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Todos aqueles que nascem em uma sexta-feira da Paixão são zaoris. Têm o aspecto de homens comuns. Seus olhos, porém, são muito brilhantes, de um brilho mágico, misterioso. Possuem o poder de ver através de corpos opacos, terras ou montanhas, assim conseguindo localizar tesouros escondidos. Barras de ouro ou prata, jóias, pedras preciosas, armas raras, nada escapa ao olhar mágico destes seres, mesmo que esteja enterrado sob vinte metros de terra.

Segundo Luís da Câmara Cascudo, é mito de origem árabe e denuncia o velho hábito de enterrar dinheiro, sendo muito popular na Espanha. No Brasil, ocorre principalmente no Rio Grande do Sul.

No fabulário da região do Rio da Prata, Chile e Paraguai, localizam as riquezas e tesouros enterrados pelos jesuítas ou por príncipes incas, na tentativa de salvaguardar seu ouro dos espanhóis. Uma vez que os proprietários originais não podem mais usufruir do tesouro, os zaoris os localizam para aquelas pessoas que ganham a sua simpatia.

Um zaori nunca pode utilizar seu dom em benefício próprio. Tudo o que encontrar sempre deverá reverter para benefício de outrem.

João Simões de Lopes Neto, em A salamanca do jarau, assim se refere aos zaoris:

"Depois, desceu, sempre com ela; em sete noites de sexta-feira ensinou-lhe a vaquenagem de todas as furnas recamadas de tesouros escondidos... escondidos pelos cauílas, perdidos para os medrosos e achadios de valentes... E a mais desses, muitos outros tesouros que a terra esconde e que só os olhos dos zaoris podem vispar..." Texto em itálico

Zahorí Editar

Zahori

Zahorí, ilustração na obra de Pierre Le Brun, Historia crítica de las prácticas supersticiosas, 1732

Em espanhol, rabdomandantes ou zahoris é como são chamadas as pessoas que pretendem ter a capacidade de encontrar substâncias ocultas ou enterradas, detectando-as através de ondas de radiação captadas pelo movimento -- supostamente espôntaneo -- de dispositivos simples sustentados por suas mãos.

São os radiestesistas ou buscadores de água.

Referências Editar

  1. Luís da Câmara Cascudo. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954
  2. Luís da Câmara Cascudo. Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.350-352
  3. Carlos Teschauer, padre. "A lenda do ouro". Revista do Instituto Histórico do Ceará, v.25, p.3-49, Fortaleza, 1911 | "A lenda do ouro", resumo. Almanaque do Globo, Porto Alegre, 1927, p.113
  4. João Simões de Lopes Neto. Contos gauchescos. 9ª ed. Porto Alegre, Editora Globo, 1976 (Coleção Província)

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