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Tique com Pluto nos braços, arte helenística do século II d.C.

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Tique de Antióquia, cópia romana de estátua de bronze de Eutíquides (300 a.C.). A deusa usa uma coroa mural, segura um feixe de espigas de trigo e se apoia sobre um nadador, que representa o deus-rio Orontes.

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A Fortuna Governa o Mundo, iluminura em manuscrito de Carmina Burana, século XII

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Nêmesis ou A Boa Fortuna, de Albrecth Dürer (1502). A gravura ilustra um poema de Poliziano que combina as deusas da sorte e da vingança. A figura flutua nas nuvens sobre a bola que representa incerteza, segurando uma taça dourada que simboliza a temperança e rédeas que indicam a contenção das tentações.

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Lady Luck, representação contemporânea

Na mitologia grega, Tique (Τύχη, Tyche, "acaso", "sorte") era a divindade que governava a fortuna, a prosperidade e o destino de uma cidade. Os romanos a chamaram Fortuna, palavra que parece derivar de Vortumna, "a que faz girar o ano".

Segundo a Teogonia de Hesíodo e os hinos homéricos, Tique era uma das oceânidas, filha de Oceano e Tétis, mas os hinos órficos a chamavam filha de Zeus e o poeta Alcman a considerou filha de Prometeu.

O historiador grego Políbio escreveu que, quando não se podia descobrir causas naturais de eventos como inundações, secas ou geadas, elas podiam ser corretamente atribuídas a Tique.

O pseudo-Higino registrou que alguns associavam a Tique a constelação da Virgem, mais frequentemente identificada com Dike.

Epítetos Editar

Tique era também chamada pelos gregos Agathê Tykhê (Boa Fortuna), Eutykhia (Boa Sorte), Akraiê (Das Alturas), Automatia ("Movida por si mesma", isto é, caprichosa), Meilikhios (Gentil) e Sôtêria (Salvadora).

As invocações romanas incluíam Fors Fortuna (Poderosa Fortuna), Fortuna Annonaria (sorte nas colheitas), Fortuna Belli (sorte na guerra), Fortuna Primigenia (sorte do primogênito ao longo de sua vida), Fortuna Virilis (a sorte de um homem e de sua esposa), Fortuna Redux (a sorte no retorno para o lar), Fortuna Respiciens (a sorte do provedor), Fortuna Muliebris (sorte de uma mulher solteira), Fortuna Victrix (sorte na batalha), Fortuna Augusta (sorte do imperador), Fortuna Balnearis (sorte dos banhos), Fortuna Conservatrix (sorte na conservação dos bens), Fortuna Equestris (sorte dos cavaleiros), Fortuna Huiusque (sorte no dia de hoje), Fortuna Obsequens (sorte ao receber indulgências), Fortuna Privata (sorte de um cidadão privado), Fortuna Publica (sorte do povo), Fortuna Romana (sorte de Roma) e Fortuna Virgo (sorte de uma virgem).

Iconografia Editar

Em vasos antigos, Tique era frequentemente representada ao lado de Nêmesis ("Castigo"), sempre disposta a frear e controlar os favores extravagantes que a companheira distribuía.

No período helenístico, muitas cidades, principalmente as do Egeu, tiveram sua própria versão de Tique e a representaram em suas moedas. Geralmente usa uma coroa mural (semelhante a uma muralha) e pode segurar um leme, para guiar e administrar os negócios do mundo (nesse aspecto considerada uma das Moiras), uma bola, para representr a variabilidade da sorte, instável e capaz de rolar em qualquer direção; e com Pluto, "riqueza", representado como uma criança, ou a Cornucópia, para simbolizar os dons generosos da fortuna.

Na arte greco-budista de Gandara, Tique foi associada a Hariti, entidade maligna da mitologia budista.

Na Idade Média, como alegoria, Tique era representada carregando uma cornucópia, um leme de navio e a roda da fortuna, ou então ficava de pé sobre a roda, presidindo sobre o ciclo do Destino. A própria roda, isolada, também era sua representação. A primeira referência à roda como emblema das mudanças intermináveis da vida entre a prosperidade e o desastre ocorre em In Pisonem de Cícero, cerca de 55 a.C.

