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Voduns

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Panteão Vodu, de Julien Sinzogan

Voduns, vodus ou vudus (do gbe vodún, "espírito") são a designação genérica, no Brasil, das divindades do panteão jeje (ewe e fon, falantes da língua gbe) que, nas Américas, foram parcialmente sincretizados com orixás iorubás e santos católicos. No Haiti, tornaram-se alguns dos principais loás cultuados pela religião sincrética local, conhecida também como vodu.

Voduns na África Editar

Na versão mais conhecida da mitologia jeje, a do povo fon, Mawu ou Mahu, que alguns identificam à Nanã dos iorubás, é a deusa suprema, que criou a terra e os seres vivos. Ela é associada a Lissá, masculino, co-responsável pela Criação assimilado ao Oxalá iorubá, e os voduns são filhos e descendentes de ambos e seus agentes no comando do Universo. A divindade dupla Mawu-Lissá é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai).

Convém observar que o sexo dos voduns é, muitas vezes, difícil de determinar. Ao contrário dos orixás iorubás, que costumam ser imaginados com uma forma humana nitidamente individualizada, os voduns são freqüentemente concebidos como puras forças da natureza, que podem se manifestar em forma feminina ou masculina. Tanto na África quanto nas Américas, um mesmo vodum pode ser considerado como masculino, como feminino, como andrógino, como um par de irmãos e esposos de sexos opostos ou como um animal ou fenômeno natural de sexo indeterminado, dependendo da região ou da manifestação ("qualidade") específica.

Assim, Mawu, que para os fon do atual Benin é uma deusa criadora identificada com a Lua, é para os ewe do atual Togo é um deu-céu, criador dos espíritos ou voduns (mawu-viwo, filhos de Mawu) para ligá-lo aos humanos, e outra versão do mito faz de Mawu um deus andrógino.

Segundo outras tradições, esse culto foi introduzido pelo rei Tegbessu, que passou muitos anos preso em Oió como refém dos iorubás e começou a difundir hábitos e costumes estrangeiros depois de entronizado, junto com sua mãe Nan Uenguelê. Originalmente, a divindade suprema teria sido Dan ou , vodum da riqueza, representado pela serpente do arco-íris, equivalente ao Oxumaré iorubá. Por seu meio teriam sido criados os fenômenos atmosféricos, como o trovão, representado por Heviossô.

Os voduns são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodum principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. Entre os voduns menores, alguns se tornaram particularmente importantes nos cultos afro-americanos, como Aziri, sincretizada no Brasil com Oxum. Segundo Nei Lopes, os voduns formam três grupos ou panteões, os do Céu, do Mar e da Terra:

Os voduns do Céu (dji-vodun) integram o panteão de Mawu-Lissá:

  • Loko, primogênito dos voduns, representado pela árvore sagrada conhecida pelos iorubás como Iroco e na África de língua portuguesa como "amoreira africana" (Milicia excelsa) e que foi substituída no Brasil pela gameleira branca (Ficus doliaria).
  • Aguê, vodum da selva e da caça, detentor dos segredos da arte e da técnica, sincretizado no Brasil com o Oxóssi iorubá.
  • Dji, vodum do trovão.
  • Adjakpá, vodum da água potável.
  • Aiabá, vodum protetora do lar.
  • Wete e Alawê, protetores das riquezas de seu pai, Lissá.
  • Aizu e Akau, protetores das riquezas de sua mãe, Mawu.
  • Gu, vodum dos metais, guerra, fogo, da morte violenta, dos ferreiros e protetor dos recém-circuncidados, equivalente ao Ogum iorubá.


