancos, segundo outra tradição. A arte antiga a representava com um véu soprado pelo vento sobre a cabeça, representando a canópia da noite.

Na Arcádia, uniu-se a Pã, que a seduziu disfarçando-se com uma pele de ovelha e depois a presenteou com um rebanho de bois inteiramente brancos que ela usou para puxar seu carro noturno.

Com Antifemo ou Eumolpo, Selene teve o filho Museu, um adivinho renomado e grande músico, capaz de curar doentes com sua arte, que foi amigo inseparável, discípulo ou mesmo mestre de Orfeu.

Seu amante mais célebre, todavia, foi o jovem e formoso Endímion - um caçador ou pastor, segundo a maioria das variantes, ou um rei, segundo Pausânias. Segundo Apolônio, a pedido de Selene, Zeus prometeu a Endímion atender-lhe de imediato a um desejo, por mais difícil que fosse e ele pediu um sono eterno, para que pudesse permanecer jovem para sempre. Maravilhosamente belo, permanecia adormecido na encosta de uma montanha no Peloponeso, ou no monte Latmos, na Cária, perto de Mileto. Noite após noite, Selene descia atrás do monte para visitá-lo e cobri-lo de beijos.

Texto de cabeçalho Editar

Uma variante contada por Cícero relata que o sono mágico foi obra da própria deusa. Adormeceu-o, cantando, a fim de que pudesse encontrá-lo e acariciá-lo sempre que desejasse. Dessa paixão nasceram cinqüenta filhas, as Menas (uma das quais foi Naxos, a ninfa da ilha do mesmo nome) que representam os cinqüenta meses lunares que existem em uma Olimpíada, período de quatro anos que regia o calendário grego.

Existiu um santuário de Endímion em Heracléia, na encosta sul do Latmos, uma câmara em forma de ferradura com um vestíbulo de entrada e um átrio sustentado por pilares.

Este mito contrasta com o de Eos, irmã de Selene que pediu a Zeus imortalidade para seu amante Titono, mas esqueceu-se de pedir também a juventude eterna. Sem poder morrer, o pobre Titono envelheceu e encolheu até se reduzir a um inseto dessecado.

Roma Editar

Em Roma, Luna tinha um templo no monte Aventino, que foi construído no seculo VI a.C. e destruído pelo grande incêndio de Roma no reinado de Nero. Havia também um templo decicado a Luna Noctiluca ("Luna que brilha à noite") no monte Palatino. Havia festivais em honra de Luna em 31 de março, 24 de agosto e 29 de agosto.

Os lunáticos Editar

Selene é um substituto de mênê, "lua", nome antigo do mês, provavelmente por um tabu lingüístico, uma vez que a lua estava ligada a um mundo perigoso e maléfico, como atesta o verbo selêniazein, "ser ferido pela lua, tornar-se lunático, isto é, epiléptico, convertendo-se desse modo em adivinho ou feiticeiro".

A crença nos poderes maléficos de Selene é atestada em duas passagens importantes do Evangelho de Mateus, 4:24 e 17:15. Na primeira, diz o texto: "e espalhou-se a sua fama (de Jesus) por toda a Síria e trouxeram-lhe todos os que tinham algum mal, possuídos de vários achaques e dores, os possessos, os lunáticos (selêniazoumenous), os paralíticos e curava-os". No segundo, "tendo ido para jundo do povo, aproximou-se dele um homem que se lançou de joelhos diante dele, dizendo: Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático (hoti selêniazetai) e sofre muito".

Referências Editar

  • Junito de Souza Brandão, Dicionário Mítico-Etimológico da Mitologia Grega, Vozes, Petrópolis 2000.
  • Theoi: Selene [1]
  • Wikipedia (em inglês): Selene [2]

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