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Urutau

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O urutau, jurutau ou urutago, também chamado dono-da-noite e, em Pernambuco, mãe-da-lua, pai-da-lua e pai-de-mata é uma ave cinzenta, da ordem dos estrigiformes (família Nyctibiidae), com boca grande e hábitos noturnos que o fazem misterioso e aterrador. O nome é aplicado a várias espécies do gênero Nyctibius.

Segundo o dicionário Houaiss, seu nome deriva do tupi uruta'gwi "ave da família dos nictibiídeos". Segundo Fernando Costa Straube, seu nome seria uma corruptela do guarani guyra (ave) e táu (fantasma). Couto de Magalhães chamou-a ave fantasma.

O Urutau na lenda e no folclore Editar

Pacutinga
Pacutinga (Myleus rhomboidalis)
IctoonAdicionada por Ictoon

Segundo uma lenda recolhida por Câmara Cascudo, a mãe-da-lua fora mulher extremamente amiga de festas. Deixou o marido, a quem adorava, doente e dançou toda a noite. Voltando encontrou Paulo, o esposo morto. Desesperada de remorsos e convulsa de arrependimento, soltou um grito feroz e transformou-se na mãe-da-lua. Até hoje chama Paulo! Paulo! e soluça uma risada de martírio. Canta sempre à noite, seja ou não de luar. Nestas últimas seu canto parece mais longo e mais profundo, partindo do seio da mata escura.

Para os guarani é a indígena Nheambiú que virou ave depois da morte do seu noivo Quimbae. Os tupinambá afirmavam que ela trazia notícia dos antepassados e não a matavam. Suas penas servem como preservativos contra a luxúria. Ao vir da puberdade, as moças indígenas assentavam-se sobre a pele retirada a um urutau. Para outras tribos o costume era varrer o chão com as penas da mãe-da-lua.

Os carajá dizem que ela foi a moça Imaeró que tomou a forma do Urutau com ciúme de sua irmã Denaque que se casara com Tainacã, a estrela Vésper, tornado velho e alquebrado, e que pedira noiva e só Denaque o aceitara. Quando Imaeró viu Tainacã moço, forte e bonito, enlouqueceu de raiva e ficou sendo o urutau lúgubre.

Para os indígenas do rio Buopé (Uaupés) afluente do rio Negro no Amazonas, foi o tuxaua Duiruna que se tornou urutau por ter sua mulher Ueundá se transformando no peixe pacutinga ou pacu-branco (Myleus rhomboidalis).

Em Paulo Afonso, no rio São Francisco, a mãe-da-lua é descrita como um passarinho todo vermelho, com rabo comprido, que só grita de noite [1].

Urutau-pequeno Editar

Urutau
Urutau-pequeno (Nyctibius griseus)
IctoonAdicionada por Ictoon

A espécie mais comum, conhecida também como urutau-pequeno, é a que tem o nome científico de Nyctibius griseus. Distribui-se desde a Costa Rica, na América Central e por quase toda a América do Sul, com exceção das zonas mais frias da região andino-patagônica. Na Argentina, é chamado urutaú; na Bolívia, guajojó ou uruta; no Paraguai, urutau, guaimingüe ou judío. Em inglês, o nome genérico é onomatopéico: potoo.

Um macho adulto pesa entre 160 e 190 g. Sua plumagem pode ser cinza ou marrom e o peito tem um desenho negro compactado. Sob os olhos, tem um chumaço de penas, mas quando abre os olhos tal saliência praticamente desaparece. Alcança 37 cm de comprimento e uma envergadura de 85 cm. Alimenta-se de invertebrados, especialmente insetos.

A fêmea bota um ovo salpicado, numa cavidade natural do extremo de um tronco de árvore e choca em posição ereta. Macho e fêmea incubam o ovo por cerca de 33 dias. Habitam cerrado, orla da mata, campos com palmeiras e árvores. Ocorre tanto nas florestas densas quanto nas bordas de mata, capoeiras e até mesmo em árvores isoladas das grandes cidades.

Imóvel e quase invisível, passa a noite sobre um galho ou tronco morto, no qual facilmente se camufla, soltando um pio que soa como uma gargalhada fantástica e provoca medo instintivo.

O bico é muito pequeno em relação à boca enorme, o que lhe dá a aparência de um grande sapo. O urutau o usa para caçar grandes insetos em vôo, aumentando consideravelmente a área da bocada e também para assustar os predadores.

O olho é grande, como o das corujas (com as quais tem um parentesco distante) e igualmente lhe proporciona uma boa visão na escuridão da noite. Além disso, possui uma adaptação curiosa, não encontrada em nenhuma outra ave: quando fecha os olhos notam-se, em sua pálpebra superior, duas incisões ou fendas pelas quais a ave é capaz de observar os arredores sem abrir as pálpebras. Têm, portanto, o efeito de um "olho mágico", que torna particularmente eficiente sua camuflagem, ainda mais que o bulbo saliente do olho e a arrumação compacta das penas acima dele permitem a visão para cima e para trás, sem necessidade de mexer a cabeça.

Outras espécies Editar

Urutaugrande
urutau-grande ou mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis)
IctoonAdicionada por Ictoon

Das demais espécies de urutau, destaca-se a enorme mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis), com quase meio metro de comprimento total e envergadura de asas com o dobro disso, podendo chegar a um peso que supera meio quilograma. Essa ave ocorre desde a América do Norte, no México até os limites subtropicais sul-americanos (estados de São Paulo e Rio de Janeiro), sendo comum na Amazônia e no Brasil Central. O bico chega a dois centímetros ou pouco mais, enquanto sua boca - aberta - pode alojar um punho cerrado de um homem chegando, portanto, a quase oito centímetros de diâmetro. É chamada também chora-lua, manda-lua, preguiça, uira-tauí e urutau-grande.

Quase do mesmo tamanho é a mãe-da-lua-parda (Nyctibius aethereus), amplamente distribuída na América do Sul e considerada rara, uma vez que foi pouquíssimas vezes encontrada pelos estudiosos. Também chamada urutau-castanho e urutau-pardo.

Uma espécie menor é o urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) que apresenta uma mancha alva na base das asas, que pode ser vista quando a ave alça vôo. Vive nas florestas da Amazônia, sendo também encontrada na região nordeste do Brasil e alguns países fronteiriços.

Há, ainda, o urutau-ferrugem (Nyctibius bracteatus) que, tal como a espécie anterior, é pouco conhecido, distinguindo-se dele pelo menor tamanho (cerca de 25 cm) e pela plumagem cor-de-ferrugem muito vistosa, pintalgada por máculas brancas. Também se distribui pela região amazônica, englobando os vizinhos Guiana, Colômbia, Equador e Peru.

Notas Editar

  1. Alfredo do Vale Cabral. Achegas ao estudo do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura / Fundação Nacional de Artes, 1978, p.61-63)

Referências Editar

  • Luís da Câmara Cascudo, "Aves e pássaros no folclore brasileiro" em Revista do Livro, nº19, ano 5, setembro de 1960 [1]
  • Centro de Estudos Ornitológicos: Lista dos nomes populares das Aves do Brasil [2]
  • Fernando Costa Straube, "Urutau: ave-fantasma" em Atualidades Ornitológicas Nº 122, págs. 11 e 12 nov/dez 2004 [3]
  • Ambiente Brasil: Urutau [4]

Veja também Editar

Bacurau

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