Os voduns do Mar (to-vodun) seriam os que integram o panteão de :

  • Sogbô ou Sobô, chefe do panteão que mora no céu e de lá fulmina os ladrões, feiticeiros e malfeitores.
  • Agoê ou Hu, vodum do mar sempre em movimento.
  • Na Etê, a chuva.
  • Heviossô, vodum que comanda os raios e relâmpagos, equivalente ao Xangô iorubá.
  • Badé
  • Avrequetê, vodum que habita a arrebentação marinha e leva as men­sagens de seu pai Hou às di­vindades marítimas e aos homens.
  • Topodum


Os voduns da Terra (ayi-vodun) são os do panteão de Sakpatá, rei do solo, senhor do chão, que representa tudo o que está na terra.

  • Sakpatá, vodum da varíola, equivalente ao Xapanã iorubá. Possui outro nome, menos perigoso de pronunciar: Ainã.
  • Corrossu e Niobê Ananu, causadores da varíola.
  • Da Zodji, causador da disenteria e dos vômitos.
  • Da Longan
  • Da Sandji e seu irmão gêmeo Bossu Zurron
  • Aglossutô, causador das feridas incuráveis.
  • Arrossu Ganvá, causador dos inchaços.
  • Avimajé
  • Aizã ou Ayizan (Aziza entre os gwen), dona da crosta terrestre e dos mercados.


Além destes três grupos, citam-se os seguintes voduns importantes:

  • Nanã Burucu, vodum muito antigo e respeitado. Segundo algumas tradições, é a mesma que Mawu. Para outros, é o mesmo que Sabadã.
  • Legbá, caçula de Mawu-Lissá, de quem também é mensageiro e intermediário, representa as entradas e saídas e a sexualidade e é sincretizado com o Exu iorubá. Nennhuma comunicação entre Mawu e um vodum pode ocorrer sem sua intervenção. É ele quem estabelece essa ligação e por isso deve receber oferendas e libações antes de todos os voduns.
  • ou Afá, vodum da adivinhação e do destino, equivalente ao Orunmilá iorubá. Veículo entre o mundo visível e invisível, conselheiro e guia dos homens, que indica as diretrizes para os negócios de todos os dias.
  • Agassu, vodum que representa a linhagem real do Reino do Daomé.


Existem ainda os voduns clânicos (henu-vodun), peculiares a determinados clãs e que carregam os títulos de togbé e atá, como:

  • Atá Kpessu, vodum da guerra.
  • Atá Sakumo, chefe dos voduns de seu clã.
  • Mamá Kole, sua esposa, simbolizada pelas águas doces dos solos arenosos.

Voduns em Cuba Editar

Em Cuba, o culto dos voduns o existe como parte da santería predominantemente iorubá, com o nome de La Regla Arará, praticada principalmente na província de Matanzas e Havana, no norte da ilha. Arará é uma corruptela de Aladá, nome de um antigo reino do Benin e do porto pelo qual eram exportados os escravos jejes (ewe e fon, falantes da língua gbe).

Segundo Nei Lopes, os voduns homenageados pela Regla Arará são os seguintes:

  • Dasoyi, o mais importante, também chamado Ojundegara, Afrimaie Ganayú, Azojano, Awó Aggrónica e Sódyi. Descansa à sombra do pé de cherimóia (Annona cherimola, conhecida em castelhano como chirimoyo e semelhante à fruta-do-conde ou pinha brasileira) ou em terra semeada de erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides). Usa calças de saco de juta, camisa de caroá e um xale colorido na cintura e balança um ajá. Sincretizado com São Lázaro, representdo leproso e de muletas. Sua cor é o violeta. Médico e guerreiro, manifesta-se por meio das seguintes qualidades ou caminhos:
    • Agró, vodum identificado com uma qualidade de Dasoyi, é sempre o último a comer, pois não gosta de fazê-lo com nenhum outro vodum;
    • Aggidai, o mensageiro;
    • Agrosometo;
    • Osumayá;
    • Daida;
    • Ofido;
    • Adrapete;
    • Emergundé;
    • Agramano;
    • Son-Poná;
    • Azoiy;
    • Aluá.
  • Hebioso, também chamado Oluoso, Anamá, Zaká ou Ibó, considerado rei dos ararás, de Oyó, da África e do mundo. Nascido do fogo, foi criado por Nana-Nú, um vodum parecido com Iemanjá. É o dono do pinheiro, do cajo e do abricó (Mammea americana, conhecido em castelhano como mamey). Gosta de bananas, carneiros e galos, Belo, valente, mulherengo, dono da música ebom dançarino, embriaga as mulheres com sumo de flores de pau-rosa ou flamboyant (Delonix regia). Sua comida favorita é o tapi-tapi, feito com bolotas de arroz cozido a que se adiciona quiabo ou caldo de galinha. Suas cores são vermelho e branco. Sincretizado com Santa Bárbara. Outros caminhos ou qualidades de Hebioso, que também pode manifestar-se como Dambalá, são:
    • Daddá Maggalá, o maior Hebioso;
    • Ajokéi;
    • Akrifoddú;
    • Akodá;
    • Fedyú Okundayo;
    • Alabáloke;
    • Janú Yemoró.
  • Dañé, entidade do raio, do vento e das tempestades. Usa colar de contas vermelhas, raiadas de branco e preto. Uma de suas qualidades é chamada de Naé e vive nas tumbas junto aos mortos. Possui um espanador de rabo de cavalo que todos os iniciados presentes a um funeral devem pasar no caixão do falecido. Foi mulher de Hebioso e o segue por todos os lugares, o que a aproxima de Iansã. É muito bonita e nada maternal, não gostando da companhia de crianças. Recebe oferenda de nove vagens ou favas de flamboyant e uma berinjela.
  • Nan-Nú, que pariu 17 divindades. É sete em uma e um de seus mais poderosos caminhos é Olokun, que vive no fundo do mar.
  • Saborissá, pai de Hebioso. É o dono dos campos e dos vulcões. Veste-se de vermelho e seus filhos o recebem no ombro, não na cabeça. É mais forte que o ferro e domina a saudade e a tristeza. A palmeira real é o seu bastão e, quando ela se empina, enxerga o mundo inteiro. Come tapi-tapi, como Hebioso.
  • Yewá Afirimako, vodum da morte e dos desamparados, dona dos cemitérios.
  • Acutorio, também conhecido como Achibirikí, Alailúo e Gamu-Gamu, mói até o aço, pois é dono dos metais. Mora na mata. Possui mais de 170 avatares, qualidades ou caminhos associados a este vodum e, em um deles, Acutorio e Hebioso fundem-se em uma só entidade bem definida, amenizando a tradicional rivalidade entre os dois. Alguns desses caminhos são:
    • Balindjo, o dono do fogo;
    • Togó
    • Ibo Buá;
    • Ibo Cui;
    • Gambúa.
  • Somadonu, Ojosí ou Juguerdá, pai e mãe de todos, é o vodum que deu ao homem o pensamento e é dono de todas as cabeças. Manifesta-se por meio de 24 caminhos: em 12 como homem, em 12 como mulher. A ele oferecem-se pombas brancas, arroz, flocos de algodão e suspiros. No Haiti é identificado com Ezili e invocado como Metré Sili.
  • Naná Buruku, ou Bukú divindade dos rios representada como serpente que as vezes se confunde com a Mawu africana. Sua comida não pode ser cozinhada em panela de ferro, só de barro e os animais de seu sacrifício devem ser mortos sem derramamento de sangue, por asfixia, com um pano colorido. Recebe oferenda de caramanché, sete espécies de bebidas a que se adiciona um pouco de azeite.
  • Masé, vodum que vive no rio, mãe do rio, sincretizada com a Virgen de la Caridad del Cobre (8 de setembro) e suas cores são amarelo e branco.
  • Malé, força do mundo subterrâneo. Seu dia de culto é o primeiro do ano.
  • Aferequete, dona do mar, sincretizada com a Virgem de Regla (7 de setembro), suas cores são azul e branco.
  • Sechemé, divindade suprema. Entre os fons é conhecido como Dada Legbo, sendo também invocado como Bobbadé.
  • Tokuno, vodum que descobre tudo. A qualquer momento, é capaz de conseguir o que é necessário. Se não existe nenhuma necessidade, ele a inventa.