Apesar da proibição do culto de Fortuna por Teodósio I, seu uso como figura alegórica foi reabilitado pelo filósofo cristão Boécio, na Consolação da Filosofia (524 d.C.), escrita quando foi condenado à morte, leitura obrigatória de eruditos e estudantes durante a Idade Média. Nela, foi formulada uma teologia cristã do casus ("acaso"), segundo a qual as voltas aparentemente fortuitas e frequentemente ruinosas da Roda de Fortuna são na realidade inevitáveis e providenciais e até mesmo os eventos mais casuais fazem parte do plano oculto de Deus ao qual não se deve tentar resistir. Eventos, decisões individuais e a influência dos astros seriam meros veículos da vontade divina.

Dessa obra, originou-se a popularidade da representação da Roda da Fortuna, em miniaturas de manuscritos, vitrais de catedrais (como em Amiens) e no arcano X do Tarô. A Fortuna é geralmente representada maior do que um humano, para acentuar sua importância. A Roda costuma ter quatro estádios ou fases da vida, com quatro figuras humanas, às vezes etiquetadas: à esquerda regnabo ("reinarei"), no topo regno ("eu reino", uma figura coroada), à direita regnavi ("reinei") e em baixo sum sine regno ("não tenho reino", uma figura humilde).

As representações medievais da Fortuna enfatizavam sua dualidade e instabilidade, às vezes colocando-lhe dois rostos, à frente e atrás, como em Jano; uma face sorrindo e outra franzindo o cenho; metade do rosto branco e outro preto; vendada mas sem a balança, cega à justiça. Ocasionalmente, suas roupas chamativas ou provocantes (ou nudez) e comportamento atrevido sugerem uma prostituta.

Em tempos modernos, é frequentemente representada de maneira mais ou menos satírica como Lady Luck, a "Dona Sorte", padroeira dos jogadores, frequentemente vista como pin-up em calendários e tatuagens.

Mito Editar

Na mitologia, Tique aparece como uma das companheiras de Perséfone, que se divertiam com ela na pradaria quando ela foi raptada por Hades.

Culto Editar

A popularidade de Tique teve um primeiro auge na época helenística, fascinada por enredos que envolviam viradas imprevisíveis da fortuna e outro nos últimos tempos do paganismo greco-romano, outro período de mudanças difíceis e imprevistas. A eficácia de seu poder caprichoso teve o respeito dos círculos filosóficos dessa geração, embora entre poetas fosse lugar-comum insultá-la como uma prostituta infiel e inconstante.

Em Lebadeia, na Beócia, os que desejavam consultar o oráculo de Trofônio deviam primeiro permanecer alguns dias em um edifício consagrado a Agathe Tykhe e Daimon Agathos.

Em Estefanépolis, no Epiro, tanques com peixes que recebiam comida dos visitantes eram mantidos a cada lado do templo de Tique.

Em Roma, dizia-se que o culto foi introduzido ainda durante o período etrusco, no reinado de Sérvio Túlio, o sexto rei (segundo Varrão) ou de Ancus Marcius, o quarto rei (segundo Plutarco). O dia 11 de junho era consagrado a Fortuna e havia um grande festival dedicado a Fors Fortuna no dia 24. Ela tinha um templo no Forum Boarium e um santuário público no Quirinal, como gênio tutelar da própria Roma, Fortuna Populi Romani. Em Preneste (atual Palestrina, no Lácio), havia um oráculo ligado ao templo de Fortuna Muliebris onde o futuro era sorteado por um menino pequeno entre varas de carvalho com possíveis sortes nelas escritas.

Ela era invocada em vários contextos domésticos e pessoais como, por exemplo, na dedicação de um amuleto num guarda-louça da Casa de Menandro em Pompeia, no qual ela foi sincretizada com a deusa egípcia Ísis para se tornar Ísis-Fortuna. Ela era também associada ao deus Bonus Eventus (Bom Evento), como sua contraparte em amuletos e camafeus espalhados pelo Império Romano. Ela teve também templos importantes em Cesareia Marítima (atual Tel-Aviv-Haifa), Antióquia, Alexandria e Constantinopla, antes que fossem definitivamente fechados, junto com todos os demais templos pagãos, por Teodósio I.

Referências Editar

  • Theoi: Tyche [1]
  • Theoi: Cult of Tyche [2]
  • Wikipedia (em inglês): Tyche [3]
  • Wikipedia (em inglês): Fortuna [4]

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