Todos os voduns comem amió, que se faz cozinhando feijões pretos até ficarem secos, bem grudados, para serem comidos com rodelas de cebola e muito azeite.

Voduns no Haiti Editar

No Haiti e em outras regiões de colonização originalmente francesa do Caribe (inclusive a Luisiana, nos EUA), os jeje foram a corrente mais importante para a formação dos cultos afro-americanos, ali geralmente conhecidos como vodu (francês vodou, vaudou ou vodoun), ou vudu (inglês voodoo), embora tenham sido sincretizados com outras influências africanas (iorubá, ibo e bantu), com o catolicismo e, possivelmente, também com crenças indígenas para dar origem aos loás.

Voduns no Brasil Editar

No Brasil os voduns são cultuados nos terreiros de Candomblé da Nação Jeje (cuja origem está em Salvador e no Recôncavo baiano, nas cidades de Cachoeira e São Félix), no Tambor de Mina de São Luís do Maranhão (com a única casa de Jeje-Mina, que é aCasa das Minas) e, sincreticamente, nos Xangôs de Pernambuco (nação Nagô-Egbá ou Jeje-Nagô).

Maranhão Editar

No Maranhão, o culto dos voduns permaneceu mais próximo do original africano. Os voduns cultuados na Casa das Minas estão agrupados nas famílias de Davice, Dambirá, Savaluno e Queviossô. Além dos voduns propriamente ditos, são ou eram cultuados:

  • Os toqüéns ou toqüenos, voduns jovens que cumprem a função de guias, mensageiros e ajudantes dos outros voduns. São eles que "vêm" na frente e chamam os outros. Têm cerca de quinze anos de idade, podendo ser masculinos ou femininos, pertencendo a maioria à família de Davice. Nos clãs de Quevioçô e Dambirá são os voduns mais jovens que desempenham esse papel.
  • As tobóssis, que são divindades infantis femininas, consideradas filhas dos voduns, outrora recebidas pelas dançantes com iniciação plena, as chamadas vodúnsi-gonjaí.

Segundo Sérgio Ferretti, assim se configura o panteão dos voduns na Casa das Minas, família por família:

  • Família de Davice reúne os voduns da família real do Abomey, no antigo Daomé, atual Benim, e é composta dos seguintes voduns:
    • Nochê Naê, Mãe Naê - a vodum mais velha e ancestral mítica do clã.
    • Zomadônu - o dono da Casa das Minas e chefe de uma das linhagens da família de Davice. Rei e pai dos toqüéns Toçá e Tocé (gêmeos), Jagoboroçu (Boçu) e Apoji. Zomadônu é filho de Acoicinacaba.
    • Acoicinacaba (Coicinacaba) - pai de Zomadônu e filho de Dadarrô.
    • Dadarrô - chefe da primeira linhagem da família; vodum mais velho da família de Davice. Casado com Naedona e irmão de Acoicinacaba, portanto, tio de Zomadônu. É pai de Sepazim, Doçu, Bedigá, Nanim e Apojevó. Representa o governo e é protetor dos homens de dinheiro.
    • Naedona (Naiadona ou Naegongom) - esposa de Dadarrô e mãe de Sepazim, Doçu, Bedigá, Nanim e Apojevó.
    • Arronoviçavá - irmão de Naedona, é cambinda (mas considerado jeje por outras casas).
    • Sepazim - princesa casada com Daco-Donu, com quem teve um filho chamado Tói Daco, que é toqüém.
    • Daco-Donu - marido de Sepazim, pai de Daco.
    • Daco - filho de Sepazim e Daco-Donu. Toqüém.
    • Doçu (Doçu-Agajá, Maçon, Huntó ou Bogueçá) - jovem cavaleiro, boêmio, poeta, compositor e tocador. Pai dos três toqüéns Doçupé, Nochê Decé e Nochê Acuevi.
    • Doçupé - filho de Doçu. Toqüém.
    • Nochê Decé - filha de Doçu. Toqüém.
    • Nochê Acuevi - filha de Doçu. Toqüém.
    • Bedigá - também cavaleiro como o irmão Doçu. Aceitou a coroa do pai Dadarrô que Doçu tinha recusado. Protetor dos governantes, advogados e juízes.
    • Apojevó - filho mais novo de Dadarrô. Toqüém.
    • Nochê Nanim (Ananim) - filha adotiva de Dadarrô, criou Daco (neto de Dadarrô) e Apojevó (seu irmão mais novo).
  • Família de Savaluno. É uma família de voduns amigos da família de Davice. Não são jeje e são hóspedes na Casa das Minas.
    • Topa - um vodum solitário, o qual tem mais dois irmãos, Agongono e Zacá.
    • Zacá (Azacá) - vodum caçador.
    • Agongono - vodum que se relaciona com os astros; amigo de Zomadônu e pai de Jotim.
    • Jotim - filho de Agongono. Toqüém.
  • Família de Dambirá. Reúne os voduns da terra, ligados às doenças e às curas.
    • Acóssi Sapatá (Acóssi, Acossapatá ou Odan) - curador e cientista, conhece o remédio para todas as doenças. Ficou doente também por tratar os enfermos. Pai de Lepom, Poliboji, Borutoi, Bogono, Alogué, Boça, Boçucó e dos gêmeos Roeju e Aboju.
    • Azile - irmão de Acóssi. Também é doente.
    • Azonce (Azonço, Agonço ou Dambirá-Agonço) - irmão de Acóssi e Azile, o único que não é doente. É velho e é nagô. Pai de Euá.
    • Euá - filha de Azonce, também é nagô.
    • Lepom - filho mais velho de Acóssi. Vodum velho.
    • Poliboji - também vodum velho.
    • Borutoi (Borotoe ou Abatotoe) - vodum velho. Usa bengala.
    • Bogono (Bogon ou Bagolo) - diz-se que se transforma em sapo.
    • Alogué - diz-se que é aleijado.
    • Boça (Boçalabê) - mocinha alegre, está sempre com o irmão Boçucó. Toqüém.
    • Boçucó - outro dos irmãos mais novos. Toqüém.
    • Roeju e Aboju - irmãos gêmeos. Ambos toqüéns.
  • Família de Quevioçô. É família de voduns considerados nagôs, embora não sejam orixás (entre eles, apenas Nanã é cultuada nos candomblés de orixá, tendo sido incorporada ao panteão iorubá desde a África, assim como seus filhos Omolu e Oxumaré). Quase todos são mudos para evitar que revelem os segredos dos nagôs ao pessoal da Casa das Minas, onde são hóspedes de Zomadônu.
    • Nanã (Nanã Biocã, Nanã Burucu, Nanã Borocô ou Nanã Borotoi) - diz-se que é de Davice mas auxilia Quevioçô. É a nagô mais velha, a que trouxe os outros.
    • Naité (Anaité ou Deguesina) - mulher velha que representa a lua.
    • Vó Missã é a velha que resolve tudo entre os nagôs.
    • Nochê Sobô (Sobô Babadi) - considerada mãe de todos os voduns de Quevioçô (Badé, Lissá, Loco, Ajanutoi, Averequete e Abé). Representa o raio e o trovão.
    • Badé (Nenem Quevioçô) - representa o corisco. Equivale a Xangô entre os nagôs. É mudo e se comunica por sinais.
    • Lissá - vodum dos astros. Representa o sol. É vadio e anda muito. Também é mudo.
    • Loco - representa o vento e a tempestade. Também é mudo.
    • Ajanutoi - é surdo-mudo e não gosta de crianças.
    • Abé - vodum dos astros, como Loco. Representa o cometa, uma estrela caída nas águas do mar. Vodum jovem e mulher. Uma dos poucos do clã que falam. É toqüém. Corresponde ao orixá Iemanjá dos nagôs.
    • Averequete (Verequete) - Também fala e é toqüém.
  • Dois voduns amigos da família de Quevioçô que tomam conta dos filhos de Dambirá. São eles:
    • Ajautó de Aladá (Aladanu) - amigo da casa. Pai de Avrejó. É velho e usa bengala. Ajuda Acóssi, que é doente. Mora com o povo de Quevioçô. É rei nagô, protetor dos advogados.
    • Avrejó - Filho de Ajautó. Toqüém.

Avievodum é o deus Supremo, a quem os voduns estão subordinados. Como Olodumaré ou Olorum, deus Supremo dos iorubás, Avievodum é distante e inalcançável, pouco lembrado pelos devotos e não recebe culto específico.

Legba ou Legbara, figura comum nas religiões afro-brasileiras, conhecido em outras "nações" pelo nome de Exu, é a divindade que assume a função de trickster ou trapaceiro. Não tem culto organizado na Casa das Minas, onde é identificado com Satanás, o Mal. Não é aceito como mensageiro, mesmo porque quem realiza essa função são os toqüéns. Apesar de não ter culto organizado, verificam-se uns poucos gestos rituais ligados a Legba, como por exemplo, certos cânticos pedindo para que Legba se afaste, que são cantados ao início de todo tambor. Ocupa, entretanto, lugar importante em outros terreiros influentes de São Luís.

Há outros voduns do tambor-de-mina que não aparecem nesta classificação por não serem referidos na Casa das Minas, mas que são cultuados em outros terreiros, como Boço Jara, presente na Casa de Nagô.

Bahia Editar

Os voduns cultuados no terreiro Zoogodô Bogum Malê Rondó de Salvador e em Cachoeira pertencem às linhagens de Dã e Sobô:

  • Sobô
    • Badé, o mesmo Sobô, evocado por um de seus títulos.
    • Adequém
    • ou Puó, a quem são consagradas as raízes
    • Azanodô ou Zonodô, considerado também a terceira pessoa da trindade dos Reis Magos, cuja festa é realizada no dia 6 de janeiro. Outrora, nesse dia, os fiéis depositavam frutas ao pé de sua árvore, na ladeira Manuel Bonfim.
    • Bessém, vodum do arco-íris, representado pela serpente Dã e identificado com São Bartolomeu, que abre as festas do Bogum em 15 de dezembro.
    • Bafono
    • Quemquém
    • Coquém
    • Guedê

Também são respeitados, mesmo se não cultuados, os seguintes voduns:

  • Lebá, dono das encruzilhadas;
  • Olissá, Senhor do Bonfim;
  • Hevioçô, senhor do trovão;
  • Aguê, vodum das ervas medicinais e da caça;
  • Gum, vodum das guerras e demandas;
  • Aziri Toboce, das águas doces e fontes;
  • Aziri ou Aziri Kaia, do Mar Oceano;
  • Loco, da árvore gameleira;
  • Rorrô, dos gêmeos.

Referências Editar

  • Reginaldo Prandi, "Nas pegadas dos voduns: Um terreiro de tambor-de-mina em São Paulo" [1]
  • Manfred Lurker, Dicionário dos Deuses e Demônios, São Paulo: Martins Fontes, 1993
  • Nei Lopes, Kitábu: o libro do saber e do espírito negro-africano. Rio de Janeiro: Senac, 2005
  • Atenas, el portal de la cultura matancera: Los Arará [2]
  • Wikipédia: Vodun [3]

Veja também Editar

Loás

Orixás

Bonsus

Inquices

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